Economia

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A demanda por soja em grãos no Brasil deverá crescer tanto para exportação como para beneficiamento, atingindo 86,5 milhões de toneladas na safra 2020/2021, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no estudo Projeções do Agronegócio, realizado no ano passado. A perspectiva é que os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia - área de influência do Porto do Itaqui – superem os 13% atuais da produção nacional. O cenário é altamente favorável para o Maranhão, que acaba de avançar no sentido de garantir infraestrutura de armazenagem com a assinatura do contrato entre a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), gestora do porto público, e as empresas que venceram a licitação para operar o Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM).

Depois da Bahia, o Maranhão é o estado nordestino que tem apresentado as melhores taxas de crescimento para a produção da soja e no que se refere à logística de escoamento dessa produção o estado tem uma das melhores condições competitivas em função do sistema ferroviário e do Porto do Itaqui.

Além da proximidade dos principais mercados mundiais consumidores, da diminuição dos custos com transporte e de desafogar as exportações de grãos pelos estados do Sul e do Sudeste, especialmente Santos e Paranaguá, o Terminal de Grãos do Maranhão tem outras vantagens. O presidente da EMAP, Luiz Carlos Fossati, explica que a modelagem do TEGRAM, ao não permitir o monopólio na operacionalização dos quatro armazéns que compõem a primeira fase do empreendimento, dará ao produtor maior poder de negociação.

“Com o TEGRAM, temos como escoar uma produção que está represada. Com a criação desse canal de escoamento, a produção e a área plantada irão aumentar. Daí o produtor terá ganhos maiores e poderá reinvestir parte disso, gerando ainda mais desenvolvimento socioeconômico na região”, frisou Fossati. O TEGRAM foi pensado de forma estruturante e por isso poderá ser ampliado à medida que aumentar a demanda por grãos no país e as demais condicionantes para atingir a previsão para os próximos três anos forem confirmadas, como a consolidação de zonas produtivas no Sul do Maranhão e do parque de processamento de soja em Porto Franco, além da obtenção de ganhos de eficiência no cultivo da soja no estado.

Na conta do que deverá ser exportado pelo Porto do Itaqui entram ainda a produção dos estados do mato Grosso e de parte da Bahia. Será justamente nas Regiões Centro-Oeste e Nordeste onde haverá a maior expansão da área plantada. Na projeção da demanda mundial por soja, o Brasil terá o maior aumento. Até a safra de 2020/21, a área plantada deverá ultrapassar os 30 milhões de hectares, a produtividade média ultrapassar os três mil quilos por hectare e a produção de soja tanto para consumo interno quanto para exportação aumentar.

No mapa brasileiro dos grãos produzidos, exportados e beneficiados - se comparadas as porções norte e sul do país na altura do paralelo 16º - fica evidente o desequilíbrio. O excedente do que é produzido nas regiões menos industrializadas, segue para os mercados internacionais via portos do Sul e Sudeste do Brasil, gerando altos custos e gargalos na logística de transporte do agronegócio nacional. “O TEGRAM inverte essa lógica no escoamento da produção e cria, dentro do estado, as bases para atração de indústrias visando a verticalização da cadeia do agronegócio, como a produção de carne bovina e suína”, destacou Fossati.

O secretário chefe da Casa Civil do Governo do Maranhão, Luis Fernando Silva, que representou a governadora Roseana Sarney no ato de assinatura do contrato do TEGRAM (02/02), disse que o Terminal de Grãos não é apenas desejado, mas necessário. “O TEGRAM não apenas mudará o curso da história do agronegócio no estado, mas consolidará o Itaqui como o eixo de exportação do país”, destacou.

A partir de agora, as empresas arrendatárias terão 30 dias para formação de um consórcio. Em seguida, deverão elaborar o projeto executivo e submeter à aprovação da EMAP. Serão investidos pela iniciativa privada R$ 322 milhões na criação da infraestrutura para operacionalização do TEGRAM. As empresas que irão explorar comercialmente o terminal são: NovaAgri Infra-Estrutura de Armazenagem e Escoamento Agrícola S.A , Glencore Serviços e Comércio de Produtos Agrícolas Ltda, CGG Trading S/A e o Consórcio Crescimento. (Ascom CCOM)