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A presidente Dilma Rousseff (PT) vem nesta sexta-feira, 23, à Palmas para abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas e deve aproveitar para se reunir com os quatro governadores dos estados que integram a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piaui e Bahia), com o presidente da Assembléia Legislativa do Tocantins, Osires Damaso; prefeito de Palmas, Carlos Amastha, os 60 maiores empresários do Estado e representantes das entidades empresariais, para discutirem a implementação de políticas de investimentos na região. O encontro, articulado pela ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, será realizado às 15 horas no Céu Palace Hotel, em Palmas. Já estão confirmadas as presenças dos governadores Flávio Dino (MA), Wellington Dias (PI), Rui Costa (BA) e Marcelo Miranda (TO).

O Matopiba foi criado por decreto da presidente Dilma Rousseff, assinado no dia 6 de maio de 2015, em solenidade no Palácio do Planalto.

A ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, anunciou na semana passada que, junto com a presidente Dilma Roussef, deverá apresentar no Japão, a investidores japoneses e a dirigentes da Jica, as prioridades dos governadores do Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí na implantação da região do Matopiba, criada pelo governo federal. Segundo a Ministra, os governadores já levantaram suas necessidades mais imediatas para investimentos na região. “Estamos indo ao Japão com a presidente Dilma para apresentar os projetos à Jica que quer financiar o desenvolvimento do Matopiba”, disse a Ministra.

A ministra vem a Palmas nessa sexta, 23, com a presidente Dilma Rousseff que deve anunciar ainda nessa sexta-feira, na abertura dos Jogos Mundiais Indígenas, a liberação de recursos da ordem de R$ 10 milhões à Prefeitura de Palmas para garantir como legado dos jogos à Capital a implantação de um complexo esportivo com uma piscina olímpica na cidade.

A ministra  Kátia Abreu foi uma das defensoras da realização dos Jogos Mundiais Indígenas em Palmas, conseguindo viabilizar junto ao Ministério do Planejamento R$ 10 milhões para a sua execução, recursos repassados por intermédio do Ministério dos Esportes.

Matopiba

O Matopiba é considerado a última fronteira agrícola do mundo e atualmente representa 10% da produção de grãos no Brasil. É estratégico para a ascensão social dos pequenos produtores locais e para o incremento da produção e da exportação agropecuária do país.

O Matopiba abrange 337 municípios e 31 microrregiões num total de 73 milhões de hectares, com 5,9 milhões de habitantes. O principal critério de delimitação territorial foi embasado nas áreas de cerrados existentes nos quatro estados. O segundo critério foram os dados socioeconômicos.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que, diferentemente das cidades, que contam com 50% da população na classe média, o campo tem apenas 16% de produtores nesta faixa de renda.

O Maranhão ocupa 32,77% de todo o território do Matopiba, com 23,9 milhões de hectares em 135 municípios. O Tocantins tem 37,95% da área, 27,7 milhões de hectares e 139 municípios. Já o Piauí representa 11,21%, tem 8,2 milhões de hectares e 33 municípios e a Bahia ocupa 18,06% da área, com 13,2 milhões de hectares e 30 municípios. A proposta de delimitação foi feita pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE), da Embrapa.

Agricultura

O território do Matopiba apresenta a expansão de uma fronteira agrícola baseada em tecnologias modernas de alta produtividade. Hoje, o principal grão destinado à exportação é a soja, mas outras culturas começam despontar na região como o algodão e o milho.

O clima favorável, o perfil dos produtores e a legalidade de novas áreas a serem abertas trazem boas perspectivas para a região. Assim, a totalidade dos quatro estados deverá apresentar aumento de 7,9% na produção de grãos na safra 2015/2016.

No caso da soja, por exemplo, os quatro estados aumentaram significativamente sua produção na safra de 2014/2015 em relação à 2013/2014. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Bahia teve crescimento de 20,3% (produção total de 3,979 milhões de toneladas), o Piauí, 18,6% (1,766 milhões de toneladas), o Maranhão, 16,4% (2,123 milhões de toneladas) e o Tocantins, 13,5% (2,335 milhões de toneladas).

Entre 1973 e 2011, a produção de soja passou de 670 mil toneladas para mais de 7 milhões. E a de grãos saltou de 2,5 milhões de toneladas para mais de 12,5 milhões no mesmo período.

O total produzido de soja deverá saltar de 18.623 milhões de toneladas da safra 2013/2014 para 22.607 milhões de toneladas em 2023/2024, aumento de 21%.

População e economia

A população total do Matopiba é de 5,9 milhões, sendo que Imperatriz (MA) tem o maior contingente populacional, 566 mil pessoas.

Do total de 250.238 estabelecimentos rurais, 85% têm mais que 100 hectares e exploram principalmente lavouras temporárias e permanentes, hortícolas, bovinos, leite, porcos, aves e ovos.

Os dados coletados pela Embrapa mostram concentração de renda e pobreza na região. Do total de estabelecimentos, 80% são muito pobres (renda mensal de 0 a 2 salários mínimos) e geraram apenas 5,22% de toda a renda bruta do Matopiba. 14% são pobres e geraram 8,35 % da riqueza na região. 5,79% são classe média e responsáveis por 26,74% da renda.

Somente 0,42% das propriedades são ricas (renda mensal de 200 salários mínimos) e geraram 59% da renda bruta da região.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Matopiba soma R$ 46,9 bilhões, sendo que o Maranhão responde por 41% desse total, seguido por Tocantins (36,7%), Bahia (18,47%) e Piauí (3,74%). O PIB per capita da região é de R$ 7,95 mil, abaixo da média do Nordeste (R$ 9,56 mil), do Norte (R$ 12,7 mil) e do país (R$ 19,77 mil).

Por: Redação

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