Opinião

Foto: Divulgação Milne Freitas Souza é assessor parlamentar e filiado ao PT Milne Freitas Souza é assessor parlamentar e filiado ao PT

Tenho muitas dificuldades de ficar calado ao ouvir besteiras, imbecilidades. Hoje numa fila para apostar na velha e ordinária sorte, me pus a pensar nas noticiais sobre prestação de contas de campanhas eleitorais publicadas nos vários veículos de comunicação existentes no Estado. Ali, com meus botões, no meio de centenas de aventureiros, que assim, como eu, sonhávamos com a possibilidade de acertar na mosca, digo, nos números que completaria a tabela, uma mega sena seria o ideal, caso não desse poderia ser uma sena comum, digo, dupla sena, uma quina, uma lotomania, até uma lotofácil, dividida entre dez acertadores, já fazia a diferença para mim. Lembrava-me dos R$ 4.083.385,20 gastos por Marcelo Lelis, dos R$ 3.556.628,92 gastos por Carlos Amastha. Fazia comparações entre os R$ 78,55 por voto de Marcelo, R$ 74,92 de Luana, R$ 59,59 de Amastha, isso para ficar entre os três primeiros colocados. Se Marcelo e Luana pagavam R$ 78,55 e R$ 74,92 cada voto, porque venderam o voto para Amastha um pouco mais barato?

O pensamento voava de um lado para outro do miolo. Ah se eu tivesse essa grana toda! ia disputar eleição, era merda! ia nada sô! Pegava esse dinheiro, voltava pra minha Barra do Corda, ou ia morar lá no Bico do Papagaio, as margens do ainda formoso Rio Tocantins, antes que virasse tudo lago de barragem. Quando aterrei dos pés, era um antigo pioneiro (piotário), daqueles que conheci aqui no começo da capital, tomei até um susto! companheiro já com os cabelos grisalhos, assim como os meus! E ai, Freitas, quanto tempo! - Pois é amigo, estamos ai! - Tu pensasses, que eleição atípica essa de Palmas? - Atípica? Não entendo o que é atípico. Me deu um “farnizin”, uma agonia, uma vontade de xingar aquele companheiro! por acaso durante a tarde tinha visto uma propaganda que pedia para se contar até dez antes de agir/reagir com violência. Por um minuto fiquei tentando recuperar a calma, até que disse ao companheiro: - pense bem, o sentido da palavra atípico quer dizer quando acontece algo que não é corriqueiro, normal, que foge do costume. O que houve de diferente? Veja; quanto custou cada voto dado ao vitorioso! Atípico seria o Abelardo do PSOL ganhar as eleições pagando apenas R$ 1,84 por voto! Amastha pagou R$ 59,59 por cada voto, totalizando R$ 3.556.628,92 se pelo menos fosse receber salário, recuperaria R$ 912.000,00 referentes aos 48 meses de mandato, ficaria com o prejuízo de apenas R$ 2.644.628,92 nada mau, para quem tem patrimônio declarado de R$ 18.000.000,00.

Aqui pra nós, há alguém que ainda acredita em papai Noel? Em Mula sem Cabeça? Em Saci Perê? Fiz meu joguinho e fui para casa pensando; às oito da noite eu confiro, acerto na mosca, - digo na loto! - , ai vou escrever o que estava pensando em falar para aquele imbecil. Com dinheiro no bolso aguento qualquer parada, como não fiz nenhum ponto e continuo pobre e sem mandato, escrevo assim mesmo, para dizer: atípica?! é a PQP!

*Milne Freitas Souza - É Assessor Parlamentar e Pioneiro de Palmas/1990

Por: Milne Freitas Souza

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