Opinião

Foto: Divulgação Dom Pedro Brito Guimarães é arcebispo de Palmas Dom Pedro Brito Guimarães é arcebispo de Palmas

A morte parece, mas não é o fim da vida. É uma parte da vida. A mais dolorida. O fim da vida é a vida eterna. A morte é o mistério central da vida humana. Inevitável. Somente o ser humano tem a consciência da morte como nós a temos, e morre como nós morremos. Os animais e os outros seres vivos não possuem esta consciência que tem o ser humano. Morrem sem saber o que é a morte e porque morreram. Se, por um lado, a morte nos entristece, por outro, saber que morreremos e porque morremos nos traz alegria, confiança, fé e esperança. Afinal, foi Jesus quem disse e prometeu: “eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda tenha morrido, viverá” (Jo 11,25).

A morte é certa. E certa também é a fé na ressurreição. A ressurreição é o ponto final da nossa vida e da nossa fé em Jesus Cristo. “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé” (1 Cor 15,14). Jesus continua anunciando, por meio da sua Igreja, às nossas e as gerações futuras, o Evangelho da Vida. Apesar de toda esta certeza, a experiência concreta da morte é apavorante, a ponto de insistirmos em não compreendê-la e não aceitá-la. É que quando a morte bate à nossa porta, dilacera os tecidos da nossa vida e os nossos afetos. Mesmo sendo conhecedores da promessa divina da ressurreição, diante da sua evidência e da sua eminência, tentamos inutilmente cancelá-la do nosso projeto de vida.

A ressurreição é o último passo do nosso peregrinar na fé. Quem não acredita na ressurreição ainda não chegou ao estágio espiritual almejado e desejado. Contemplar Jesus ressuscitado é ter chegado ao ponto final de todo um caminho espiritual. Afinal, a fé na ressurreição é a meta final de todo itinerário espiritual. Devemos ir e voltar do cemitério iluminados pela Páscoa.

Desde a primeira morte, na face da terra, por violência (Abel - Gn 4,8b), por velhice (Sara - Gn 23,2), por assassinato (João Batista - Mt 14,10), de morte natural (Lázaro - Jo 11,1ss), até a morte do último fiel, em Jesus, a morte viu o seu fim. “O Senhor acabou com a morte para sempre. Ele enxugará as lágrimas de todas as faces” (Is 25,8). “O último inimigo a ser destruído será a morte” (1 Cor 15,26). “Onde está, ó morte, a tua vitória?” (1 Cor 15,55). Devemos enfrentar a morte com choro e luto, mas com fé e esperança. Crer na vida eterna é enfrentar a morte com realismo, naturalidade, respeito, sabedoria, esperança e fé. Devemos fazer como fez Abraão: adquiriu um terreno e sepultou Sara, a sua amada esposa. A morte é a última etapa do peregrinar, rumo à terra prometida, o céu. Por ela todos temos que passar. A nossa sepultura é um pedacinho da terra prometida que nos pertence.

É bom e é bonito crer assim e morrer assim. Portanto, não tenhamos receio, pavor e medo da morte. Ela não faz mal a ninguém. Tenhamos, ao contrário, reverência e resiliência, respeito e temor, fé e esperança. Cremos simplesmente na vida eterna. Esta foi a única pergunta que Jesus fez a Marta, diante da morte do seu irmão, Lazaro: “crês tu isto” (Jo 11,26). Hoje Jesus faz esta mesma pergunta a nós: “cremos nisto?” Sepultemos nossos mortos, como Abraão (Gn 23,19) e visitemos os túmulos dos nossos entes queridos, como fez Maria Madalena (Jo 20,1ss). E, diante de suas sepulturas, acendamos ou reacendamos a chama da fé na ressurreição e na vida eterna. Amém!

*Dom Pedro Brito Guimarães é arcebispo de Palmas/TO

Por: Pedro Brito Guimarães

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