Saúde

Foto: Josy Karla

O II Seminário de Aprimoramento da Enfermagem Obstétrica do Tocantins reúne durante toda esta terça-feira, 26, no auditório da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins), em Palmas, profissionais da enfermagem em um debate que busca identificar as potencialidades e dificuldades do processo de trabalho, de forma a apoiar esses profissionais no fortalecimento da prática assistencial.

Representando o secretário de Estado da Saúde, Marcos Musafir, a apoiadora institucional de Maternidades, Goiamara Borges, falou dos desafios da gestão e da importância dos profissionais da enfermagem obstétrica, tanto para a mãe quanto para o bebê. “Mudar o modelo assistencial que hoje é prestado no Brasil não é tarefa fácil, é árdua. Vemos uma cultura de cesariana e a Rede Cegonha aposta no trabalho em equipe e em um modelo colaborativo. Através de nossas pequenas ações, vamos começar a mudar esse tipo de assistência que é prestada nas maternidades. Há profissionais que violam os direitos das mulheres e criam traumas que fazem com que estas jamais queiram ter outros partos normais, em decorrência da dor da falta de respeito e descaso”, disse.

Neuma Santos, diretora de enfermagem do Hospital e Maternidade Dona Regina, unidade que realiza o evento em parceria com Ministério da Saúde, ressaltou a importância do debate sobre a assistência ao parto. “Espero que os desafios colocados aqui nos aproximem de uma melhoria e de uma excelência no atendimento da mulher ao parto e nascimento, que sejamos agentes de mudanças no modelo da saúde”, comentou, lembrando que a maternidade Dona Regina conta com oito enfermeiras obstetras, sendo que quatro dessas são aprimorandas.

A promotora de Justiça da Saúde Pública do Tocantins, Maria Roseli de Almeida Pery, destacou a importância da realização do seminário. “Esse é um evento importante e temos que, permanentemente, buscar conhecimento e aprimorar. É preciso que haja garantia do direito da gestante e dos recém-nascidos, trabalhar os direitos da mulher, pensar onde precisamos chegar”, reforçou.

A presidente da Associação Brasileira de Enfermagem Obstétrica e Obstetrizes Nacional, Kleide Ventura, também reforçou o papel da enfermagem obstétrica e o fortalecimento no cuidado da mulher, bebê e da família. “É muito importante que tenhamos profissionais comprometidos com a política da rede cegonha e atendimento à mulher. Precisamos manter nossa contribuição de abrirmos caminhos para fortalecimento de nossa autonomia, a capacidade de trabalharmos em equipe e colocarmos para a sociedade toda a nossa competência para mudar. Essa é uma oportunidade de dar visibilidade a uma experiência de formação. Estamos marcando um compromisso com o público, no nosso caso mulheres e bebês”, disse.

Já Alessandro Pantoja, diretor da Atenção Básica em Saúde do município de Palmas, disse que “essa é uma discussão rica e precisa se tornar uma rotina no dia a dia. As mulheres que passaram por essa experiência sabem o quanto marca um bom atendimento. Precisamos intervir de maneira mais completa e essa é uma ótima oportunidade de diálogo”, lembrou.  

Etapas do programa de aprimoramento

O seminário que segue até esta quarta-feira é a segunda etapa do programa de aprimoramento. Na primeira, duas enfermeiras obstetras especializadas do Dona Regina estiveram na Maternidade Sofia Feldman, em Minas Gerais, e por 15 dias vivenciaram o cotidiano da unidade, que é referência nacional em atendimento humanizado. Após o intercâmbio, as profissionais montaram um plano de ação, iniciando a segunda fase do programa.

“Foi uma experiência única, cumprimos escalas de 12 horas de trabalho intenso, o que possibilitou muito conhecimento. Tivemos a grande certeza de que a enfermagem obstétrica existe, atua e é valorizada. Não concorre com ninguém, soma saberes. Quando teve essa indicação eu pensei na grande oportunidade de aprendizado que teria. Agradeço o investimento que foi feito e temos o compromisso de melhorar a assistência desse modelo de atenção”, disse Mayane Vilela, uma das enfermeiras aprimorandas.

Para Solaynne Lustosa, outra enfermeira, o curso veio para fortalecer a prática. “Esse curso veio para nos fortalecer, tínhamos uma prática fragilizada e o curso nos deu mais autonomia para atuar”, destacou.

Durante os dois dias de seminário, os participantes participarão de mesas redondas com diversos temas, como: Modelo Colaborativo de Assistência ao Parto e o Processo de Trabalho em equipe, Rede Cegonha e Aprimoramento em Enfermagem Obstétrica, por exemplo, além de relatos de experiência no curso de aprimoramento, debates e oficinas.

Nessa quarta o evento acontece no auditório do Anexo I da Sesau com programação restrita aos profissionais que atuam na assistência ao parto e nascimento.