Opinião

Foto: Divulgação Flávio Luís Rodrigues Sousa é doutor em Filosofia e Teologia, Flávio Luís Rodrigues Sousa é doutor em Filosofia e Teologia,

O verbo não é usual, especialmente porque estamos em plena sociedade da informação, do conhecimento. Em todos os estágios e setores da vida, do início da Educação Básica até o Doutorado, da vida particular até a profissional, o que mais ouvimos falar é que precisamos aprender, mais, sempre mais.

Um prato novo na cozinha, um jogo novo no videogame, um jeito novo de executar a tarefa, uma função nova no smartphone. Estamos cercados, à exaustão, de desafios à nossa capacidade de aprender. É certo que isso deve ser valorizado, pois pertence à nossa condição humana a permanente busca de superação.

No entanto, há certos movimentos contemporâneos que estão nos alertando para uma visão complementar a essa. A sobrecarga de informações, de novidades e de estímulos podem gerar um efeito inesperado. Temos uma capacidade limitada de "degustação" de tudo que é novo para a gente experimentar e, a certa altura, podemos chegar a uma saturação, quando não aversão aos desafios. É como aquele conhecido fim de dia que, ao voltar para casa, apenas nos jogamos no sofá e mal tiramos o calçado. Sequer o barulho da TV suportamos.

O preocupante é que esse fenômeno tem acontecido cada dia mais cedo. A saturação já está chegando aos jovens adolescentes da Educação Básica. O pior cenário é que, saturadas, as pessoas deixam de ser criativas e passam a agir de forma automatizada, uma espécie de Zumbis da Sociedade da Informação.

Por isso defendo que devemos desaprender. Há um muito lixo que foi se acumulando em nós, mentais, emocionais e espirituais, e deve ser descartado. Não é tarefa fácil. Curiosamente, desaprender é algo que deve ser aprendido. E precisamos ajudar nossos jovens a não exaurirem sua criatividade, aprendendo coisas demais, muitas vezes sem significado.

Desaprender é uma sabedoria. É aquela mesma sabedoria de nossos avós e bisavós. É provável que eles não conseguissem identificar o que é um bastão de selfie. No entanto sua vida seguia, sem sobressaltos. Pois eles sabiam só o que precisavam saber.

* Prof. Flávio Luís Rodrigues Sousa, doutor em Filosofia e Teologia, Diretor do Colégio Marista Palmas, membro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Tocantins. E-mail: diretor.palmas@marista.edu.br