Economia

Foto: Divulgação Cadeia produtiva do couro no Tocantins é a maior prejudicada com o atual subsídio Cadeia produtiva do couro no Tocantins é a maior prejudicada com o atual subsídio

Uma lei aprovada pelos deputados estaduais do Tocantins e já sancionada pelo governo precisa ser aplicada através de portarias e regulamentação para implementar a cadeia produtiva industrial do couro no Estado.

O Grupo Mariner, responsável pela construção e implantação da Tocantins Calçados, em Colinas do Tocantins, indústria que vai gerar 800 empregos no município, vem sendo afetado pela não aplicação da Lei. Isto porque, entre outras coisas, a lei quebra o subsídio que hoje é dado pelo governo aos frigoríficos que vendem o couro para fora do Estado.

Como a venda do couro para fora do Estado é subsidiada atualmente, a indústria não encontra a matéria prima no mercado local, pois os frigoríficos preferem vender o produto para indústrias de outros estados prejudicando toda uma cadeia industrial no Tocantins. Com isto o Estado deixa de agregar valor em sua planta industrial, além de perder com faturamento na arrecadação de impostos de bens industrializados. Tudo isto acontece em benefício de meia dúzia de frigoríficos locais.

Em entrevista ao Conexão Tocantins, o diretor do Grupo Mariner, que é o maior fabricante de calçados da América Latina, José Donizeti Andrian, informou que, com a falta de couro no mercado interno do Tocantins, a indústria se vê obrigada a trazer a matéria-prima de outros estados, encarecendo e inviabilizado a produção. “Isso traz bastante prejuízo. Eu tenho um custo muito grande de transporte, de impostos que eu tenho que pagar na fonte”, disse.

Atualmente o Grupo Mariner adquire a matéria prima para um curtume de sua propriedade que funciona em Colinas, em estados como Bahia e Pará. A função do curtume, que tem capacidade para beneficiar 3 mil peças dia, é, principalmente, abastecer a indústria de calçados.

A indústria, de acordo com Andrian, corre o risco de não funcionar justamente pela falta da matéria prima. “Você imagina eu ter que procurar a matéria-prima em outros Estados. O tempo e o gasto que eu vou ter na fábrica”, lamentou.

O diretor ainda ressaltou que a indústria de calçados do Tocantins está quase pronta para funcionar. Na última semana o governador Siqueira Campos esteve em visita à parte experimental da fábrica e viu como irá funcionar. “Já temos uma parte experimental. Agora começa a funcionar a parte nova da indústria”, salienta.

Conversas com o governo

Desde o começo do ano os representantes do grupo Mariner tem mantido constante conversa com o governo do Tocantins, na tentativa de se chegar a um consenso e por um fim no impasse do couro. “Nós já falamos com ele (governador Siqueira Campos) em fevereiro e algumas medidas começaram a ser tomadas. Mas ele ficou de nos dar um retorno ainda essa semana”, comentou Andrian.

As conversas não foram apenas com o atual governo, que tomou posse em janeiro deste ano. Segundo o diretor do grupo industrial, um dos motivos para a instalação da fábrica no Tocantins foram garantias dadas por governos anteriores.

Tocantins estratégico

Além das garantias econômicas dadas em governos anteriores, o diretor destacou as vantagens que viu ao optar por instalar a indústria de calçados no Tocantins. De acordo com ele, o grupo tinha duas opções para implantar a fábrica: Algum Estado do Nordeste e o Tocantins. “Escolhemos o Tocantins por acreditarmos no projeto. Por ser um novo Eldorado”, disse.

Além disso, o diretor da indústria frisou outras qualidades que os fizeram optar pelo Estado mais novo da federação. “É uma junção de vários fatores. Nós já tínhamos um curtume aqui há quatro anos. É um local de qualidade. Matéria prima já tínhamos”, completou.

Secretário da Indústria e Comércio

Desde a tarde de ontem o Conexão Tocantins tenta sem sucesso falar com o secretário da Indútria e Comércio, Ernane Soares Siqueira, para ver que medidas o atual governo tem tomado visando colocar em prática as portarias e regulamentações que corrijam este contrassenso que prejudica o desenvolvimento industrial no Estado.