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A divisão do País em cinco grandes Regiões – Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste –, em vigor há 38 anos, está defasada e já não funciona como instrumento eficaz de gestão de políticas públicas. Esse é o diagnóstico de um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), concluído em maio, que propõe a reformulação da parte norte do território brasileiro, encravando ali uma terceira Região, a Noroeste.A região Noroeste abrigaria Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, enquanto o Norte ficaria com Pará, Amapá, Tocantins e o hoje nordestino Maranhão

É a primeira vez que uma proposta de revisão das macrorregiões é apresentada desde 1969, quando foi instituído o atual modelo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho será debatido este mês no Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação em Geografia, em Niterói, rio de Janeiro.

Estudo

"As Regiões Brasileiras Pós-Tocantins: Ensaio Para Um Novo Arranjo" defende a divisão da Região Norte em duas partes. De um lado, sob a liderança do Amazonas, ficariam Acre, Rondônia e Roraima, que formariam o Noroeste. No outro extremo, surgiria uma nova Região Norte, composta por Pará, Amapá, Tocantins e o vizinho Maranhão, hoje um dos nove Estados nordestinos.

Ao sugerir essas mudanças, o autor do estudo, o geógrafo José Donizete Cazzolato, usou como critério os vínculos sociais e econômicos dos Estados. "A estrutura urbana da Região Norte, como está hoje, opera em nítida dicotomia. Há o pólo de Manaus, que interage mais intensamente com Acre e Roraima. Do outro, o pólo de Belém e Palmas. Embora na mesma região, os dois pólos quase não interagem", explica.

No Maranhão, ele destaca, o maior parceiro está do outro lado da fronteira do Nordeste. "Se as relações do Maranhão, Tocantins e Pará acontecem mais intensamente com a parte de fora do que a de dentro, por que não mexer nisso?", questiona o pesquisador.

Cazzolato busca nos discursos usados em 1969 para a criação do Sudeste os argumentos para defender a união de Tocantins, Pará, Amapá e Maranhão num mesmo grupo. "O surgimento do Sudeste inaugurou uma nova visão para a divisão regional do País. Mostrou que ela estaria relacionada mais a critérios geoeconômicos, como relação de negócios, fluxos de material e circulação de pessoas, do que aos geofísicos", afirma.

O governo do Tocantins confirma o novo perfil do Estado. "De fato, nossas relações econômicas, sociais e políticas são maiores com o Pará e o sul do Maranhão", afirma o diretor de Planejamento do Estado, Raimundo Casé. Ele viu com bons olhos a proposta, sobretudo no viés político. "Isso poderia ajudar na articulação de uma bancada na Câmara que defenda os interesses da nossa região." O Maranhão, que enfrenta um movimento interno de divisão do Estado, não quis comentar o estudo.

Estamos hoje na terceira versão oficial da divisão regional do território brasileiro. A primeira ocorreu em 1942 e durou apenas três anos, quando uma revisão repartiu o País em sete áreas: Norte, Centro-Oeste, Nordeste Ocidental, Nordeste Oriental, Leste Setentrional, Leste Meridional e Sul.

Fonte: Agência Estado

Por: Redação

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