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Em entrevista ao Conexão Tocantins nessa sexta-feira, 30, o candidato a prefeito de Palmas, Sargento Aragão (PEN), fez críticas a gestão de Palmas, ao "boicote sofrido pela imprensa", e garantiu estar confiante na vitória no próximo domingo, 2 de outubro. Aragão informou não ter participado do debate realizado pela Rede Globo/TV Anhanguera, na última quinta-feira, 29, por pesquisa, segundo ele, "fraudulenta" que reduziu de 8 para 4% dos votos ao candidato, com margem de erro de 4%. "O impedimento é covarde. O critério da TV Anhanguera usado comigo foi a pesquisa, 5%. Se eu não tiver 5% no domingo, eu não sou candidato a mais nada no Estado do Tocantins. O critério é maléfico, quando colocam quatro pontos no Ibope e dão margem de erro de quatro", afirmou. 

A Justiça Eleitoral proibiu a divulgação da pesquisa em Palmas pelo Ibope, informada por Aragão, que seria divulgada hoje. O motivo da suspensão foi a utilização do nome de Cassius Clay (PSOL) - cuja candidatura foi impugnada pela Justiça Eleitoral no início do mês. Participaram do debate na TV Anhanguera apenas os candidatos Raul Filho (PR), Cláudia Lelis (PV), Carlos Amastha (PSB) e José Roberto Forzani (PT). Para Aragão, foi quebrado o princípio da isonomia. 

O candidato também criticou a gestão de Palmas, comandada pelo prefeito Carlos Amastha (PSB). Para Aragão, Amastha não tem prioridade em seu governo. "Nós somos candidatos, já estamos dizendo que somos diferente politicamente, pragmaticamente e ideologicamente. Nós temos questões de prioridade e na gestão dele não tem prioridade, isso já é uma diferença", disse. O candidato disse ainda que a geração de emprego e renda  em Palmas está falida e que no seu governo priorizará a pessoa humana. 

Sargento Aragão fez um apelo para que os palmenses votem em candidatos ficha limpa. "Primeiro que escolha um candidato ficha limpa, porque todo eleitor está reclamando que o pessoal está envolvido na Lava Jato, que está envolvido na Odecrecht Ambiental, que recebe mesada da Odebrecht, que está envolvido com licitação do lixo, que a Prefeitura tem esquema com uma quadrilha instalada dentro da Prefeitura, que tem o outro que está recebendo dinheiro do Cachoeira, ou já recebeu, que tem o outro que está inelegível e a mulher é candidata, que tem um governo caindo aos pedaços. Eu peço a esse eleitor, que já que está tudo assim que demonstre essa insatisfação dele nas urnas, demonstre isso na urna, colocando seu voto da forma que achar, menos votando em candidato ficha suja até porque se votar em candidato ficha suja não vai poder reclamar depois", pediu. 

Propostas do Plano de Governo do candidato

Dentre as principais propostas que integram o Plano de Governo, Aragão destaca a redução da tarifa de esgoto em 50%; reformulação do estacionamento rotativo; revisão geral da Planta de Valores Imobiliários, gerando redução do IPTU e ITBI; implantação e manutenção do Hospital de Urgência e Emergência na região sul da capital; criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa; instalação de indústria têxtil; concurso para a Guarda Metropolitana e implantação do verdadeiro Programa Guarda Quarteirão, com contratação inicial de 400 pais de famílias; preservação das nascentes e recuperação dos rios e cursos d’água que banham o município; quebra do monopólio do transporte público; passe estudantil valendo todos os dias do ano, dentre outras. 

Confira abaixo a entrevista na íntegra 

Conexão Tocantins - Candidato, como o senhor avalia sua participação na campanha para prefeito de Palmas este ano e que resultado o senhor espera obter na eleição no próximo domingo?  

Sargento Aragão - Primeiro, a gente vai provar, depois do resultado das urnas, que a TV Anhanguera, juntamente com o Ibope, que já está suspensa a pesquisa de amanhã (hoje), primeira vez no Estado, é que eles costumam acertar o resultado mas nunca chegaram perto do percentual e isso traz uma avaliação muito ruim quando a televisão principal do Estado quebra o princípio da isonomia, que chama três candidatos com 12 minutos de entrevista e chama os outros dois com dois minutos. Isso é algo muito ruim, você quebrar o princípio da isonomia desta forma e o sistema de avaliação que nós fazemos, nós estamos muito felizes graças a Deus, a campanha foi ótima, maravilhosa, apresentamos propostas de verdade. Nós somos o diferente, somos o novo, com conteúdo e uma condição: ficha limpa de verdade. Este é o tom da nossa campanha de avaliação que fizemos e o resultado a partir domingo, a partir das 17 horas, nós vamos ver que o resultado das urnas é outro diferente da pesquisa, com fé em Deus. Pesamento positivo de vitória mas uma vitória boa, justamente para esses órgãos de pesquisa nunca mais fazer pesquisa no Estado, com fé em Deus. 

C.T - Como o senhor avalia a gestão do prefeito Carlos Amastha que é candidato à reeleição e o que o senhor pretende fazer de diferente dele caso se eleja?

S. A - Olha, primeiro, nós somos candidatos, já estamos dizendo que somos diferente politicamente, pragmaticamente e ideologicamente. Nós temos questões de prioridade e na gestão dele não tem prioridade, isso já é uma diferença. O PEN tem prioridade sim, prioridade na pessoa humana, prioridade de dar o emprego, prioridade das pessoas trabalharem e receberem em dia, prioridade de acabar com os alugueis da Prefeitura, isso é prioridade do PEN. Geração de emprego e renda, que Palmas está falida, a maioria dos nossos empresários ultrapassaram a ponte indo para Luzimangues (distrito de Porto Nacional), isso é questão de prioridade. (Avenida) Teotônio Segurado com papai noel e iluminação de natal, para nós é prioridade dar a condição do palmense ter uma ceia de natal em vez de ficar iluminando, isso é questão de prioridade, então nós somos diferente dele. Fazer uma avaliação de um ex-prefeito não é da minha extirpe fazer, agora o que eu mais uma vez fico triste é tirar o Sargento Aragão de todos os debates televisão. Os quatro debates que nós participamos (sem ser na TV), é só pedir uma avaliação, ganhamos todos os debates, pena que na televisão me tiraram do debate, inclusive o último com a falsa pesquisa que está proibido o Ibope de divulgar amanhã (hoje). Isso é ruim, maléfico, inclusive para essa gestão atual. 

C.T - Como o senhor avalia as regras que impediram sua participação nos debates de Televisão? Até que ponto isto o prejudicou?

S. A - Olha, primeiro, a gente precisa de dizer uma coisa: o Ibope nos deu oito pontos percentuais, até aí a gente estava dentro do debate, mesmo sem ter os 10 parlamentares (pelo partido). 15 dias depois o Ibope baixa para quatro pontos percentuais, hora, como é que você cai 50%  sem nenhum fato novo? Mas ao mesmo tempo ele coloca uma margem de erro de quatro pontos percentuais, essa margem de erro é fraudulenta e mentirosa, porque se de verdade fosse, quem tem quatro pode ter oito e a pesquisa foi feita dia 15 de setembro e o debate foi dia 29, será que avalia o candidato?! Porque não vão divulgar a pesquisa amanhã (hoje), não por conta do Cassius não (Cassius Clay Assunção, ex-candidato a prefeito pelo PSOL, que teve candidatura rejeitada pela Justiça), isso é um rolo que o Ibope cometeu, tanto que na segunda pesquisa que ele fez não colocou o Cassius e ainda justificou porque que ele não estava, como é que agora errou e colocou o Cassius (na pesquisa)? Isso é combinado porque não podia divulgar o resultado amanhã mas a TV Anhanguera e o Ibope, Cespe e Jornal do Tocantins, Deus vai tratar com esse povo e é às cinco horas da tarde, a partir de domingo. Você pode ter certeza, estamos confiantes na vitória. 

Síntese do Impedimento na TV Anhanguera

S. A - O impedimento é covarde. O critério da TV Anhanguera usado comigo foi a pesquisa, 5%. Se eu não tiver 5% no domingo, eu não sou candidato a mais nada no Estado do Tocantins. O critério é maléfico, quando colocam quatro pontos no Ibope e dão margem de erro de quatro. 

C.T - O que foi mais difícil para manter sua campanha? A falta de recursos financeiros ou a falta de tempo de TV e Rádio para divulgação de suas propostas?

S. A - Os dois são, porque a nossa campanha não tem dinheiro público, não tem dinheiro do Cachoeira (Carlos Cachoeira - empresario), não tem dinheiro da Delta, da Odebrecht, não tem dinheiro da Saneatins, não tem dinheiro do Governo do Estado, não tem dinheiro da Assembleia Legislativa e nem tem dinheiro da Prefeitura. Uma campanha simples mas uma campanha que todos os candidatos tiveram o seu material e a condição mínima de se locomover e pedir o seu voto, agora, 14 segundos na televisão é um tempo que realmente não existe, é muito ruim, não dá para você apresentar muita coisa. O que a gente apostava era justamente no debate, esta isonomia que nos foi tirada e tirada de forma covarde porque podia dito: olha, não tem os 10 deputados, eu estava satisfeito, não estava indignado, agora, me tirar do debate da TV Anhanguera dizendo que eu não tenho 5% dos votos? E se eu aparecer com 5% no domingo, como é que ela fica? Isso é covardia e quero dizer que se nós não tivermos 5% dos votos no domingo, nós não somos candidatos a nada mais não. Agora se tiver, gostaria que essa televisão mentirosa, com o Ibope, que nunca mais fizesse pesquisa no Estado. 

C.T -  Nestas eleições o financiamento de empresas às campanhas está proibido. O senhor é a favor ou contra a medida? Na sua opinião a proibição contribui ou não para diminuir o abuso do poder econômico entre as campanhas mais ricas e as campanhas alternativas como a do senhor?

S. A - Primeiro, nós nunca usamos caixa dois como os demais usaram, então para mim foi excelente. Nós somos totalmente contra a doação de empresa e totalmente contra o caixa dois, porque  alguém está fazendo caixa dois aberto, comprando as pessoas com cargos comissionados, com contrato de empresa, isso é caixa dois. Quando a imprensa tira um candidato alegando artifício que ele não tem 5% (na pesquisa), 15 dias praticamente da última pesquisa, isso é caixa dois. Então a diferença do caixa dois propriamente dito não é só o dinheiro específico não, os meios utilizados são. Teve uma jornalista no Jornal do Tocantins que colocou que eu não tinha prestado contas e quando você abre o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), está lá. Todos os candidatos prestaram conta. caixa dois não é só do candidato não ou das empresas, é quem faz campanha paralela, é quem prejudica um candidato diretamente, é quem beneficia um candidato diretamente, tudo isso está dentro do caixa dois. 

C.T -  Candidato, historicamente as eleições na capital sempre se polarizaram entre dois grupos. Por outro lado o senhor se lançou na disputa numa chapa puro-sangue e, a se considerar os levantamentos de pesquisas que tem sido divulgadas, sua candidatura não deslanchou. Dentro deste contexto, a partir do momento que o senhor não conseguiu construir um arco de alianças que melhor suporte pudesse lhe dar para a disputa, não teria sido melhor o senhor compor com algum dos outros candidatos?

S. A - Primeiro eu quero dizer que a nossa campanha deslanchou sim, uma candidatura que tem 29 candidatos a vereador que nós elegemos no mínimo três. O resultado das urnas, vai comprovar o que estou dizendo, uma candidatura que não está devendo um centavo a ninguém, uma candidatura ficha limpa, uma campanha dessa deslanchou sim. Agora, quando diz historicamente, tem que rever os números. Em 2006 disputou Raul Filho, Freire Júnior e Odir Rocha - Odir teve 13 mil, Raul teve 10 mil e Freire Júnior teve quase oito mil, então não foi polarizada. Em 2008 a Nilmar, o Marcelo Lelis e o Raul, então também não foi polarizada. Agora, o que a imprensa e os grandes grupos querem é justamente isso, é que polarize sempre dois grupos. Nós não loteamos com ninguém, somos candidatos únicos, puro sangue, e fomos o primeiro a lançar e colocamos: não vamos coligar com ninguém. 

C.T - Para finalizar, qual a mensagem que o senhor deixa para os eleitores que irão às urnas no próximo domingo para escolher o futuro gestor da capital?

S. A - Primeiro que escolha um candidato ficha limpa, porque todo eleitor, todo brasileiro, todo tocantinense e todo palmense, especificamente, ele está reclamando que o pessoal está envolvido na Lava Jato, que está envolvido na Odecrecht Ambiental, que recebe mesada da Odebrecht, que está envolvido com licitação do lixo, que a Prefeitura tem esquema com uma quadrilha instalada dentro da Prefeitura, que tem o outro que está recebendo dinheiro do Cachoeira, ou já recebeu, que tem o outro que está inelegível e a mulher é candidata, que tem um governo caindo aos pedaços. Eu peço a esse eleitor, que já que está tudo assim que demonstre essa insatisfação dele nas urnas, demonstre isso na urna, colocando seu voto da forma que achar, menos votando em candidato ficha suja até porque se votar em candidato ficha suja não vai poder reclamar depois. Eu me apresento como candidato ficha limpa até o final da campanha, com fé em Deus.