Polí­tica

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Oprefeito de Santa Fé do Araguaia e presidente da Associação Tocantinense dos Municípios, Valtenis Lino (PMDB), concedeu entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, 19, na qual fez duras críticas à postura do governador e candidato a reeleição, Carlos Gaguim (PMDB).

De acordo com Lino, o governador, através de ações eleitorais, vem prestado “um grande desserviço” ao PMDB e ao seu presidente, o deputado Osvaldo Reis. Valtenis afirmou que Gaguim estaria comprando apoio de lideranças para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Junior Coimbra (PMDB), candidato a deputado federal pela coligação “Força do Povo”.

O prefeito de Santa Fé questionou a influência de Júnior Coimbra na região do Bico do Papagaio, reduto do eleitorado de Osvaldo Reis. “Não acredito que eles sejam tão simpáticos para conquistarem tanta gente em tão pouco tempo”, completou.

Governo paralelo

O presidente da ATM afirmou ainda que o governador tem feito uma espécie de governo paralelo nas cidades nas quais os prefeitos não apóiem sua candidatura. Na ocasião, Valtênis usou como exemplo seu próprio município, Santa Fé do Araguaia.

De acordo com ele, o governo retirou todos os benefícios do programa Pioneiros Mirins na cidade. “Me tiraram tudo, inclusive com demissão de funcionários, quebra de convênios”, informou. Segundo o prefeito, o programa só continua em funcionamento no município, com o auxílio da prefeitura, que mantém o aluguel do prédio e o salário dos 10 funcionários. “Eles só não demitiram a coordenadora”, completou.

O prefeito afirmou ainda que a única instituição estadual que o governo manteve em funcionamento, foi a Polícia Militar da cidade. De acordo com Valtênis, o Estado ainda mantém o aluguel do prédio, o pagamento das contas básicas do destacamento e a alimentação dos policiais.

Perseguição política e entrega de ambulância

O prefeito questionou a entrega de ambulâncias para gestores municipais e vereadores pelo governo do Estado. Segundo Lino, o governo só efetivou a entrega dos veículos depois de críticas levantadas por ele, enquanto presidente da ATM.

Valtênis afirmou ainda que, para aprovar a entrega dos veículos às pressas, ele sofreu pressão por parte de representantes do governo do Estado. Segundo ele, foi colocada em discussão, inclusive, a entrega de um veículo de grande porte ao município de Santa Fé, caso Valtênis não assinasse a autorização de entrega dos veiculos na ATM. “Ou você não quer o ônibus”, foi a condição imposta, segundo ele.

Um dos benefícios que o governo levaria à Santa Fé do Araguaia, segundo seu prefeito, seria uma ambulância. Contudo, Valtênis afirmou que, no momento em que o veículo seria entregue, ele estava em Brasília, tratando de compromissos da ATM. Lino afirmou, porém, que sua esposa teria ficado encarregada de receber o benefício do Estado.

No entanto, a ambulância acabou não sendo entregue, pois, segundo Valtênis, foi exigido que a prefeitura fizesse um seguro para o veículo. “Como é que eu vou fazer um seguro para um carro do Estado?” questionou. Segundo ele o mesmo tratamento não foi despendido a outros prefeitos do Tocantins. “Para a minha esposa falaram uma coisa, para outros, falaram outra”, completou.

Valtênis alegou que é este tipo de ação por parte do governo do Estado que estariam caracterizando uma possível perseguição a ele e a outros prefeitos que não estão na base do candidato Carlos Gaguim. “Os prefeitos comentam esta falta de compromisso”, concluiu.