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Foto: Divulgação

Imagens de satélite revelaram plantações de coca e um laboratório de cocaína na Amazônia brasileira, junto à fronteira do Brasil com o Peru. A descoberta da área de cultivo de aproximadamente 2 hectares e meio surpreendeu as forças de segurança da região.

A área fica a cerca de 150 quilômetros ao sul de Tabatinga (AM), próximo à margem do Rio Javari e consiste em quatro clareiras abertas na mata, onde a planta era cultivada e refinada.

Segundo o comandante do 8º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército (8º BIS), tenente-coronel Antônio Elcio Franco Filho, é a primeira vez que a coca é achada no país, pois trata-se de uma planta de clima montanhoso. Franco Filho informou que outra planta utilizada para fazer cocaína é o epadu, mais comum na região amazônica, porém com menor poder de produção da droga.

A descoberta do local onde acontecia o cultivo da planta foi feita em uma ação conjunta entre a Polícia Civil do Amazonas e os homens do 8º BIS. A operação divulgada neste sábado, 15, contou com três helicópteros e pequenas embarcações para se chegar ao local e foi deflagrada envolta em sigilo na sexta-feira, 14. Os pés de coca estavam praticamente em ponto de colheita.

Em uma cabana, foi achado material utilizado no refino da droga; 40 litros de ácido sulfúrico, dez quilos de cal, um saco de cimento e amônia. Ninguém foi preso, mas as investigações prosseguem e os policiais e militares vão permanecer na região para tentar identificar os responsáveis e descobrir se há outros locais próximos servindo para o cultivo de coca.

Duas barcaças do Exército, adaptadas para servir como base flutuante, foram colocadas no Rio Javari, para fiscalizar os barcos que passam por ali.

Transgênico

De acordo com o comandante do 8º BIS, por se tratar de uma planta de clima montanhoso é provável que se trate de uma variedade de origem transgênica. “Nós acreditamos que seja um transgênico ou uma adaptação de uma planta que é dos altiplanos andinos para a planície”, disse o militar.

Segundo as investigações, as lavouras são encomendadas por cartéis de narcotraficantes aos agricultores ribeirinhos peruanos, colombianos e brasileiros, que moram na região.

As plantações são dividas em pequenos lotes para escapar da vigilância dos satélites e a produção de folhas colhidas é comprada por valores que variam entre R$ 3 mil e R$ 6 mil, conforme a quantidade produzida.

Duas possíveis pistas de pouso clandestino também foram localizadas nas proximidades do laboratório e, caso sejam confirmadas como área para pouso ilegal de aeronaves, serão destruídas.

Preocupação

O ex-secretário nacional Antidrogas e especialista em crime organizado, Wálter Maierovitch, disse em entrevista à TV Brasil, que é uma “preocupação” a descoberta pela primeira vez na Planície Amazônica de vários pontos de plantação de coca e um laboratório de produção.

“No Brasil, não é só uma novidade como é uma preocupação. Porque o lado colombiano é a cidade de Letícia e o lado brasileiro é a cidade de Tabatinga. Não existe uma linha de fronteira controlada. As duas cidades praticamente se encontram”, afirmou.

Maierovitch explicou que a folha de coca é da região andina. A partir do momento em que ela sai da região e entra no território brasileiro, pode ser uma estratégia de cartéis de migração da droga para outras regiões. “Pode ser, dentro do campo da geo-estratégia, algo que os cartelitos colombianos já pensam. Porque o governo Uribe já acenou para a política de derramamento, por aviões, de herbicidas, de veneno, em cima das áreas de plantio de folha de coca”, afirmou.

Segundo Maierovitch, há mais de 15 anos, a região de Tabatinga é a grande porta de entrada da cocaína que se dirige ao mercado europeu e ao mercado brasileiro.

“Tabatinga-Letícia é uma dupla mão. Passa a cocaína e retornam os insumos químicos. Porque, para refinar a folha de coca, há necessidade de éter, acetona, enfim, insumos químicos que nenhum país andino, Colômbia, Peru e Bolívia, possui”, disse.

Da redação com informações da Agência Brasil

Por: Redação

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