Opinião

Foto: Divulgação

O governador Marcelo Miranda (PMDB) se encontrou nesta sexta-feira, 24, com presidente Lula, em audiência realizada na sede provisória da Presidência da República, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.

Durante o dia muitos especulavam o motivo do encontro, até porque, nem mesmo a Secretaria Estadual de Comunicação (Secom) sabia, o que deixou muita gente com a pulga atrás da orelha.

O que será? O que será que foi tratado? Bom. Pelo menos na versão da Secom, neste final de tarde, o governador foi pleitear uma autorização junto à Funai – Fundação Nacional do Índio, para o asfaltamento de rodovias federais em áreas indígenas no Tocantins. Mas, sei não. Eu pelo menos continuo com a pulga atrás da orelha. Até porque na próxima segunda-feira ele se encontra novamente com o presidente. Desta vez em Manaus.

Ultimamente o governador anda correndo atrás do presidente Lula mais que menino pidão. É uma situação visível e patética. Recentemente passou 3 dias na Bahia na cola do presidente. A Secom, como sempre, com o “brilhante” trabalho do “senhor massa de pão”, sempre tem uma desculpa.

Em tempo. Para que o internauta não fique perdido, faço aqui esta digressão. O senhor massa de pão é o próprio titular da Secom, Vieira de Melo. Assim, pelo menos, ele se autodefiniu dia destes, durante sessão solene em homenagem aos jornalistas na Assembleia Legislativa, da qual participou. “Sou como massa de pão, quanto mais apanho, mais cresço”, disse, num arrufo de galhofa e cinismo em uma roda de conhecidos.

Voltando ao tema central deste artigo, muita gente acha que o governador anda suplicando interferência do presidente para livrá-lo da cassação, no caso do Rced 698. Não acredito, no entanto, fielmente nesta hipótese, dadas as bases já solidificadas da estrutura republicana.

Mas as desculpas estão para acabar. Ou com a cassação definitiva do mandato do governador que cometeu o assistencialismo mais descarado, talvez do Brasil, visando comprar a consciência do eleitor tocantinense, ou porque o presidente não terá mais saco para recebê-lo com as desculpinhas esfarrapadas e o sorriso “traíra”. Aliás, pela última vez cometo mais uma digressão. O assistencialismo fez escola no Tocantins, é nojento ver as ações.

No caso do encontro de hoje tenho uma hipótese. Acho que o governador foi pedir arrego ao presidente e se desculpar pelas c... que andou fazendo desde o ano passado, em se tratando de articulação política. Principalmente no que se refere ao afastamento gratuito que provocou com o partido que mais o flertou no Estado. O PT do próprio presidente Lula.

As lideranças do PMDB já perceberam o buraco para o qual foram levados pela incompetência e visão política rasa do governador. Para as eleições de 2010 estão literalmente largados na chapada. Dadas as articulações que estão sendo urdidas na esfera federal, o casamento DEM/PMDB no Estado, como o governador sempre defendeu, é totalmente inviável. E, sozinho não dá para o PMDB ir para a disputa.

O PT que poderia ser um forte aliado do partido no Estado, refletindo a articulação nacional, de tanto ser preterido pelo governador e ao mesmo tempo galanteado pelo senador João Ribeiro (PR), já vai fortalecendo os laços com os partidos que orbitam o projeto do senador do PR rumo ao Palácio Araguaia. Há que se reconhecer o competente e incansável trabalho que o senador vem fazendo com suas bases desde as eleições municipais.

Uma inversão na rota dos petistas hoje parece ser muito pouco provável. As fecundas alianças começaram a desenvolver a partir das eleições municipais passadas e o míope Marcelo, arrebatado pelo canto da sereia do DEM, se fez de cego. É esperar para ver.

P.S.: O local para a reunião do PMDB em Paraíso do Tocantins nesta sexta-feira, noticiada por um site da capital, parece que foi escolhido a dedo por algum peemedebista irônico. Endereço: salão Só Festas e Eventos, na Praça da Saudade, em frente ao Cemitério Municipal. Sensacional.

(Umberto Salvador Coelho)