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Foto: Divulgação Deputado federal Osvaldo Reis e governador Marcelo Miranda Deputado federal Osvaldo Reis e governador Marcelo Miranda

Depois dos últimos lances na segunda quinzena de dezembro do ano passado, quando alguns peemedebistas em uma ação ardilosa e traiçoeira tentaram derrubar o deputado federal Osvaldo Reis da presidência do Diretório Regional do PMDB, parece que tudo se acertou entre os caciques peemedebistas e o cachimbo da paz foi fumado.

Durante a semana, na quarta-feira, 07, Reis se encontrou com Brito Miranda (DEM), uma espécie de primeiro-ministro do Tocantins, secretário da infra-estrutura e pai do governador Marcelo Miranda (PMDB). No encontro teria sido acertado que a eleição do Diretório Regional do PMDB só será realizada no final de 2009.

No dia 19 de novembro de 2008 próximo passado, a Executiva Estadual do partido se reuniu extraordinariamente e deliberou pela prorrogação do Diretório por apenas três meses, em descompasso com a decisão da Executiva Nacional que decidiu prorrogar sua presidência até o final de 2009. Daí, por dedução, o entendimento de que os Diretórios Estaduais e Municipais também estariam prorrogados acompanhando o nacional.

Durante entrevista exclusiva ao Conexão Tocantins, Osvaldo Reis disse que o governador Marcelo Miranda reconheceu que é uma decisão do PMDB nacional e a Executiva Estadual não pode tomar uma decisão extemporânea “quando tem uma decisão nacional que está registrada no TRE”, afirmou Reis.

Na entrevista Reis se queixou da forma como conduziram a reunião da Executiva Estadual e da falta de respeito com sua pessoa por ser um deputado federal por 5 mandatos. “São pessoas que participaram, que inclusive a maior parte é suplente, outros que assinaram que não são da executiva, um negócio terrível”, disse.

Reis se queixou principalmente do filiado Marcos Farias, sobre quem disse que fica “chapiscando ódio porque ele não tem prestígio de se eleger um vereador na sua cidade, não tem prestígio de nada”. Segundo Reis, o filiado está por trás de tudo que é contra o PMDB e representa as “forças ocultas” que geralmente não fazem, mandam, “eles são igual pistoleiro, matam o cara sem ter raiva”, afirmou.

O presidente peemedebista também afirmou ao Conexão Tocantins que não está mais definido se vai assumir a Coordenação da Bancada do Estado em Brasília. “Isto aí é nova conversa novos entendimentos, tem outros companheiros, é nova etapa, aquela etapa velha morreu, foi enterrada. Vamos esquecer aquilo, vamos discutir, eu não tenho problema de apoiar qualquer companheiro do Tocantins”, ressaltou Reis, afirmando que tem que se pensar em um coordenador que seja mais próximo do governo federal e do governo do estado.

Segundo o Conexão Tocantins apurou junto a fontes próximas ao Palácio Araguaia, o governador Marcelo Miranda gostaria de ter a deputada federal Nilmar Ruiz (DEM) como Coordenadora da Bancada. Outro nome que corre por fora nas intenções do governador é o do deputado estadual Moisés Avelino (PMDB). Ambos, entretanto, não parecem se encaixar no perfil que seja “mais próximo do governo federal”. Nilmar por fazer parte de um partido que faz oposição implacável ao governo Lula e Avelino por já ter, em várias oportunidades, votado contra medidas de interesse do governo federal.

Nesta entrevista, Osvaldo Reis ainda fala de seu posicionamento durante as eleições municipais no estado e na capital e diz que se fosse ele para decidir, teria optado pela coligação do PMDB com o PT “pela história do PMDB com o PT”, disse. Reis ainda teceu comentários sobre nomes que tem sido ventilados para o governo em 2010 como a senadora Kátia Abreu (DEM), vice-governador Paulo Sidnei (PPS), Raul Filho (PT) e Moisés Avelino, dizendo que são bons nomes mas que ainda é cedo para se falar no assunto.

 

Confira a entrevista na íntegra

 

Conexão Tocantins (CT) - Tivemos uma informação que o senhor já se acertou com o Brito e que não haverá movimentação para eleição do diretório regional do PMDB antes do fim do ano. Isto é verdade?

Osvaldo Reis - O governador Marcelo Miranda reconhece que é uma decisão do PMDB nacional, a (Executiva) estadual não pode tomar uma decisão extemporânea quando tem uma decisão nacional que está registrada no TRE. Outra coisa a esclarecer e o Brito sabe, ele é um advogado experiente, militante político de muitos anos. O estatuto do partido, para nós elegermos um novo presidente tem que primeiramente eleger os diretórios municipais. Este diretório que está aí não pode eleger um novo presidente a não ser que fosse um caso de exceção, de intervenção ou coisas assim. A regra é esta, se elege os diretórios municipais em todo Brasil, depois elege o diretório estadual e depois o presidente nacional do partido.

CT - Esta conversação que temos informação que houve entre o senhor e o doutor Brito aconteceu esta semana?

Osvaldo Reis - Conversar com o Brito a gente conversa sempre, foi anteontem (quarta-feira, 10), tivemos muito tempo juntos. Tivemos uma conversa que os políticos conversam. Nós somos amigos a 50 anos.

CT - Então ele reconheceu?

Osvaldo Reis - Não é questão de reconheceu, ele sabe. Outra coisa, sai no jornal dizendo de fazer, para reorganizar o partido (Sic). Quando eu assumi este PMDB, ele tinha uma dívida de R$ 80 mil, de presidente que renunciou, o partido tinha apenas 8 prefeitos, 115 vereadores. Hoje nós temos governador do PMDB que foi nós que trouxemos, foi uma idéia minha. Temos 6 deputados estaduais, 2 deputados federais temos 1 senador da república. Temos 285 vereadores, 38 prefeitos no estado. Este negócio de ciscar para fora é galinha. Nós temos que agitar o PMDB discutir o partido. Nós estamos num momento de festividade, de posse de prefeito.

CT - O senhor falou de festividade, o senhor ficou perceptivelmente irritado em uma entrevista concedida ao blog do Cleber Toledo com a decisão de peemedebistas durante a reunião extraordinária (que deliberou pela prorrogação de 3 meses dos diretórios municipais e estadual), disse que tinha 5 mandatos de deputado federal e que tinham de respeitá-lo. A irritação já passou?

Osvaldo Reis - Eu acho que tudo aquilo que é provocado, que é de uma forma insultante, até os bichos irracionais se irritam ainda mais os racionais. Nós nos irritamos pela falta de respeito. Como eu sempre fui um homem cauteloso que tenho respeito principalmente a companheiros meus de partido. São pessoas que participaram, que inclusive a maior parte é suplente, outros que assinaram que não são da executiva, um negócio terrível.

CT- Quem o senhor acha que estava por trás do Marco Farias e que encabeçou este movimento para antecipar as eleições do Diretório Regional do PMDB?

Osvaldo Reis - Ele sempre esteve por trás de tudo que é contra o PMDB. Você vê Porto Nacional por exemplo. Ele foi contra o PMDB, Tivemos que fazer intervenção e hoje temos o presidente da Câmara por ele não era para ter nada. Quer dizer chega para mim e diz eu sou contra você, eu tenho raiva, porque você tem 5 mandatos (de deputado federal). Deixa disso deixa de prejudicar o partido.

CT - Quem o senhor acha que está por trás dele?

Osvaldo Reis - Eu disse no blog do Cleber Toledo que foi as forças ocultas (risos). E as forças ocultas geralmente não fazem, mandam, eles são igual pistoleiro, matam o cara sem ter raiva. Agora são ações e isto contradiz ao estatuto do PMDB. O PMDB é um estuário é um dos vanguardistas das forças de defesa da democracia. Mais tem pessoas que não elegem o prefeito da sua cidade, fica em quarto lugar, mais não se conforma com a derrota e chama suplentes deixa de chamar titulares. Puxa vida isto começou desde o negócio da coordenação em Brasília que disseram que eu era coordenador, estava sendo coordenador com outro governador (Sic). Qualquer coordenador ele pode até ser adversário do governador mais ele tem de ter diálogo com o governador porque os recursos mais importantes é para o Estado. Ainda mais eu que sou companheiro do governador. O importante do coordenador é ir nos ministérios, saber empenhar os recursos, tem que estar sempre acordado e não pode cochilar.

CT- Esta questão da coordenação de bancada está tudo acertado com o senador Leomar e em março o senhor assume?

Osvaldo Reis - Não. isto aí é nova conversa novos entendimentos, tem outros companheiros, é nova etapa, aquela etapa velha morreu, foi enterrada. Vamos esquecer aquilo, vamos discutir, eu não tenho problema de apoiar qualquer companheiro do Tocantins. O que eu não vou fazer é apoiar um coordenador de outro estado porque isto é impossível até porque regimentalmente não pode. Qualquer um que queira ser coordenador e que tenha condições de fazer este ritual aí, que é um pagador de promessas, quem é coordenador tem que trabalhar bastante. Eu já fui coordenador 2 vezes.

CT- então o senhor não está mais pensando na coordenação de bancada?

Osvaldo Reis - Intenção nós temos que discutir. Discutir é uma palavra conjunta é uma palavra plural. Não vou falar na primeira pessoa do singular, porque isto é coisa que tem que ser discutida os onze. Qualquer um tem condição de ser coordenador. Tem que pensar é em quem é mais próximo do governo federal, do governo do estado, para o bem do Estado porque os recursos vem é para o estado é para o povo, para a infra-estrutura, não é para o coordenador.

CT - O deputado Avelino é um dos postulantes ao cargo da coordenação da bancada. Durante a reunião extraordinária do PMDB o deputado Moises Avelino disse ter uma certeza que caso houvesse eleição para presidência do diretório do PMDB ele não disputaria com o Derval de Paiva. O deputado Avelino é o maior adversário do senhor hoje dentro do PMDB?

Osvaldo Reis - Não, não. Não tem nada de adversário não, nós somos companheiros de partido, alguém que leva as coisas para um terreno diferente não é o que eu penso. Eu sou presidente do partido cabe a mim unir o partido. O deputado Avelino tem todos os predicados, ele conhece, nasceu neste partido. Evidentemente numa disputa, democracia é isto, disputa tem, tem companheiro que vai aparecer para disputa. Para ter consenso é preciso conversar com todos.

CT - como o senhor analisa a informação de que o ex-vice-prefeito de Palmas, Derval de Paiva almeja a presidência do diretório regional do partido?

Osvaldo Reis - Com todo direito meu Deus, principalmente o Derval, inclusive já foi candidato apoiado por mim, foi eleito numa disputa com a companheira Josi Nunes (deputada estadual). Agora, qualquer um pode ser, agora tem que ser no tempo certo. Este negócio de convocar executiva entre aspas!

CT- Quer dizer que se ele for candidato no final do ano pode contar com o apoio do senhor?

Osvaldo Reis - Olha eu acho que se pudermos ter um candidato único para nós fazermos a festa é melhor. Eu não sou candidato, eu não sou candidato a governador, a senador, nem a vice, eu sou candidato é a minha reeleição, a deputado federal. Se for o Derval eu apoio, se for o Avelino, se for um outro tem meu apoio, o presidente não pode ser ostensivamente um cabo eleitoral, mas ele tem os seus seguidores, evidentemente que o Derval é um grande amigo é um companheiro de muitos anos, como é o Avelino. O Brito Miranda nem se compara porque é o meu primeiro companheiro, eu sou amigo do Brito ele não era nem casado.

CT- Alguns peemedebistas que participaram da reunião extraordinária disseram que o partido anda muito parado sem movimentação. Como o senhor avalia esta afirmação deles?

Osvaldo Reis - Não vou dizer que é mentira porque eu não quero desmentir. Não é verdade, até porque nós tivemos a movimentação recente nas eleições de outubro. No ano passado fizemos 15 reuniões regionais, nós promovemos o PMDB jovem e o PMDB Mulher. Agora é preciso ter uma pausa, vem final de ano, posse, presidente de Câmara. Nunca o partido se movimentou tanto, quanto em nossa gestão. Eles tem que procurar falar coisas que eles sabem, umas coisas mais descentes. Às vezes aqueles que não estão informados passam a acreditar. O partido cresceu no estado de prefeito, vereador, deputado, governador, senador e fez agora o maior número de prefeito no estado entre todos os partidos. Como é que este partido está parado?

CT - Foi publicado pela imprensa que a convocação da reunião extraordinária foi movimentação do Palácio Araguaia para ter o PMDB na mão. Como o senhor avalia esta afirmação? E mais, isto seria uma sinalização de que o governo já está preocupado em colocar o partido a serviço da senadora Kátia Abreu visando 2010?

Osvaldo Reis - O partido ninguém coloca em mão, coloca é próprio partido, para isto tem o Diretório do partido e a Executiva. O governador é o presidente de honra do nosso partido. Ele tem todo a liberdade, ele é o líder maior do nosso partido. Ele não tem que ter acanhamento de convocar; deputado nós queremos fazer um trabalho para o partido coligar com o partido tal. Eu acho que o PMDB é um partido de centro, de centro esquerda, ele pode coligar com todos os partidos e apoiar qualquer um candidato. Lógico que é o maior partido do estado e eu da minha preferência gostaria de ter uma candidatura própria. Mas isto tudo é uma coisa que tem que ser discutida, se vai apoiar “A” que já é candidata de outro partido coligado, se vai ter candidato do PMDB. Eu só sei de uma coisa que é candidato do partido o governador que é candidato a senador. Isto eu tenho certeza que ele vai ser e é um candidato fortíssimo do partido e é um orgulho para o PMDB tê-lo como senador no senado federal. Agora esta questão de coligação não cabe a opinião pessoal do deputado Osvaldo Reis. O presidente vota para desempatar, ele não tem poderes de decidir (sozinho), ele tem poderes como os outros companheiros do diretório da executiva de dar suas sugestões. Agora amanhã se vier a coligar com “A” ou “B” isto vai depender é do partido não é do deputado Osvaldo Reis. Agora estas conversas isto é de pessoa desocupada. Podiam ter ocupação fazer como a gente trabalha, lutando, dizer que o deputado saiu desprestigiado da eleição, andei em 113 municípios só do PMDB.

CT- Quem falou isto?

Osvaldo Reis - Saiu alguma notinha no jornal que eu saí desprestigiado. Eu não, acho até que companheiros que não fez nenhum prefeito é prestigiado pelo partido. Eu acho que nós temos que procurar é unir o partido é crescer o partido. Esta questão de diferença de opiniões é para isto que o PMDB existe, é um partido que discute em suas bases, discute no Diretório na sua Executiva, não é um isolado tomar decisão e ficar chapiscando ódio porque ele não tem prestígio de se eleger um vereador na sua cidade, não tem prestígio de nada. Estas pessoas deveriam refletir, são ações de pessoas individualistas que não devem estar em partido. Nós não, nós nascemos na revolução, nós defendemos uma causa que é a causa do fortalecimento da democracia.

CT - Dentro da atual conjuntura a harmonia reina no PMDB?

Osvaldo Reis - Nós temos hoje se você levantar o tanto de filiados, prefeitos, vereadores e levanta um cara (Marcos Farias) pregando o inferno que discorda do partido. Não é desarmonia, ninguém liga para isto. Ele pinta faz estas coisas isto só agride denigre o partido. Se você me perguntar, Osvaldo você tem alguma coisa contra alguém do PMDB. Não. Primeiro porque ele nunca veio me dar um tapa na cara, nunca veio me xingar pessoalmente. Porque coisa pessoal é pessoal, o partido é outra coisa. Aí as pessoas ficam implantando ódio enquanto nós queremos criar é a ordem é a paz dentro do partido, é a democracia participativa que todos que estejam no partido sejam saudados. Todos que estão dentro do partido tem que ser respeitados. Um cara querer agredir logo uma pessoa como eu, que tem uma vida de trabalho. Eu tenho 5 mandatos de deputado federal, eu desafio alguém que diga assim, o deputado como empresário já deu um cheque sem fundo em qualquer lugar deste país que ele já fez um negócio desonesto, que na sua campanha ele ficou devendo alguém, alguma coisa.

CT - Como está a relação do senhor com o prefeito de Palmas Raul Filho?

Osvaldo Reis - O Raul é meu amigo de muitos anos, desde quando ele foi prefeito, quando tinha 22 anos. Depois ele foi deputado, nós estivemos em posições diferentes politicamente, sempre respeitosa. Quando ele se aproximou da gente, veio para a minha fazenda, ficou dez dias aqui na nossa fazenda, quer dizer, é um amigo, lógico que eu não fui para o palanque dele porque o PMDB decidiu oficialmente apoiar a Nilmar (Ruiz), eu como presidente, se fosse eu pessoalmente para decidir, veja bem, eu teria decidido pela coligação com o PT, pela história do PMDB com o PT. Mas o PMDB optou pela Nilmar, eu como presidente tentei apagar as labaredas que estavam muito altas e fizemos, aprovamos uma resolução (liberando os filiados para apoiar quem quisesse). Fizeram aquilo com o governador (pedido de expulsão do governador do PMDB por infidelidade partidária), arquivamos aquilo e deixamos livre o partido nas eleições.

CT - E como senhor vê este burburinho de rua e até na imprensa de que o Raul Filho é um possível nome como candidato em 2010 ao governo?

Osvaldo Reis - Olha a pessoa que é prefeito da capital a segunda vez, aí tem a Kátia (Abreu) que é senadora da república, aí tem Paulo Sidnei que é vice-governador, Moisés (Avelino) que é ex-governador, tem tantos nomes, é muito cedo e são nomes bons. Estou falando de pessoas que são próximas a nós. Agora a questão de candidatura ao senado uma vaga é do governador. A candidatura do PMDB com certeza é deixar o governador como nosso candidato ao senado embora ele não tenha ainda se declarado mas é o PMDB que quer. Eu sei que ele tem o seu mandato, gostaria até, talvez, de terminar com chave de ouro. Mas ele é o nosso candidato a senador, pelo menos uma vaga eu acho que está garantida pela questão majoritária, nós vamos ter que discutir, até porque se nós dividirmos demais poderá acontecer aí de um planejamento que seria para longo prazo diminuir.

 

Umberto Salvador Coelho