Opinião

Foto: Arquivo CT Borges da Silveira é médico e ex-ministro da Saúde Borges da Silveira é médico e ex-ministro da Saúde

A situação política do País é sem dúvida extremamente preocupante, não apenas no presente como essencialmente para o futuro quanto a mudanças e recuperação dos princípios básicos e dos valores perdidos nos últimos tempos. As incertezas podem levar a escolhas equivocadas e a mais um período desperdiçado na condução do Brasil a um sólido caminho para o desenvolvimento geral.

Estamos a praticamente um ano da eleição presidencial. Que perspectiva os brasileiros podem ter? Que liderança existe no cenário atual capaz de devolver ao povo a esperança de novos tempos? Estão aí postos os mesmos, sem renovação, todos desgastados, quando não envolvidos em escândalos. São raríssimas as exceções e mesmo estas sem um grande e confiável programa de restauração geral que fascine o eleitor.

Por tudo o que tem acontecido de negativo, vemos um quadro de amplo desgaste dos políticos. Falta um líder de credibilidade e isso deixa o eleitor desorientado e o povo revoltado. A eleição presidencial se aproxima e a descrença aumenta.

Para compreender a real gravidade da situação é suficiente analisar a abrangente pesquisa de opinião pública feita e divulgada pelo Instituto Ipsos há questão de uma semana. Os resultados envolvem tópicos bem variados, mas para o propósito desta análise basta pinçar o que mais diretamente interessa, a avaliação pública dos nomes que estão no cenário, prontos para disputar a presidência da República. O grau de desaprovação, de rejeição eleitoral, é altamente negativo.

Veja a seguir o índice de rejeição de possíveis candidatos em outubro de 2018:

Aécio Neves 91%; José Serra 82%; Geraldo Alckmin, 73%; Lula 66%; Marina Silva 65%; Ciro Gomes 63%; Jair Bolsonaro 56%; João Dória 52%.

Outros nomes, que dificilmente serão candidatos mas exercem algum grau de liderança, também sofrem forte rejeição junto aos brasileiros: Michel Temer 93%; FHC 73%; Dilma Rousseff 79%; Rodrigo Maia 72%; Henrique Meirelles 62%.

Analisando alguns nomes isoladamente é importante considerar o contexto individual. Um aspecto chama atenção, o fato de os caciques tucanos estarem com desaprovação bem acima dos demais, notadamente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, liderança maior do PT, que por sinal está em explícita campanha não só em palavras como em atos e comícios recentes pelo Norte e Nordeste. Segundo observa a pesquisa, Lula está condenado em um processo e réu em outras cinco ações relacionados à Operação Lava Jato e é desaprovado por dois terços da população, enquanto um terço o vê de forma favorável, o que leva alguns analistas a considerar que em torno do ex-presidente ‘ainda há uma dose de mito’.

No sentido de renovação, os tucanos até apareceram com um nome politicamente novo – João Dória, atual prefeito de São Paulo. Todavia, rapidamente Dória está revelando ser apenas ‘mais dos mesmos’. Deslumbrou-se com a eleição e parece ter sido ‘picado pela mosca azul’. Em apenas oito meses à frente de uma prefeitura de imensa importância política começou a pavimentar possível candidatura presidencial, inclusive percorrendo alguns estados. Esse posicionamento de Dória demonstra não somente afoiteza como também implícita ‘traição’ a Geraldo Alckmin, mentor de sua candidatura e sabidamente um dos pré-candidatos do PSDB.

João Dória foi evidentemente recebido como uma esperança no quadro atual por ser liderança nova, politicamente falando, somando-se a isso certo carisma e bom marketing. Todavia, está ‘queimando o filme’, principalmente no âmbito tucano, do qual pode vir a ser sutilmente alijado em sua pretensão para o ano que vem. Doria tem alguma vantagem porque é o melhor colocado entre os políticos avaliados pela pesquisa. Ainda assim, sua taxa de desaprovação (52%) é bem maior que a de aprovação (19%).

Lamentavelmente, é com um elenco desses, já prévia e significativamente rejeitado, desaprovado pela população, que os eleitores brasileiros terão de lidar na próxima eleição para presidente. As opções serão niveladas por baixo, não haverá possibilidade de escolher o melhor, a decisão acabará recaindo sobre o menos pior e o resultado disso será quase que com certeza desastroso. A menos que em tão pouco tempo ocorra o surgimento de um novo e adequado perfil, algo bastante improvável na política brasileira.

Resumindo, as expectativas são preocupantes, as perspectivas sombrias para o país. Essa situação coloca enorme responsabilidade sobre os eleitores que terão de analisar muito bem os pretendentes à disputa presidencial, pois o terreno político como se apresenta é propício ao surgimento de aventureiros populistas, os quais ainda não são percebidos por que, hoje, estão fora do radar eleitoral. “Talvez o discurso antissistema se transforme em uma vantagem eleitoral”, conforme observa um analista político.

Há evidente necessidade, e a pesquisa deixa isso bem claro, de reconstrução e renovação; o eleitor, o cidadão, precisa estar realmente preparado, pronto para isso. Como disse um professor de ciências políticas “a bola está com o eleitor”.

Por isso digo: pobre povo brasileiro se tiver que escolher entre Lula, Bolsonaro, Marina, Dória...

*Luiz Carlos Borges da Silveira é médico, ex-ministro da Saúde, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Tocantins e ex-secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Emprego do Município de Palmas-TO

Por: Luiz Carlos Borges da Silveira

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