Saúde

Foto: Nielcem Fernandes Amamentar aumenta vínculo entre mãe e filho Amamentar aumenta vínculo entre mãe e filho

Uma média anual de 10 mil atendimentos em grupo, 30 mil atendimentos individuais, mais de 3.300 visitas domiciliares e 100 doadoras mensais que ajudam a atender cerca de 1.100 bebês, salvando suas vidas dos pequenos internados em unidades neonatais que precisam de leite materno para sobreviver. Estes são os números do Banco de Leite Humano do Hospital e Maternidade Dona Regina, que junto com o Núcleo Gestar Feliz, da Fisiopalmas, promove no próximo sábado, 6, às 14h, no Shopping Capim Dourado, em Palmas, a 4ª edição da Hora do Mamaço, que este ano traz como tema “Amamentação: bom para o bebê, bom para a mãe e bom para o planeta”.

Segundo a coordenadora do Banco de Leite, Walquíria Pinheiro, o serviço apoia mulheres que desejam amamentar e tenham qualquer dúvida ou dificuldade. “Por isso somos parceiros do Núcleo Gestar Feliz, da Fisiopalmas, e estamos juntos neste evento do mamaço para divulgar o aleitamento materno e fazer com que a sociedade entenda a importância da amamentação não só para o bebê, mais também para a mãe e para o planeta. Estamos sempre participando destes movimentos que são importantes para que a cada dia aumente o número de mães que amamentam e a prevalência do aleitamento materno que ainda é baixo”, afirmou a coordenadora.

O trabalho do Banco de Leite é reconhecido pela musicista Janeide Barbosa que relata sua experiência na batalha para amamentar as filhas. “Quando minha primeira filha nasceu, ela não sabia sugar e meu sonho era amamentar. Então fui todos os dias, durante oito dias, ao banco de leite do Dona Regina para que ela aprendesse. Fomos usando seringa e sonda e graças à equipe de lá, ela aprendeu e não quis mais parar. Mamou durante três ano e três meses. Foi uma grande vitória para nós duas e sou muito orgulhosa e feliz por isso. Hoje ela tem seis anos, nunca teve infecção de barriga e nem pulmão carregado. Adoece pouquíssimo e creio que isso está relacionado ao aleitamento materno. Atualmente, estou com uma bebê de um mês que está exclusivamente no peito e pretendo amamentar até ela querer parar”, relatou.

Desafios

As dificuldades para amamentar vão além das fisiológicas, como conta a mãe e bacharel em direito, Delcimonik Dorta. “Sem dúvidas amamentar foi o maior desafio que encontrei na maternidade. No início são os seios machucados e doloridos, a criança não pega corretamente, há a perda de peso do bebê na primeira semana que a gente acaba pensando que é pelo leite não ser suficiente, mas digo que valeu à pena. Acredito que a amamentação fortalece o vínculo entre mãe e bebê e este laço de afeto se estende a todas as áreas da vida da criança, ela se sente mais amada e cuidada. Agora em julho completei dois anos de aleitamento materno e para mim foi uma vitória muito grande porque muitas pessoas fazem a gente desacreditar, além de ser cansativo e ter tantos obstáculos que fazem a gente pensar que não vai conseguir. Para mim era uma questão de honra amamentar seis meses exclusivamente e conseguir chegar até os dois anos”, destacou.

Assim como Delcimonik, a servidora pública Daniela Philippi Camboim também encontrou quem a fizesse desacreditar na amamentação. “Depois que a Laura nasceu, o primeiro pediatra que levei disse que não era para eu animar porque com a minha idade, 44 anos, eu teria poucas glândulas mamárias. Não aceitei esta colocação, pois como a natureza seria tão incompetente de derrubar uma mulher com esta idade que gerou uma criança, sem qualquer tratamento privando-a de alimentar sua cria? O fato é que acreditei que podia e amamento até hoje minha filha que já tem um ano e 11 meses”, relatou.

A Hora do Mamaço

Deflagrado por mulheres em 2012, a partir de uma situação em que uma mulher foi abordada sob a alegação de que ela não poderia amamentar o filho em local público, o mamaço busca reunir o maior número possível de mulheres para que em um local público amamente seus bebês ao mesmo tempo e assim chamem atenção da população para a necessidade do apoio à amamentação.

O evento faz parte da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2016 que traz um tema amplo e que vem de encontro a atual situação do mundo: a necessidade do desenvolvimento sustentável. A abordagem leva em consideração o fato da amamentação reduzir as morbidades, mortalidade, desigualdades, violência, danos ambientais, ao mesmo tempo em que promove a vida e a saúde.

Segundo a fisioterapeuta obstetra, diretora do Gestar Feliz, Wilma Manduca, este ano a Hora do Mamaço ganhou mais força, com a instituição, pelo Executivo Estadual, do Agosto Dourado, e iniciativas que incentivam o aleitamento materno. “Temos como símbolo deste Agosto Dourado, o laço dourado com pontas assimétricas que representam mãe e bebê, mostrando que os dois devem estar em sintonia e o nó do laço que significa o pai e toda comunidade que dá apoio, pois para que a amamentação ocorra com sucesso, todos ao redor da mãe devem apoiar. Incentivar o aleitamento materno é o que deve ser feito sempre”, destacou.

Ainda segundo a fisioterapeuta, no Tocantins esta é a 4ª edição e o evento deve ter maior proporção que nos anos anteriores. “Temos mais de 80 mulheres que vão de camisetas, fora os pais e familiares que devem participar para incentivar este ato que deve ser exclusivo e duradouro até o tempo que for prazeroso para a mãe e para o bebê. No núcleo, por termos um grande número de mulheres que fazem o preparo para dar a luz, tivemos o papel de mobilizar as participantes e convidar mais pessoas”, informou.

Wilma explicou ainda como será o evento: “Trata-se de um movimento rápido, dura o máximo 2 horas, sendo que o ápice deve ocorrer por volta das 15h, quando todas reunidas em lugar pré determinado tentarão colocar seus bebês para mamarem ao mesmo tempo. No local, teremos uma mesa de apoio com kit para doação de leite para o Banco de Leite Humano da Maternidade Dona Regina. No local, também haverá cadeiras que ficarão dispostas em forma de coração, ou semi-circulo e no centro colocaremos tapetinhos onde as crianças poderão ficar brincando, engatinhando ou andando”, explicou.

Doações

Com uma demanda cada dia crescente, o Banco de Leite Humano está sempre necessitando de doações como explica Walquíria, “a mãe que está em casa, amamentando e percebe que depois que o bebê dela mama, sobra leite no peito, esta sobra faz toda diferença para salvar a vida dos bebês internados. Para doar é simples, basta ligar e uma equipe vai até sua casa e passa todas as orientações necessárias”.

Toda mulher com boas condições de saúde, não fumante, que não ingere bebida alcoólica, não toma medicamento controlado, que está amamentando e percebe que depois que o bebê mama ainda tem leite no peito, pode ajudar o Banco de Leite.

Para doar basta procurar o Dona Regina pessoalmente ou ligar no 0800 64 68283, para fazer um cadastro e receber um kit de doação que contêm touca, máscara descartável, gazes e frasco. O leite da doadora é coletado pelos Bombeiros Amigos do Peito.