Economia

Foto: Valter Campanato Ministra Kátia Abreu negociou com o governo americano o fim da restrição Ministra Kátia Abreu negociou com o governo americano o fim da restrição

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos devem concluir, ainda neste primeiro semestre, a abertura recíproca de mercados à carne bovina resfriada e congelada. A perspectiva é do Ministério da Agricultura. Os Estados Unidos publicaram a norma autorizando a importação de carne bovina in natura de 13 estados brasileiros (Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins) e do Distrito Federal, em junho do ano passado, quando a ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) negociou com o governo americano o fim de uma restrição de 15 anos.

O Tocantins exporta (mesmo com o embargo dos EUA) o equivalente a US$ 80 milhões de carne bovina e derivados. Ainda assim, os Estados Unidos são os maiores importadores de produtos tocantinenses (52% de todas as exportações conforme dados da Cacex). A luta pela abertura do mercado da carne nos EUA é uma luta de mais de 15 anos da ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, com reflexos diretos na economia do Estado.

Segundo a secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tatiana Palermo, ainda restam negociações sobre saúde pública para a habilitação do Brasil à exportação de carne bovina in natura aos EUA. A secretária destaca que o “boi verde”, como é conhecido o gado brasileiro, produz uma carne saudável, com baixo teor de gordura, indo ao encontro de tendências de consumo nos mercados mais seletivos do mundo, como o norte-americano.

As tratativas entre os dois países vão resultar na definição de um modelo de Certificado Sanitário Internacional para amparar os embarques do produto e a habilitação pelos Estados Unidos, com base em indicação prévia do Mapa dos estabelecimentos brasileiros exportadores (pre-listing).O pedido para exportação de carne bovina in natura brasileira para os Estados Unidos foi feito em 1999. Desde então, o Brasil e os EUA trocaram diversas informações sobre os controles brasileiros em saúde animal.

Os Estados Unidos são o maior produtor e consumidor mundial de carne bovina. Em 2015, o país produziu 10,9 milhões de toneladas, ou 18,58% do total mundial de 58,4 milhões de toneladas. Os norte-americanos consomem 11,4 milhões de toneladas, ou 20,2% do consumo mundial de 56,5 milhões de toneladas.

Potencial

No período de 2011 a 2015, as importações de carne bovina fresca e congelada dos EUA cresceram na ordem de 67%, saltando de 933 mil toneladas para 1,56 milhão de toneladas. Os números levantados pelo adido agrícola do Brasil nos EUA, Luiz Claudio Caruso, demonstram o potencial do mercado de carne bovina dos EUA.

Cerca de 12% a 15% da carne consumida nos EUA é importada de outros países. São produtos mais magros, de animais alimentados a pasto. Isso porque o gado americano produzir uma carne com alto percentual de gordura que dificulta sua utilização na produção de carne moída, principalmente, para hambúrguer.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial e o maior exportador de carne bovina do mundo. “O país é um exemplo para o mundo de como produzir de forma sustentável, garantindo um produto de qualidade e com escala capaz de suprir qualquer mercado consumidor do mundo”, enfatiza Tatiana Palermo.

“Espera-se que a abertura do mercado norte-americano seja mais um passo na busca do setor pecuarista em se consolidar como o maior e melhor produtor de carnes do mundo”, diz a secretária.

O pedido para exportação de carne bovina in natura brasileira para os Estados Unidos foi feito em 1999. Desde então, o Brasil e os EUA trocaram diversas informações sobre os controles brasileiros em saúde animal.