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Foto: Divulgação/F4 Italian Media Membros da Antonelli Motorsport comemoram a bandeirada da vitória para João Vieira em Misano 2015 Membros da Antonelli Motorsport comemoram a bandeirada da vitória para João Vieira em Misano 2015

O piloto João Vieira será novamente o representante do Estado do Tocantins no automobilismo europeu. O esportista de 18 anos renovou seu acordo na sexta-feira, 5, com a Antonelli Motorsport, equipe que defendeu em 2014 e 2015, para continuar no Italian Formula 4 Championship Powered by Abarth. A manutenção desta parceria tem como objetivo fazer uso da experiência adquirida nas duas temporadas anteriores e lutar pelo título de 2016.

O acordo colocou fim a um período de muita agitação para João Vieira e seu grupo de apoio, uma vez que era necessário decidir o quanto antes entre as alternativas que se apresentavam para o prosseguimento de sua carreira na Europa. Embora tenham sido muito bem avaliados os testes com o carro de Fórmula Renault da JD Motorsports, um acordo ainda não havia sido fechado em razão da falta de patrocínio.

Esforços nesse sentido estavam sendo feitos de ambos os lados. Ao mesmo tempo em que a equipe italiana esticava o prazo para receber uma resposta e oferecia pacotes mais acessíveis em termos de custo, os representantes de carreira do piloto, no Brasil e Itália, lutavam contra o tempo.

Assim, enquanto Gian Carlo Minardi e seu filho Giovanni lutavam para obter o pacote mais competitivo pelo menor budget possível, no Brasil os trabalhos para conseguir recursos seguiam acelerados a cargo do empresário João Vieira, pai do piloto, e do presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Maranhão e representante do Brasil na Comissão de Kart da FIA, Giovanni Guerra.

Proposta irrecusável

Mas se o quadro no final de janeiro era de preocupação, a solução veio na proposta da Antonelli Motorsport. Sob a direção de Marco Antonelli, a equipe passou por uma reengenharia administrativa, de modo a permitir um novo equilíbrio dos recursos técnicos e humanos entre a Fórmula 4 e os demais campeonatos nos quais a Antonelli compete.

A valorização da Fórmula 4 dentro do time permitiu que Antonelli inscrevesse quatro carros para a temporada 2016, sendo três destinados a estreantes e um para um piloto que pudesse lutar pelo título. Aproveitando-se do fato de não ter havido uma definição sobre o futuro até o final de janeiro, Marco foi até a cidade de Forli, onde reside o brasileiro na Itália, para fazer uma proposta.

Na ocasião, em encontro do qual participou o manager Giovanni Minardi, foi apresentado o novo planejamento da equipe, incluindo um vasto programa de testes, com início marcado já para a segunda metade de fevereiro. Marco Minardi também ofereceu um budget mais reduzido e um prazo de pagamento elástico. Para tanto, baseou-se o chefe de equipe em seu reconhecimento do talento de João Vieira e na confiança adquirida nos seus representantes. Nos dois anos de trabalho conjunto, nunca houve quebra da palavra empenhada e falha dos pagamentos assumidos por Antonio Vieira e Giovanni Guerra.

Busca de patrocínio continua

Se num primeiro momento João Vieira almejou avançar para o Europeu de Fórmula Renault, o piloto considerou irrecusável a proposta de Marco Antonelli. “Eu não tinha como recusar o que o Marco ofereceu porque, pela primeira vez, vou entrar no campeonato com uma pré-temporada realizada e dentro de um projeto de título”, afirmou João, recordando que nas duas temporadas anteriores não pôde treinar por falta de recursos, sempre tendo de realizar todo o trabalho de aprendizado em plena corrida. “É claro que não vou receber para correr, mas terei de levar muito menos dinheiro do que o ano passado e vou correr em melhores condições”, completou.

O acordo com a Antonelli não encerra a busca de, mas o quadro agora é outro. “A gente não pode ter ilusões, ninguém corre sem patrocínio ou sem colocar dinheiro do bolso. Como nós não temos, o negócio é continuar batalhando”, disse o pai Antonio Vieira. “Mas agora o importante é que o João terá melhores condições para mostrar o seu talento. Uma coisa é você ter de buscar mais de R$ 2 milhões, como era o caso da Fórmula Renault. Outra é correr atrás de R$ 1 milhão e sabendo que o João vai correr com chance de ser campeão”, anima-se o empresário, que nem durante o Carnaval deixou de manter negociações com potenciais patrocinadores.