Polí­tica

Foto: Divulgação O deputado estadual José Roberto Forzani é presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins O deputado estadual José Roberto Forzani é presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins, deputado estadual José Roberto Forzani, afirmou nesta sexta-feira, 3, que não dialogará com partidos que “fecharam questão” a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no ano passado. “Fechar questão”, no meio político, é quando uma sigla toma uma decisão unificada sobre a votação de determinada pauta.

Nesta sexta, O Estado de São Paulo destaca uma entrevista com o presidente do PT paulista, Luiz Marinho, na qual ele defende que o PT precisa rever, para as eleições de 2018, a proibição de alianças com os partidos que apoiaram o impeachment para “recuperar a maioria do povo brasileiro”.

O que defende o presidente do PT de São Paulo

 “Veja, nós temos que recuperar bases. A maioria do povo também apoiou o impeachment e nós queremos recuperar a maioria do povo. Não vejo a necessidade de um grande arco de alianças para a candidatura do Lula. Vamos precisar de uma grande aliança para governar, no Congresso. Mas isso pode se dar no processo eleitoral ou pós-eleições. Agora vamos analisar no sentido de ganhar a eleição. Depois se tomam providências sobre composição da base no Congresso”, responde Marinho ao ser questionado se O PT deve fazer alianças com partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Mais adiante, afirma que, nos Estados, a discussão será pontual. “Então vai depender do posicionamento do partido em cada Estado. Mas não enxergo qualquer possibilidade de aliança com o PMDB em São Paulo porque o Michel Temer é de São Paulo. Agora, em alguns Estados, eventualmente pode acontecer”, argumentou, arrestando que o diretório nacional seguramente irá revisitar esse tema (alianças) “e vai saber trabalhar a complexidade momentânea da política brasileira”. “Reposicionamentos eventuais podem acontecer, mas não vai ser um “liberou geral”. Mas o PT deve permitir aliança com partidos que apoiaram o “golpe””, disse o presidente do PT de São Paulo.

PT Tocantins

Zé Roberto Forzani evitou entrar no mérito do posicionamento do colega, mas enfatizou que, no Tocantins, não haverá conversa com partidos “ou personalidades” que apoiaram o impeachment. “Nós não coligaremos com partidos participantes do impeachment. Partido que se mobilizou e foi unidade, fechou questão e todo mundo apoiou, está excluído do nosso arco de alianças e é isso que nós vamos defender na Nacional também. A gente sabe que nem todos os partidos fecharam questão, mas partido que fechou questão a favor do impeachment nós somos contra. Partido que não fechou questão e as pessoas, os militantes, os parlamentares e as lideranças não apoiaram o impeachment, nós podemos conversar. Essa é a nossa posição”, frisou o líder do PT no Estado.

Bancada tocantinense e impeachment

Dos oito deputados federais que integram a bancada do Tocantins na Câmara, seis votaram pela aceitação do processo de impeachment contra Dilma: Carlos Gaguim (PTN), César Halum (PRB), Dulce Miranda (PMDB), Josi Nunes (PMDB), Lázaro Botelho (PP) e Professora Dorinha (DEM).  Já os deputados Irajá Abreu (PSD) e Vicentinho Júnior (PR) votaram contra.

Posicionamento dos partidos políticos

Durante do processo, alguns partidos políticos anunciaram seu posicionamento e orientaram seus parlamentares sobre como votar. Tanto entre os partidos que decidiram pelo “sim” ao processo, quanto entre os que decidiram pelo “não”, houve “infidelidade” e alguns parlamentares não seguiram a orientação. Dentre os partidos que fecharam questão a favor do impeachment estiveram o PP, PTB, PSD, PRB e o PMDB.

Dentre os partidos que orientaram voto contra o impeachment estiveram o PT, PDT, PC do B, PSOL, PR (cujo próprio presidente na época, Alfredo Nascimento (AM), contrariou a orientação). Dirigentes dos cinco menores partidos da Câmara - PTN, PSL, PROS, PHS e PEN - não fecharam questão sobre a votação do parecer na época.

Na hora da votação, apenas o DEM, PRB, PMB (um único voto), PPD, SD, PSC, PSDB, PSL e PV foram unanimes, tendo todos os parlamentares das legendas votado a favor do impeachment de Dilma Rousseff.