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O deputado Ronaldo Caiado (Democratas-GO) classificou como "desespero" a preocupação dos frigoríficos e certificadoras de bovinos em acelerar o fim do embargo à carne brasileira imposto pela União Européia (UE). "É a crise do cartel", afirmou na semana passada, após participar de reunião com técnicos agropecuários e produtores de todo Brasil. No encontro, realizado na Câmara dia 21/02, foi discutido a elaboração de projeto de lei que cria um novo sistema de controle sanitário agropecuário.

De acordo com Caiado, que articula a criação desse projeto, uma das intenções é substituir o atual sistema de rastreamento de gado bovino (Sisbov). "Precisamos de algo condizente com a realidade brasileira. Não vamos acatar ordens e modelos europeus", justificou. "Já que os europeus declararam embargo, começamos do zero. Agora vamos discutir e ouvir todos os lados. Pode demorar seis meses, um ano para aprovarmos esse projeto. Quando ele sair, vai favorecer todos, não só alguns".

Caiado disse que o produtor, no começo do Sisbov, ganhava R$ 48 por arroba. Hoje, garantiu, o valor subiu para R$ 70. "Que crise é essa que alardeiam? Frigoríficos e certificadoras lucraram em cima do produtor e agora viram a mamata acabar", afirmou. O deputado goiano disse que até agora não viu um criador procurá-lo para dizer que perdeu dinheiro. "Se (os europeus) não querem comprar, paciência. Nós não vamos nos curvar. Até porque temos mercado suficiente".

Sobre a comitiva européia que desembarcará no País, domingo, 24, para no dia seguinte começar a vistoriar fazendas que serão habilitadas a exportar, Caiado ameaçou: "A sessão da Câmara será pequena para tantos discursos de deputados. Vamos desautorizar a presença deles no Brasil para analisar propriedades. Não aceitamos pagar pedágio." O deputado disse que nos últimos cinco anos foram registrados mais de 2,5 mil casos de vaca louca na Inglaterra e na Irlanda. "E ainda querem dar palpites aqui?", ironizou.

Durante a reunião, o assessor técnico da Confederação Nacional de Agricultura, Paulo Mustefaga, reclamou da falta de regras por parte do Ministério da Agricultura (Mapa). "Qual a regra do Sisbov? Qual a regra das zonas habilitadas ou não?", indagou. Ainda citou como rídicula a intenção da UE cadastrar 600 fazendas para exportação de carne. "Em Goiás, 13 propriedades seriam escolhidas, o que daria 4,5 mil cabeças de gado. Isso não abastece nenhum tipo de mercado", atacou. Entre os presentes, o sentimento era de insatisfação com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

Ronaldo Caiado disse ainda que acredita na aprovação de dois decretos elaborados por ele. Um suspende os acordos com União Européia e o outro susta a instrução normativa nº 17 do Ministério da Agricultura que trata do rastreamento bovino. "Essa é a primeira etapa, que deve ser concluída assim que a pauta for destrancada. Depois vamos para o projeto de lei".

Da redação com informações Assessoria de Imprensa

Por: redação

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