Polí­tica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende entrar na campanha municipal somente a partir de agosto, quando as disputas começam a esquentar nas principais capitais.

Em conversa com interlocutores aliados, Lula ponderou que ainda não é o momento de participar da agenda eleitoral e disse que só fará isso quando e onde for necessária a sua interferência. "Quando sentir o cheiro da disputa e perceber qual é o campo de ação que terá reflexos sobre 2010, ele entra na campanha", relatou um dirigente do PT que conversou com Lula sobre o assunto.

Independentemente de subir ou não nos palanques, o presidente teve papel fundamental na costura de algumas alianças. Não conseguiu, contudo, unir os partidos aliados no Rio de Janeiro, onde apostou numa composição com o PMDB e o governador Sergio Cabral. Não só o PT e o PMDB lançaram candidatos próprios, mas também os outros partidos aliados. Mas a participação do presidente Lula foi incisiva, por exemplo, na definição das alianças em Belo Horizonte (MG) e Natal (RN).

Contra o DEM do senador José Agripino (RN), o presidente conseguiu unir PMDB, PT e PSB em Natal em favor da candidatura da deputada petista Fátima Bezerra. O acordo foi selado entre a governadora Wilma Faria (PSB) e o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Com essa decisão, o Planalto isola o DEM, que, na capital do Rio Grande do Norte, se aliou ao PTB em apoio à candidata do PV e está estremecido com o PSDB.

Palmas

Em Palmas, Tocantins, o governador Marcelo Miranda (PMDB), que sempre recebeu uma atenção especial do presidente Lula, inclusive com demonstração de estima em várias oportunidades e em nível nacional, parece não ter se sentido comovido a retribuir o carinho recebido.

Marcelo preferiu escolher como candidata a representante do DEM, Nilmar Ruiz, aliada de primeira hora, assim como ele, da senadora Kátia Abreu (DEM), que patrocinou vários ataques ao presidente ao longo de 2007 e 2008.

Para a escolha enviesada de Marcelo pode ter contribuído a divisão do PMDB. O partido estava claramente dividido em três grupos. Os que pretendiam a continuação da coligação com o PT na capital; os que queriam a candidatura própria; e ele, que segundo suas próprias palavras, nunca teve dúvidas do apoio a Nilmar Ruiz.

Palmas é a única capital do Brasil que não terá segundo turno. Em decorrência disto receberá um tratamento diferenciado. O secretário nacional de finanças do PT em recente visita a Palmas, para lançamento da pré-candidatura de Raul Filho (PT), disse que a reeleição de Raul é prioridade nacional.

A fala do secretário parece não ter sido ouvida por Marcelo Miranda que optou pelo confronto político direto com o presidente, uma vez que a visita de Lula está sendo articulada e já teria até sido confirmada pelo presidente.

Os petistas de Palmas estão encarando o pleito de outubro como uma eleição para governador. Não escondem a intenção de aplicar uma derrota a Marcelo Miranda e já espalham aos quatro cantos que a cada semana trarão um ministro a Palmas, assim que começar a campanha.

 

Umberto Salvador Coelho

Da redação com informações Agência Estado

Por: Redação

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