Economia

Foto: Marcio Di Pietro - Secom Porto do Tocantins será instalado no Extremo-Norte do Estado Porto do Tocantins será instalado no Extremo-Norte do Estado

A otimização da infra-estrutura e logística eficiente é uma das principais prioridades do governo do Tocantins. O mais recente projeto para dinamizar o escoamento da produção, tanto do Estado quanto do Brasil, é a construção do Porto do Tocantins, iniciativa que irá distribuir, entre outras coisas, as mercadorias produzidas no PIM - Pólo Industrial de Manaus.

Para verificar de perto essa viabilidade econômica no Tocantins, o diretor do Porto de Manaus, Alessandro Bronze, representante da iniciativa privada no Amazonas, participou da reunião entre empresários, secretários de Estado e o embaixador da China no Brasil, Chen Duqing, que esteve em Tocantins entre os dias 13 e 14 deste mês de outubro.

O governo do Estado já realizou um estudo para verificar a viabilidade do Porto do Tocantins, que deverá ser instalado na região do Bico do Papagaio, abrangendo os municípios de Tocantinópolis, Itaguatins, São Miguel do Tocantins, Praia Norte, Sampaio, Araguatins, São Bento e Darcinópolis. Uma comissão para instalação do porto deve verificar a infra-estrutura nesses municípios, em termos de rodovias, energia, telefonia e outros aspectos essenciais.

O Porto do Tocantins será um dos principais responsáveis pela logística da produção industrial de Manaus. “O grande problema das mais de 420 indústrias que estão localizadas na Zona Franca de Manaus é com a distribuição da produção. O governo do Amazonas tem buscado a criação de entrepostos comerciais, para facilitar a logística dessas mercadorias. A nossa intenção no Tocantins é, como o Estado está localizado no centro do país, e possui a Ferrovia Norte-Sul, bem como navegabilidade do rio, que estará completamente possível com a construção da eclusa do Lajeado, e a estrutura rodoviária, trazermos para o Tocantins uma parte dessas mercadorias produzidas nas indústrias do Amazonas”, explicou o diretor.

O secretário de Indústria e Comércio do Tocantins, Eudoro Pedroza, enfatiza que todos os esforços do governo estadual serão concentrados para que a obra comece a operar a partir de 2010. “Nesse período também estará finalizada a hidrovia do Tocantins, ligando Marabá a Tucuruí e Tucuruí a Barbacena, além das obras de ampliação do Porto de Vila do Conde, em Belém (PA). Assim se fará a nova rota de saída do corredor Centro-Norte, com o Tocantins ao centro, para o Atlântico e para as diversas regiões do Brasil”, afirmou.

Segundo o diretor do Porto de Manaus, cerca de 80% da produção industrial do Amazonas passam pelo Tocantins. “A partir do Tocantins, os produtos da Zona Franca podem ser distribuídos para os estados do Nordeste, do Sudeste e demais regiões do Brasil”. Em Anápolis (GO), já existe um entreposto comercial, semelhante ao que será instalado no Tocantins. Segundo Bronze, o projeto já está adiantado. “Estamos decidindo, inclusive, o local onde ficará o entreposto, e esperamos que até o final do ano estejamos com essa estrutura de distribuição implantada”, afirmou.

Sobre as vantagens para o empresariado tocantinense desse projeto, o diretor do Porto de Manaus explicou que as embarcações que sairão de Manaus, com destino ao Tocantins, através do Pará, retornarão com produtos produzidos no Estado. “Tanto as balsas como as carretas não podem voltar vazias. Então, elas poderão retornar ao Amazonas com produtos do Tocantins, como o Tambaqui, a carne bovina, entre outros produtos, responsáveis por fazer essa integração comercial, não só entre os dois estados, mas também com outros estados da região Norte e Nordeste”, disse.

Antes mesmo da construção da eclusa do Lajeado, que vai possibilitar a maior navegabilidade do rio Tocantins, o entreposto comercial já poderá funcionar, segundo Alexandre Bronze. “Vamos iniciar trazendo as balsas até onde é navegável no rio Tocantins, e já fizemos uma viagem experimental para atestar essa possibilidade, e o restante do trajeto faremos por via rodoviária”, afirmou. O Porto de Manaus movimenta mais de 200 mil contêineres de cargas por ano, na capital amazonense.

Estudo

A Autologística Eurolatina Serviços Ltda. recomenda que o governo do Tocantins crie de imediato um espaço logístico, ou plataforma, com área mínima de 250.000 m2, com a possibilidade de expansão, como centro de consolidação e de desconsolidação de carga/produtos. Inicialmente, o foco seria o potencial da Zona Franca de Manaus, oferecendo, além do transbordo simples, serviços diretos e agregação de valor às mercadorias movimentadas. Ou seja, a plataforma logística no Tocantins aproximaria a ZFM de seus clientes principais.

Também é recomendada que a localização dessa plataforma logística deva ser definida com intuito de explorar futuramente a hidrovia Tocantins e ligar esse modal às rodovias existentes, realizando o fluxo de carga Norte-Sul-Norte. Os anos 2009/2010 podem ser importantes porque coincidem com as datas previstas de três eventos logísticos importantes: finalização prevista do trecho da Norte-Sul até Goiânia, finalização prevista da obra da eclusa Tucuruí e fim da exclusividade da Zona Franca de Manaus em Resende (RJ). "Naturalmente, considerando as condições infra-estruturais existentes, sugerimos uma localização dessa plataforma no Norte do Estado", conclui o estudo.

Modais utilizados

No transportes de produtos que saem e entram na ZFM, os modais rodofluvial e marítimo (cabotagem e longo curso), juntos, correspondem a 92,50%. Em 2007, o aumento da participação do marítimo foi de 30%. O tempo médio do modal rodofluvial da capital amazonense até São Paulo é de 11 dias. No modal marítimo, esse tempo cai para sete dias, sem escala. Por via aérea, o tempo é reduzido, mas o custo se eleva em 60%, dependendo do volume e peso transportados.

A rota mais utilizada (90%) sai de Manaus via fluvial até Belém (PA) e depois segue via rodoviário a seus destinos. A via marítima, destinada ao transporte de contêineres, absorve 17,50% das cargas que entram e saem. Novas tendências estão surgindo, entre elas o modelo SW, que são armazéns flutuantes. Neles, não há necessidade de se deixar a carreta parada com a mercadoria durante o período que se estiver navegando. As mercadorias são estocadas em palets dentro do armazém.

O sistema rodoviário-fluvial tem custo altíssimo, envolvendo formação de comboios e a organização de escolta armada, resultando em fretes de até R$ 13 mil por transporte de carreta, dependendo do destino. No sistema de navegação fluvial e marítimo, o custo médio para uma carreta é de R$ 2.200,00 na rota Belém-Manaus e na rota Porto Velho – Manaus, bem mais em conta.

A construção da plataforma logística no Estado do Tocantins trará uma série de vantagens como entreposto da Zona Franca de Manaus:

- Em dois ou três dias o produto é entregue ao consumidor final das grandes regiões do consumo do país;

- Possibilidade de armazenagem mais econômica no Tocantins do que em Manaus ou Belém. O preço em Manaus é de R$ 150,00 por m² de área; no Tocantins é de R$ 1,00 a R$ 5,00 por m² de área; enquanto em Belém é de R$ 15,00 a R$ 30,00 por m² de área;

- Maior ocupação de caminhões, evitando quilômetros vazios;

- Abastecimento é favorecido, já que o estoque de suprimentos no Tocantins, além de mais perto, evita filas no agendamento de carga em Manaus, com transportes programados partindo da nova plataforma logística. (Colaborou Luíza Renovato/SIC)

 

Fonte: Secom

Por: Redação

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