Ciência & Tecnologia

Na internet, você pode até omitir seu nome, mas todo mundo sabe quem você é. Não que alguém vá bater na sua porta por aquela música que você baixou sem pagar, mas seja pelos dados divulgados em redes sociais, pelos contratos digitais com os quais você concordou sem ler ou simplesmente pelos caminhos que você faz na internet, portais, sites de e-commerce, os crackers podem muito bem ter seu perfil completo.

A idéia de que o anonimato rima com segurança quando se está navegando online é uma grande balela que transforma usuários ingênuos em potenciais vítimas de campanhas de marketing, torrentes de spams ou cavalos-de-tróia prontos para registrar seus dados bancários.

Deve-se abdicar completamente da internet em nome da total segurança? Você deixaria de circular nas ruas por causa dos assaltos? A melhor maneira, nos dois casos, é proteger-se.

Há maneiras de atenuar a constante vigília de buscadores, sites de e-commerce e ferramentas de rastreamento (sejam elas por motivos bons ou não). A seguir dicas de segurança, sugestões de serviços online e de softwares que podem se não apagar, pelo menos tornar menos perceptíveis seus rastros online em nome da privacidade.

O perigo das bolachinhas

Cookies são pequenos arquivos de texto usados pela maioria de serviços online para guardar informações sobre seus hábitos de navegação. Não há nada de errado neles, desde que a política de privacidade do site esteja clara.

O debate sobre a privacidade online entre os buscadores forçou o Google a não só diminuir para dois anos o tempo em que os cookies são armazenados no PC do usuário (anteriormente, o arquivo poderia ficar até 30 anos), como também tornar anônimos os registros de buscas após 18 meses.

A mudança do Google provocou ações semelhantes entre rivais: o Yahoo anunciou que tornaria os dados procurados anônimos em 13 meses, o Ask.com anunciou um serviço que permite buscas sem deixar rastros.

Gerenciar os cookies recebidos e armazenados é também uma boa saída para não tornar seu micro um repositório de informações pessoais jogadas em uma pasta abandonada.

Por mais que existam softwares que se proponham a classificar ou apagar cookies, como o Privacy Guardian ou o Cookie Crusher, os navegadores fazem um bom trabalho em impedir o acúmulo de cookies.

No Firefox, da Mozilla, é possível até mesmo automatizar a limpeza de cookies. Sempre que quiser limpar seus dados pessoais após usar o browser, escolha "Opções" dentro do menu "Ferramentas" e, no menu "Privacidade", clique sobre "Limpar dados pessoais ao sair do Firefox".

Sempre que o navegador for fechado, a janela de limpeza de dados pedirá confirmação para apagar cookies, senhas armazenadas, histórico de navegação e lista de downloads. A função, acessada também diretamente no menu "Ferramentas", é uma boa dica para PCs públicos.

Um pouco mais complicado, o Internet Explorer 7, da Microsoft, exige que o usuário clique sobre "Opções de Internet" no menu "Ferramentas" e clique sobre o botão "Deletar histórico de navegação" na aba "Geral".

Na nova janela, aperte o botão "Delete todos..." para que cookies, histórico de navegação, dados inseridos em formulários e senhas sejam apagados automaticamente. No Safari, da Apple, escolha "Reset Safari" no menu "Safari" para que todos os dados sejam deletados.

Apagar definitivamente os cookies da sua vida é uma opção plausível? Não, muito embora o uso exagerado represente um perigo real. Serviços de e-mail exigem cookies para se certificar da autenticidade do usuário no acesso à conta.

Caso deletar os cookies após o término da navegação seja muito arriscado, tanto Firefox como IE e Safari permitem o bloqueio de cookies, com recebimento permitido por apenas sites confiáveis listados pelo usuário.

Mesmo com estes cuidados, um alerta: é quase impossível navegar na internet sem deixar rastros. Mesmo deletando todas suas contas que permitiriam identificação mais detalhada, seu IP, espécie de RG que cada computador tem na internet, ainda estaria nos registros dos buscadores.

Colecionando dados

Sistemas de buscas são as janelas para a vastidão da internet - até mesmo na hora de resgatar aquele blog que você entra normalmente, é mais fácil buscar pelo nome do site do que lembrar a URL para acesso direto.

O que muitos usuários não sabem é que, ao criar uma conta no serviço e realizar buscas, o usuário está concordando que o buscador colete informações pessoais que, mesmo confidenciais, podem ser usadas para campanhas comerciais.

O segredo que sustenta financeiramente buscadores está no chamado "clickstream", nome técnico para o rastro que você deixa ao clicar em determinado link ou escolher abrir outro site dentro do buscador.

Assim como os "page views" eram ouro para a primeira fase da publicidade online, os "clickstreams" são os novos objetos de desejo para que anunciantes e plataformas de publicidade para entregar anúncios que sirvam para cada um dos usuários.

Os quatro principais buscadores do mercado - Google, Yahoo, Microsoft Live Search e Ask.com - admitem a prática em seus sites, prevenindo usuários que as informações não são compartilhadas, vendidas ou repassadas a empresas parceiras.

Se isto não for o suficiente (ou se você compartilha com John Battelle a crença de que "nem toda empresa se mantém pura para sempre"), é possível desativar alguns dos registros feitos pelos buscadores da sua navegação, com destaque ao Google.

Ao ativar o Histórico de buscas no Google, por exemplo, o buscador registra todos os termos pesquisados e, consequentemente, os sites acessados, armazenando, organizando por data e até mesmo categorizando em gráficos todas suas buscas no serviço PSearch.

Por mais assustador que seja saber quais os principais sites que você usa ou a busca mais recorrente, o PSearch é facilmente desabilitado dentro das opções da sua conta do Google.

A superexposição das comunidades

Há outro risco inerente à sua privacidade na internet que também tem a ver com suas escolhas, mas bem mais fáceis de evitar: informações pessoais divulgadas em redes sociais.

Ao contrário do clickstream, que depende das estratégias comerciais dos portais e buscadores, a divulgação de dados pessoais tem relação direta com algo que todos têm (ou deviam): bom senso.

Não é por que o cadastro da nova comunidade passada por seu amigo apresenta dezenas de pequenos campos pedindo endereços, telefones e outras informações que todos precisam necessariamente ser preenchidos.

O grande segredo do sucesso das comunidades online, como recentemente apontou estudo da comScore, esbarra na mesma liberdade para encontrar usuários desconhecidos (e informações pessoais sobre eles) que podem ameaçar sua privacidade.

Redes como MySpace, Orkut e até mesmo o Twitter oferecem opções para que o perfil do usuário ou suas atualizações sejam acessadas apenas por conhecidos. Se você não é daqueles que explora novas amizades do outro lado do PC, este modo seguro é ideal.

O argumento do "eu posso mudar mais tarde" também não é dos melhores na hora de acobertar informações pessoais reprováveis para um futuro emprego ou namorada (o) graças a uma tecnologia chamada "cachê".

De cada página indexada, os principais buscadores guardam uma cópia em seus servidores para consulta mesmo se o autor do site desabilite o conteúdo. Mesmo sem o material atualizado, ainda é possível acessar informações que você já apagou, mas ainda estão acessíveis de alguma forma. Na internet, a informação é eternizada ao entrar no cachê.

A mistura de conteúdo vergonhoso ou comprometedor que envolva seu nome da internet, inclusive, já sustenta um crescente mercado de serviços que prezam pela reputação online do usuário.

Por cerca de 16 dólares mensais, serviços como o Reputation Defender varre a internet atrás de conteúdos que possam ser "prejudiciais, ofensivos, mentirosos ou inapropriado" sobre um usuário que esteja procurando emprego ou arrumando namorada(o) online.

Você, usuário, deve lamentar por serviços semelhantes ao Reputation Defender ainda não terem aterrissado no país? Longe disto. Com uma mistura de bom senso e atenção com seus softwares, uma reputação online em médio prazo sai de graça.

IDG Now

Por: Redação

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