Estado

Foto: Arquivo/Seciju

Os líderes das comunidades de quilombos do Tocantins planejam a criação de uma federação para representar as famílias do Estado. O intuito maior é fortalecer a unidade dos líderes para cobrar do governo estadual as políticas de assistência social.

Atualmente no Estado são 22 comunidades reconhecidas pela Fundação Palmares, instituição que emite a certidão de titularidade das comunidades, após avaliação de historiadores e outros profissionais.

No Tocantins, as políticas estaduais são geridas pela secretaria de Cidadania e Justiça onde há o departamento de Coordenação de afrodescentes reponsável pelas questões das comunidades.

Da comunidade Lajinha, no município de Porto Alegre do Tocantins,o quilombola Darleno Avelino é o representante do Estado no conselho nacional de Promoção da Igualdade Racial e em entrevista ao Negro em Debate ressaltou que o maior problema das comunidades hoje no Estado é a questão fundiária.

“A titularidades das terras dos quilombos ainda é nossa dor de cabeça. Porque lutamos para o reconhecimento definitivo das terras como das famílias que moram nos quilombo e muitas vezes não conseguimos a certidão de titularidade”, salientou.

Com a criação da Federação do Estado ficará mais fácil resolver essas questões, segundo Darleno. “Porque aí todas as comunidades vão fazer um levantamento para saber a situação fundiária de cada uma”,disse.

Muitos quilombolas se recusam a sair das terras até para fazer tratamento de saúde em Palmas ou em outro município com receio de que seja desapropriado de sua terra.

Outro problema que vem comprometendo a qualidade de vida nos quilombos é a falta de saneamento básico nas comunidades que não tem ainda água encanada nem esgoto.

Pontuando como o terceiro problema nas comunidades do Estado, segundo o representante, está a geração de renda, já que maioria das famílias dos quilombos vive da agricultura e pecuária. “É preciso encontrar as formas de agregar a geração de renda às atividades”,pontuou.

Um exemplo da geração de renda é na comunidade do Mumbuca, onde através de uma associação as artesãs da comunidade produzem peças de capim dourado e vendem para turistas e lojas em outros municípios.

Questão cultural

O representante do Estado á nível nacional frisou ainda que faltam projetos para ajudar na preservação do legado cultural das comunidades. “Vejo que o patromônio imaterial ainda precisa ser mais pesquisado e com certeza preservado”, salientou.

A Universidade Federal do Estado e ainda a Fundação Cultural desenvolvem projetos com essa intenção nos quilombos.

Juventude

Questionado se falta articulação dos representantes dos quilombos no Estado para que as questões avancem, Darleno salientou o papel da juventude nas comunidades. “Hoje os jovens das comunidades é que estão fazendo esse papel. Precisamos nos organizar mais, no entanto, a força da juventude é importante na busca do direito das comunidades”, frisou.

A presidência da Federação será feita por votação, segundo Darleno, no entanto seu nome é um dos mais cotados para assumir a entidade que deverá ser criada em janeiro.

Fonte: Site Negro em Debate