Esporte

No túnel que liga o vestiário ao campo do Estádio Nilton Santos, os jogadores entoam cânticos e danças tradicionais do povo Kamayurá e tentam intimar os adversários com o uniforme que encanta os amantes do futebol mundial: o do Barcelona.

Se o Barcelona é potência mundial, a equipe de Kamayurá é quem comanda no Parque Nacional do Xingu. O local conta com 16 povos com línguas diferentes. Antes de disputar os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, o Barcelona conquistou o título do campeonato municipal indígena no Xingu. “Fizemos o uniforme do Barcelona porque ele é um grande clube da Europa. Sempre estamos acompanhando a Liga dos Campeões e o campeonato espanhol, e gostamos muito do time”, diz Takumã, 27 anos, indígena do povo Kamayurá, do Alto-Xingu. 

O fascínio pela equipe catalã inspira os indígenas de várias partes do Brasil. A primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas mostra bem isso. O esporte é a língua universal que é jogada por todos os integrantes de 25 países que participam do evento. 

Os indígenas deixam claro que o futebol não faz parte da cultura deles, mas isso não impede que povos de vários países o tenham adotado como esporte preferido e mais praticado nas aldeias. “O futebol é outra cultura. Mas nós aprendemos e gostamos muito de jogar bola. Temos hoje 23 atletas aqui nos Jogos Mundiais. Treinamos todas as tardes na aldeia, onde temos dois times”, conta.

Segundo Takumã, eles estão sempre ganhando as competições locais. “Só na minha aldeia temos 29 troféus. Todo final de ano é disputado um campeonato que reúne as aldeias do Xingu”, ressalta o indígena que fala a famosa língua Tupi-Guarani.

Luciel Kamayurá, 28 anos, conta que a forma de jogar do Barcelona que chamou atenção dos indígenas. “Gostamos do toque de bola deles. Tentamos imitar o estilo de jogo e somos fãs do Messi, Neymar e o Soares. Agora, estamos querendo fazer o nosso segundo uniforme do Barcelona, com a cor verde”, revela.