Cultura

Foto: Divulgação  Maraia Almeida Apinajé e Cândido de Souza, os cantadores Apinajés Maraia Almeida Apinajé e Cândido de Souza, os cantadores Apinajés

Seja na roça de mandioca, no terreiro da aldeia Brejinho ou nas aldeias dos parentes, Maraia Almeida Apinajé e Cândido de Souza, seguem com o legado dos cânticos desse povo, na região de Tocantinópolis. Para os dois cantadores, como para toda a nação Apinajé, os próximos meses serão de festas importantes no calendário cultural e o Mutum fará parte desta celebração. 

Entre julho e agosto grande parte das aldeias Apinajé no extremo norte do Tocantins serão palco de rituais como Mẽôkrepôx mex e Mẽôkrepôx runhti, que estão diretamente relacionados ao luto e a memória dos parentes falecidos. 

O calendário foi divulgado recentemente pela Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ , que agendou para setembro, na aldeia Irepxi, o Amjëkĩn com a finalidade de animar a 6ª Assembleia Ordinária da entidade e a inauguração da sede da organização. Casamento, formatura e  Festa de Wyty, que simboliza um rito de passagem na vida dos jovens índios, também completam o calendário. 

Nesse clima de celebração e tradição, Maraia e Cândido trazem a força dessa expressão, juntamente com cantadores das aldeias Olho D'água e Recanto. O grupo será representado ainda pelos cantadores Alexandre Apinajé, Júlio Kamêr Apinajé, Karina Apinagé e Augusta Apinagé, que farão parte da programação do palco Terreiro dos Povos, onde acontece o 1° Econtro de Cantadores Indígenas do Tocantins (10/07). 

Logo no primeiro dia do Mutum, o grupo Apinajé se juntará com grupos de cantadores Krahô, Xerente, Javaé e Karajá, para compartilhar e revelar suas relações com a terra e o desconhecido por meio do canto. Um momento de alargamento das fronteiras culturais. Junto com a chegada do dia acontece a primeira celebração, o Cântigo do Amanhecer, um anúncio de uma experiência ainda mais profunda que seguirá ao longo do dia. 

No Terreiro dos Povos, espaço montado para o Mutum na Casa do Artesão de Taquaruçu, todos estes povos indígenas estão compartilhando suas experiências com a produção de sementes e alimentos, a confecção de artesanato e outros costumes, como rituais, cortes de cabelo e pintura corporal. Uma roda de prosa com o tema "Sabedoria Indígena", fechará a tarde, com a mediação da historiadora Lidia Soraya e Wooccô Kraô, contará com a participação de anciãos, pajés e cantadores de diversas etnia. 

Já o Encontro de Cantadores Indígena abre a primeira noite do Mutum 2015. Nações indígenas tocantinenses descem do palco Terreiro dos Povos para o palco principal da mostra, o Sumidouro. Um momento inédito, dedicado à celebração da riqueza musical de séculos de histórias. 

Sobre a programação 

Destaque para três encontros inéditos promovidos pelo Mutum 2015: 1° Encontro de Cantadores Indígenas, Encontro de Tamboreiros do Tocantins e o Encontro de Violeiros e Rabequeiros de Buriti.

Os destaques nacionais do evento ficam por conta de dois cancioneiros populares: Juraildes da Cruz e Xangai, que remontam no palco Redondo, um show que tem se destacado em diversos estados do Brasil. Da primeira linha do instrumental no país vem o duo Felix Júnior e Gabriel Grossi, dois dos maiores destaques da nova música instrumental brasileira. Fechando esse panorama nacional teremos ainda Paulio Celé Grupo, Leandro Medina e Deuler Andrade.

A música instrumental tocantinense estará representada por grupos como Instrumentaris, Três Matutos e um Arigó, Grupo Palmas, Orquestra de Música Popular Buriti Band, entre outros. Já  nossa cultura popular e tradicional terá um panorama montado a partir das apresentações dos Foliões de Barra da Aroeira e Monte do Carmo, Grupo Mãe Ana e Catireiros de Natividade, Violeiros de Buriti da comunidade do Mumbuca, além dos Tambores do Tocantins.