Opinião

Acordei cedo para ouvir a entrevista de Júlio Resplande, que segundo meu vizinho, “daria na Radia do Marcão”. Não me arrependi. Eu queria saber, porque um homem com raízes históricas no PMDB, havia deixado o partido, cujo programa, outrora meu pai também defendia. Eu não acreditava que a razão, fosse apenas, a absolvição de Renan Calheiros, pelo PMDB, quando toda a nação condenava seus atos.

Na condição de cidadão comum, livre e usando do direito à manifestação do pensamento, o peemedebista histórico começou a falar, respondendo às perguntas do radialista. O reconhecido tom de desabafo deu lugar à voz de um rebelde. 67 anos. Mas não há idade para a rebeldia, quando a causa é nobre. E depois do que ouvi, nem tente me convencer do contrário.

Contrariando os discursos do deputado federal Osvaldo Reis que recorre à matemática para dizer que o PMDB cresceu, Resplande disse que “o crescimento do partido se deve ao poder ou à perspectiva dele”, ou seja, cresceu porque o governador (poder) se filiou no PMDB, e o fato, despertou o interesse (perspectiva de poder), de algumas lideranças e não por ação política do deputado que preside o partido no Tocantins.

Para o Dr. Júlio, como é mais conhecido, depois da morte do lendário Ulisses Guimarães, o PMDB se descaracterizou ao abandonar a linha ideológico-programática, para tornar-se fisiologista. Em dado momento, Resplande disse que, atualmente o PMDB está igual ao PFL (atual Democratas - DEM), na época do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), porque só briga por cargos, e perdeu a identidade. “Sou contra essa conduta,” disse, questionando ainda, o deputado estadual Paulo Roberto (DEM), por relatar a CPI da Saúde, quando foi condenado pela justiça, por desvio de recursos públicos federais.

As críticas, bem fundamentadas, vão de Sarney (fisiologista-mor e bossa-nova da ditadura) a Temer, como exemplos de fisiologistas. E o tom se eleva. “Eu cheguei a fazer parte do diretório regional e nacional, mas não sei como o partido aplica seus recursos. Nunca vi uma prestação de contas do PMDB. No Tocantins o partido está sem comando. O PMDB tem recursos da Fundação Ulisses Guimarães, órgão que deve fortalecer a militância por meio de cursos, seminários e congressos, mas aqui, não há ação”. E responde a uma provocação do radialista: “Ele (Osvaldo Reis) quer é acabar com o partido”.

Júlio Resplande se declara veementemente contrário à presidência do partido ser exercida por deputado federal. “Se ele está em Brasília faz falta no Estado. Se está no Estado, faz falta em Brasília, e não desenvolve os trabalhos que o Estado precisa”, observa. Em meio a tantas críticas, elogios ao deputado federal Moisés Avelino (PMDB), a quem reputa ser um cidadão sério, e ao senador gaúcho, Pedro Simon, uma referência moral e ética.

Convidado pelo prefeito de Goiânia – Goiás, Íris Rezende Machado (PMDB) para emprestar sua madura experiência àquela administração, Resplande diz que ainda não deu resposta. Questionado sobre sua não participação no atual governo do Estado, Resplande explicou. “Fui convidado para ser assessor. Mas ser convidado a fazer parte do Governo é diferente de ser convidado a ser empregado dele. E eu não estou precisando de emprego. Posso contribuir com o Estado sem estar no Governo”, completa.

O diretório do PMDB de Tocantinópolis, por conhecer de sobra, as razões de Dr. Júlio, quer rejeitar a carta de desfiliação apresentada por ele, mas ela está consumada.

Quer saber, Eu assino em baixo. Ele não mentiu em nenhum momento. Acorda PMDB. Mais cedo. Faça como eu nesta manhã.

(K.M.W)

Por: Redação

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