Opinião

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Semana passada a sociedade brasileira assistiu atônita a mais um despautério do Supremo Tribunal Federal, que a cada ação se confunde com o Poder Legislativo deixando dúvidas sobre suas verdadeiras funções.

Depois de tantos escândalos de corrupções, atos secretos e falcatruas desvendados pela imprensa envolvendo políticos de toda ordem e grau, incluindo ministros do STF, como o senhor Gilmar Mendes que defendeu de forma “diferenciada” o banqueiro Daniel Dantas, amigo pessoal do Presidente Lula. Depois de uma tentativa frustrada do governo federal de implantar a lei da mordaça, que seria um retorno da censura à imprensa tão usada pelo regime militar e tão criticada pelo PT.

Restou então, aos dirigentes da Justiça da nação, uma estratégia diferenciada, mas não menos ardilosa, para restringir, enfraquecer e denegrir uma classe que estava incomodando e atrapalhando o fluxo do sistema, o temido e importuno “quarto poder”.

Chegaram ao ridículo, digno de um ignorante, de comparar a classe dos jornalistas aos chefes de cozinha, como se houvesse algum ponto em comum entre essas profissões, que merecem cada uma seu devido respeito e espaço. Entre os oito juízes que votaram a favor da não obrigatoriedade do diploma de jornalista, houve um infeliz comentário de que o curso de jornalismo não garantiria a ética do profissional graduado. Será que este senhor acredita que os cursos de direito, medicina ou engenharia têm esse privilégio de garantir a ética e a honestidade aos seus graduados?

É muito claro e absurdo o verdadeiro motivo que levou o STF a votar contra o diploma de jornalismo, pois só os cegos ou idiotas se deixam enganar pelos motivos declarados por eles, quando falam em liberdade de expressão para todos. Voltando a uma estratégia antiga e covarde eles agiram pela velha tática: “se não podes acabar com a praga destrua os ninhos”. São quatrocentos cursos de jornalismo autorizados e esparramados pelo Brasil, que funcionam como incubadoras de profissionais da imprensa que serão arduamente afetados pela decisão do STF.

São mais de oitenta mil jornalistas graduados, muitos pós-graduados, mestres e doutores que tiveram seus esforços profissionais e pessoais desrespeitados pelo Supremo. São mais de quarenta anos de existência do curso de jornalismo deixados de lado para atingirem propositadamente uma classe que descortinou as mazelas da corrupção, do abuso de poder, do enriquecimento ilícito de uma classe blindada pela imunidade parlamentar e de uma falsa democracia contaminada por um socialismo indefinido, mesclado a uma ditadura nacionalista sustentada por um populismo deslavado e apelativo. É desolador observar os representantes do Congresso Nacional assistirem este capítulo vergonhoso da história da democracia brasileira sem tomarem uma atitude, que viesse ao encontro dos anseios e da soberania popular.

É do conhecimento de todos que o resultado de uma pesquisa nacional mostrou que 74% da população brasileira pede pelo profissional de jornalismo com curso superior para receber suas informações de forma técnica e profissional, não feitas por curiosos do impresso ou do rádio e TV que enxergam no jornalismo somente uma forma de buscar lucro, sendo que as técnicas ficam de lado e os fins justificam os meios perdendo a característica de liberdade de expressão e passando a ser uma arbitrariedade de expressão.

Talvez o único ponto positivo desta história será percebido em longo prazo, quando os verdadeiros profissionais, diplomados e merecedores de serem chamados de “jornalistas”, demonstrarem técnica e ideologicamente a que vieram e deixarem bem claro a diferença entre o joio e o trigo.

E com certeza as investigações e averiguações das mazelas e falcatruas dos “politicamente privilegiados” não somente irão continuar, mas serão mais condimentadas, como diria um bom chefe de cozinha.

(Maurício Fenelon)

Jornalista pós-graduado

Professor do Curso de Jornalismo

Centro Universitário UNIRG - TO

 

Por: Maurício Fenelon

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