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A CPT (Comissão Pastoral da Terra) vai recorrer da decisão do Tribunal do Júri de Belém, que absolveu na terça-feira, 6, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, da acusação de ser o mandante do assassinato da freira norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. O recurso será apresentado com o MPE-PA (Ministério Público Estadual) do Pará.

O coordenador da CPT, José Batista Afonso, informou que a entidade trabalha em três frentes para tentar reverter a absolvição de Bida. "Na parte técnica-jurídica, vamos recorrer da decisão junto com o Ministério Público. Numa outra linha, já estamos acionando uma rede internacional de contatos com entidades de direitos humanos para pressionar a Justiça do Pará a julgar logo o recurso", afirmou Afonso por telefone para a Folha Online.

Segundo ele, a CPT avalia ainda a possibilidade de denunciar o governo brasileiro Comissão de Direitos Humanos da OEA (Organização de Estados Americanos) pela situação de impunidade com as vítimas de conflitos agrários. "Só no Pará, contabilizamos 800 mortos. E nenhum mandante está atrás das grades. Existe uma situação de impunidade que não inibe a prática desse tipo de crime", disse Afonso.

O julgamento de anteontem foi o segundo de Bida. No primeiro, em maio de 2007, ele foi condenado a 30 anos de prisão. Como a pena ultrapassou 20 anos de prisão, ele teve direito a um novo júri popular.

Caso Dorothy

Dorothy Stang foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu (PA). Ela foi morta aos 73 anos com seis tiros quando se dirigia a uma reunião com agricultores no interior de Anapu. Ela era americana naturalizada brasileira e atuava havia 40 anos na organização de trabalhadores no Pará.

De acordo com a Promotoria, a morte dela foi encomendada porque a missionária defendia a criação de assentamentos para sem-terra na região, o que desagradava fazendeiros.

Sua morte foi encomendada por fazendeiros pelo valor de R$ 50 mil, segundo as investigações da polícia.

Fonte: Folha Online

Por: Redação

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