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A correspondente no Brasil da rede norte-americana de televisão ABC, a inglesa Sonia Gallego, e o produtor Paulo César Andrade, o PC, foram ameaçados de morte na cidade de Tailândia, quando cobriam a retirada de madeira ilegal apreendida durante a operação 'Guardiães da Amazônia'. A repórter, que recentemente esteve no Iraque, disse que teve muito medo de morrer. Na sexta-feira, antes de deixar o Pará, entrevistou a governadora Ana Júlia Carepa. A rede ABC deve exibir a matéria especial até o final desta semana. Leia abaixo, com exclusividade, alguns trechos da entrevista de Sonia Gallego ao repórter Carlos Mendes, de O LIBERAL:

Vocês sofreram ameaças de morte em Tailândia?

Nós estávamos acompanhando o pessoal do Ibama e da polícia (Força Nacional) no transporte das toras em caminhões até as balsas ancoradas no rio Moju. Essas balsas recebem a madeira e a trazem para Belém. É um trabalho demorado. Cada vez que um caminhão sai de uma serraria com a madeira no caminhão, a polícia vai atrás, fazendo a segurança de quem transporta as toras. Nós estávamos na quinta-feira fazendo filmagens desse transporte das toras. Pela manhã havíamos feito umas imagens aéreas.

Vocês se perderam do comboio que levava a madeira até as balsas no rio Moju?

Não. O que aconteceu foi que paramos para entrevistar um senhor numa carvoaria. Eu ia passando e achei que valia a pena ouvir aquele homem, muito triste, na porta daquela carvoaria. Os caminhões foram na frente com a polícia e nós paramos para a entrevista. O homem contou coisas terríveis. Trabalha mais de doze horas por dia e ganha menos que um salário. Não ter carteira assinada, não tem saúde, não tem educação para os filhos. É uma relação de trabalho escravo. Quando nós íamos saindo da carvoaria no carro do Ibama, um homem apareceu em uma bicicleta, bateu no vidro do carro e falou para que não seguíssemos tentando alcançar o comboio com a madeira. Fiquei nervosa e com muito medo.

Ele foi dar um recado para vocês?

Foi isso que eu entendi. Mas fiquei com mais medo ainda quando ele disse que lá na frente havia homens na mata com armas prontas para atirar em nós. O PC (produtor) ainda disse depois que aquele homem que nos deu o aviso foi um verdadeiro anjo da floresta. De alguma forma, ele pode ter salvado as nossas vidas. O homem deu o recado e foi embora.

E vocês, seguiram para alcançar o comboio das toras?

O PC telefonou do celular dele para o celular do comandante da polícia e em menos de 15 minutos apareceram dois caminhões cheios de soldados armados para nos dar proteção. Eles deram uma vistoria na área, mas não encontraram ninguém na mata. Muito nervosa, eu decidi voltar a Belém.

Você esteve há pouco tempo no Iraque. Qual a diferença do Iraque para Tailândia, hoje sitiada por uma força militar?

No Iraque, a gente só vê o deserto. Em Tailândia, na Amazônia, a gente pensa que está no meio da floresta, mas a sensação de morte pode ser a mesma. Lá, no Iraque, a ameaça maior é dos homens-bomba. Em Tailândia, ela pode estar à espreita na mata.

Fonte: O Liberal

Por: redação

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