Opinião

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A despeito dos argumentos controversos e os efeitos inevitáveis do movimento grevista da Educação de Palmas/TO, a maior certeza é a de que ele foi histórico e extremamente necessário. Primariamente, sua razão era a reivindicação integral de acordos não cumpridos e o cumprimento de legalidades violadas por parte do governo municipal. Fora isso, tornou-se necessário porque a falta de sensibilidade também transgrediu a nossa dignidade pessoal.

Mesmo receosos do discurso empresarial que se mostrara bem polido, demonstramos tolerância – e não confiança – em seu senso administrativo. Criamos expectativas e planejamos em cima dos benefícios legais que nos foram prometidos. Mas cansamos de acordos não cumpridos e em presenciar, revoltados, a prioridade do executivo no embelezamento de estruturas, edifícios, praças e eventos, em detrimento da própria vida de um povo sofrido. Uma severa exploração, sobrecarregada de leis insustentáveis para sustentar a ostentação e interesses do governo e não a dignidade da nação. Assistimos a cidade crescendo e o poder aquisitivo do povo definhando, uma imagem para encantar os turistas e visitantes e esconder a amargura da alma de seus habitantes.

A qualidade do ensino decaiu na medida em que alunos foram afetados pelo espírito abalado de educadores desiludidos e anestesiados. Seus direitos estão sendo dilacerados, pois o conhecimento não é um patrimônio material, mas espiritual; não é de submissão, mas de reflexão. Queremos que eles reconstruam esta nação por meio da arte e da transgressão.

Mostramos que não somos mais um pacato cidadão. Apelamos para a drástica decisão de sacrificar a própria vida para atingir as entranhas de um sistema blindado. Mas descobrimos que nele não há um coração de carne, mas de pedra, com um sentimento insano e profano, que se deleita no sofrimento humano e se revolta contra tudo o que é virtuoso, digno e honrado. Se volta contra os frutos do conhecimento sagrado.

As tantas mentiras, difundidas nos meios de comunicação, revelam uma leviandade ofendida por uma educação emancipada, que antes era por eles tanto defendida. Pois eles não conhecem a verdade, porque lhes é desconhecida. Não somos seus funcionários, somos educadores desta sociedade, para disciplinar, inclusive, sua insanidade.

Eles têm de aprender que não somos controlados por imagens e nem por propagandas enganosas. Nós somos a alma do conhecimento e conseguimos discernir as suas entranhas e suas intenções falaciosas. Nosso movimento foi amadurecido para comprovar que estamos, como sociedade, também apodrecidos. Só a verdade liberta e será implantada por meio da espada. A luz da vida surge do atrito e da dor, e não do silêncio e do pavor de uma boca calada.

*Odair Viana é professor na Rede Municipal e Estadual, formado em Letras (2004/UFG), pós-graduado (2008/IFTO), diretor sindical do Sintet, (Secretário de Direitos Humanos).