Polí­tica

Foto: Umberto Salvador Ex-governador defende postura conciliadora Ex-governador defende postura conciliadora

O ex-governado Siqueira Campos (PSDB), em entrevista exclusiva ao Conexão Tocantins, confirmou a sua pretensão de disputar o governo do Estado no próximo ano. E foi logo dizendo que não tem acusação contra ninguém e que está disposto à reconciliação com as várias forças políticas para realizar um verdadeiro governo de coalizão. Para isso, afirma que está buscando entendimentos. Mas adverte: “eu vou buscar a caneta, que o povo entregue a caneta que me roubaram e com essa caneta eu vou alavancar o desenvolvimento do Tocantins novamente”.

Siqueira defende uma postura conciliadora, baseada no entendimento, “para fazermos um governo de coalizão, mas um governo que seja coligado com forças políticas antes da eleição. Eu não vou seguir o mau exemplo que acontece por aí afora, de se tentar comprar deputados, de se tentar comprar votos. Engana-se muito quem acha que deputado se vende. Deputado não é banana, nem macaxeira para ser vendido. Nossos deputados têm brio, têm honra, têm caráter. Se algum não tem ideal, é problema pessoal de cada um. Não podemos julgar deputado, nem ninguém. Quem julga é o povo, são as urnas. As urnas vão julgar”.

O ex-governador acha que as divergências devem acabar e partir para a reconciliação. “Mas desde que se tenham compromissos com o Estado e espírito público, essas são minhas exigências. Só me alio com quem tem espírito público, com quem tem compromisso com o nosso povo e com o Tocantins. Estou aberto”, afirmou.

Confira a entrevista na íntegra

Conexão Tocantins - O senhor esteve à frente do comando do Estado por três mandatos, sendo o primeiro, de apenas dois anos, de implantação. Como o senhor avalia o desenvolvimento do Tocantins e como o vislumbra hoje, após oito anos longe da vida pública?

Siqueira Campos – O Tocantins hoje tem que ser visto sem que a gente tenha que atribuir a esse ou aquele segmento político responsabilidades pela situação deteriorada que a gente pode analisar. As causas são muito profundas. Mesmo aqueles que não tiveram atuação direta nos governos pós-Siqueira Campos têm uma certa responsabilidade. Nós, com base na confiança, entregamos o governo às mãos que não corresponderam. Lamentavelmente, essas coisas aconteceram e fizeram o Estado tomar um determinado rumo. Isto é, descuidou-se um pouco, descurou-se aquilo que é mais importante, que era o Tocantins seguir aquela trajetória desenvolvimentista, com o desenvolvimento sustentável, comprovadamente correto em termos de melhorias de distribuição de renda, de derrubada de preconceitos, de integração do povo, de fazer o conhecimento ser levado a todas as áreas, até às pequenas vilas e povoados, para preparar as novas gerações para que elas possam competir em um mundo globalizado. Sem ataques pessoais, temos que mudar esse quadro, porque pode haver uma tragédia social grande e já há um esboço disso, com a criançada e os jovens nas ruas envolvendo-se com crack e outros tipos de droga, comandados pelo professor do crime, que é o narcotraficante, os pais desempregados. Esse quadro é extremamente perigoso. Portanto, temos que tirar o Estado dessa triste realidade, temos que voltar a um ritmo de desenvolvimento do que era preconizado por nós, que é um Tocantins desenvolvido, próspero e justo. Temos que retomar aquela trajetória.

CT - E o meio ambiente como entra nessa história, uma vez que o planeta pede socorro?

SC –  A questão ambiental é uma questão tão simples de se resolver. Você sabe que nos diversos países do mundo plantam e colhem florestas. Nós temos a mania, como predadores que nós somos, de estarmos centrados no extrativismo. Isso é um horror (!). Temos que criar novas técnicas de manejo, uma política moderna de ocupação de espaços, de bom aproveitamento dos potenciais de riqueza – terras férteis, clima bom, um Estado ensolarado bem no centro do Brasil, com áreas planas maravilhosas, campos e cerrados com terras argilosas, água à vontade, uma das melhores precipitações pluviométricas que o Brasil tem. É um processo que exige um mínimo de responsabilidade ambiental com o desenvolvimento econômico, para conduzir as coisas sob as melhores técnicas de manejo possível. Isso é possível sem oferecer prejuízo ao desenvolvimento, sem prejudicar a produção de alimentos, o que é extremamente necessário, sem penalizar o produtor e o trabalhador rurais e as populações dos municípios, sejam dos centros urbanos, sejam da área rural.

CT - O senhor tem um projeto para a modernização da sociedade tocantinense?

SC – É projeto Tocantins desenvolvido, próspero e justo. Temos até um Atlas, em que se verifica que tudo foi analisado. Tivemos informações das mais detalhadas sobre todo nosso potencial de riquezas e as coordenadas geográficas, que nos dão plenas condições para implantar uma política de desenvolvimento segura, observando-se a vocação econômica de cada região do Estado. Temos informações precisas sobre as condições do lençol freático, do aquífero, da natureza do solo e o seu potencial em termos de minerais e de pedras mais diversas, a declividade do solo, temperatura média anual, entre tantos outros dados importantes para traçar essa trajetória desenvolvimentista. Quer dizer, com todos esses dados e informações nas mãos e um gerenciamento é muito fácil de fazer. Temos bons técnicos para isso. Agora, tem que estar à frente desse processo quem sabe comandar, quem não esteja apenas em formar patrimônio a custa dos cofres públicos. É preciso banir essa prática, que no Brasil se ampliou bastante nos últimos tempos. Como podemos aceitar que um governador e que deputados se apossam de pacotes de dinheiro espúrio, botam na meia, botam no bolso, botam no paletó (sic). Esse é o pessoal que compõe a elite dirigente do Brasil e não poderia ser. De jeito nenhum poderia ser.

CT - Com essa avalanche de denúncias de corrupção, o senhor não acha que a classe política está cada vez mais desacreditada pela população?

SC - A gente nota uma certa indignação. Até porque nós já sabemos que o dinheiro da corrupção é o dinheiro que está fazendo falta à saúde, à educação e às políticas públicas de uma maneira geral. É preciso o governo ter aquela posição de contribuir para que o povo tenha acesso ao conhecimento, à formação e capacitação tecnológica. Todos os países do mundo estão fazendo, por que nós não? Para onde está indo o dinheiro que está aí? Eu não tenho acusação contra ninguém e nem é o caso, mas eu vou buscar a caneta, que o povo entregue a caneta que me roubaram e com essa caneta eu vou alavancar o desenvolvimento do Tocantins novamente.

CT - Caso o senhor chegue ao governo, como pretende tratar o setor educacional?

SC – A educação será um setor super-prioritário em meu governo. Não tenham dúvida disso. Um povo sem educação como vai competir em um mundo globalizado? O povo ficaria isolado, como disse antes. Uma muralha cercando uma ilha de ignorância para não participar de nada no mundo e se participar perde. O nosso povo tem que ter conhecimento, tem que ter oportunidades. Vão conduzir os segmentos sociais os mais competentes, sejam homens, sejam mulheres. Essa história de a gente dá quotas para não sei quem, eu sou contrário a isso. A gente deve ensejar a todos o conhecimento, para que cada um possa mostrar o seu valor. A mulher é mais competente? E só por ser mulher eu não vou entregar o comando para ela? Eu tive secretárias da Fazenda e elas foram muito bem na função que exerceram. Tive mulheres na educação, setor em que elas foram melhores que os homens que estavam lá. Agora, tem também homens que são melhores que determinadas mulheres, mas determinadas mulheres são bem melhores que determinados homens. Não podemos lidar mais com essa coisa preconceituosa. Temos que dar oportunidades a quem for bem dotado de inteligência, preparado, disposto ao trabalho e que tenha condições de liderança.

CT - A União do Tocantins sofreu um desfalque considerável na reengenharia política recente. O senhor pretende agregar novamente a coligação, com vistas às eleições de 2010? Como fazer isso?

SC – Olha, o que houve foi um terremoto. Desagregou tudo. Temos que ter paciência. Vamos ter que ter a mesma competência que Deus me deu na Constituinte de 1988, quando fui eleito presidente nacional de um partido importante, que foi o PDC, e me deu a liderança desse partido na Constituinte. E graça a isso e à negociação democrática, nós conseguimos viabilizar o Estado do Tocantins. Mas não somente o Tocantins. Os territórios de Roraima e do Amapá só foram elevados à condição de Estado porque tiveram a minha assinatura no mesmo projeto, com fusão de emendas que as suas lideranças me pediram para incluir, tal o prestígio do Tocantins. Então, nós temos que ter uma postura altamente conciliadora, baseada no entendimento, para fazermos um governo de coalizão, mas um governo que seja coligado com forças políticas antes da eleição. Eu não vou seguir o mau exemplo que acontece por aí afora, de se tentar comprar deputados, de se tentar comprar votos. Engana-se muito quem acha que deputado se vende. Deputado não é banana, nem macaxeira para ser vendido. Nossos deputados têm brio, têm honra, têm caráter. Se algum não tem ideal, é problema pessoal de cada um. Não podemos julgar deputado, nem ninguém. Quem julga é o povo, são as urnas. As urnas vão julgar. A política tem que ser de entendimento, de conciliação. Temos que acabar com as divergências e partir para a reconciliação, mas desde que se tenha compromissos com o Estado e espírito público, essas são minhas exigências. Só me alio com quem tem espírito público, com quem tem compromisso com o nosso povo e com o Tocantins. Estou aberto.

CT - Os entendimentos com o DEM estão praticamente selados?

SC – Estão bem avançados. A senadora Kátia (Abreu) e o deputado (federal) João Oliveira são pessoas boas e competentes para o entendimento. De minha parte não há problema nenhum. Nossos ideais são praticamente os mesmos, nossos compromissos são os mesmos e o que eu quero formar, nessa altura dos acontecimentos, até para que a gente possa fazer o resgate de nossa imensa dívida, principalmente na área social, é uma coligação muito forte para dar lugar a um governo de coalizão forte. Quem participar dessa coligação, vai participar do governo de coalizão. Não serão naturalmente tentados, de uma ou de outra forma, aquelas lideranças que não integraram a coligação vitoriosa para compor o governo sem que tenham manifestado as posições adequadas ao momento histórico do Tocantins, às necessidades do nosso povo.

Por: Gilson Cavalcante

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