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Opinião

O Brasil vive um dos melhores – senão o melhor – período econômico de sua vida republicana. Nunca fomos tão exitosos em todas as nossas iniciativas no campo produtivo: a agroindústria ocupando um lugar de destaque no cenário econômico, o comércio vendendo como nunca dantes, o desemprego apresentando números insignificantes, a inflação despencando a cada novo exercício, a infra-estrutura do país passando por notável ampliação e nosso território transformado em um canteiro de obras.

Não foi fácil para o presidente Lula, ao assumir o poder no início de 2003 e encontrar um país dilacerado pela decadência econômica, o sucateamento do parque industrial, a desmoralização das instituições e um descrédito internacional absurdo. A herança do governo de FHC era mais do que maldita: era quase impossível de ser administrada. Pois com talento político, competência gerencial e imensa serenidade, Lula e sua equipe domaram o monstro da convulsão social e econômica e deram partida a um projeto vitorioso de mudança nas bases da então combalida sociedade brasileira. Vínhamos de três quebras sucessivas, quando o Brasil foi à bancarrota e integrou o rol dos países desmoralizados perante o mundo desenvolvido e sem credibilidade perante os mercados internacionais, os investidores e, mesmo, frente à opinião pública mundial.

Mudamos para melhor, para muito melhor. Trocamos a desmoralização pelo prestígio. Deixamos a decadência econômica por um lugar de destaque entre os países que já estão desenhando o século XXI. Se éramos desacreditados sob a égide do governo dos tucanos, com o advento do governo Lula e o seu indiscutível sucesso, hoje somos a aposta certa dos que tem visão e descortino.

O governo do presidente Lula conseguiu a façanha de reativar nossa vida econômica sem reacender o processo inflacionário. Desmistificou a cantilena dos tucanos de que os salários eram geradores da inflação e, portanto, deveriam continuar achatados como nos oito anos de Fernando Henrique , Pedro Malan e José Serra. Lula mais do que dobrou o salário mínimo e nossa economia está distante milhares de léguas do menor sinal de aumento de preços e retorno dos tempos inflacionários do PSDB no governo federal. O presidente Lula, assessorado por Guido Mantega e Henrique Meirelles, tem assegurado política econômica firme e com sólidas bases para que o país siga adiante. Existe uma tranqüilidade do mercado e um nível de confiança da sociedade absolutamente impensáveis nos anos infames do tucanato.

O governo Lula mostrou que a economia pode e deve ir bem conjuntamente com uma sociedade atendida em seus reclamos mais legítimos e em suas necessidades mais evidentes. Essa foi e é a enorme diferença entre os governos do PT e o estilo demo-tucano de administrar: tudo deve girar em torno do objetivo de se governar pelo povo e para o povo, não subordinando a sociedade às metas econômicas emanadas de organismos internacionais como o FMI, mas, sim, das necessidades, anseios e reclamos de nossa população.

É impossível a construção de uma sociedade moderna, justa, democrática e lastreada por economia desenvolvida e pujante, sem que se administre o País com um projeto de Nação, com visão de Estadista e comprometimento com a boa governança. O presidente Lula modificou a face do Brasil, tornando-o mais moderno, mais justo, mais desenvolvido e mais democrático ao realizar tão complexa e necessária equação. Conseguiu angariar prestígio popular inédito com severidade na política econômica. Logrou comandar o maior e mais bem-sucedido processo de redistribuição de rendas sem esgarçar o tecido social ou provocar qualquer ruptura em nossa sociedade. Estabeleceu novos paradigmas na vida social e política, como o de que o Brasil pode e deve estender a mão forte do Poder Público para a cidadania carente, retirando quase 30 milhões de brasileiros da pobreza absoluta e elevando-os à nova categoria social, incorporando imensa massa consumidora à classe média. O humanismo do presidente Lula,coadjuvado por políticas econômicas e sociais realistas e sem vezo demagógico ou eleitoreiro, modificou profundamente as estruturas de nossa sociedade. O Brasil hoje é outro e mudou para muito melhor.

É o caso de se perguntar: qual a razão dos antecessores de Lula não terem operado tamanhas mudanças, tão necessárias para nosso país e seu povo? A resposta é dura, mas é simples: não quiseram, não criaram as condições necessárias, não se dispuseram a incluir socialmente os milhões de irmãos nossos que viviam às margens do processo produtivo, da vida social e política do Brasil. Não acreditaram na força do povo, prestando vassalagem às piores perversões de uma minoria elitista e reacionária, e perderam o bonde da história. Além de atrasarem por algumas décadas o progresso do país latino-americano mais vocacionado para se tornar uma superpotência. Mas isso é passado, e o Brasil é presente e futuro. Futuro, principalmente.

Quem apostar na decadência do país, ou no retrocesso social, quem achar que os brasileiros permitirão que sejam usurpadas as conquistas alcançadas durante os dois históricos mandatos do presidente Lula, estará cometendo grosseiro erro de avaliação. O futuro que se nos apresenta é espetacular e está sendo construído com garra, decisão política e trabalho duro.

Estamos vivendo um processo eleitoral onde é fácil identificar de que lado está a verdade. E por isso Dilma Rousseff teve impressionante e consagradora votação e caminha para a vitória no segundo turno da disputa presidencial. E tão fácil quanto, é enxergar imenso retrocesso nas práticas políticas de nossos adversários, fomentando mentiras, disseminando boatos e reescrevendo biografias com pura lama.

As forças do mal serão derrotadas, como o foram em 2002 e 2006 pelo presidente Lula e seus aliados. O Brasil não pode dar um passo atrás. O Brasil não quer voltar ao desemprego, inflação e endividamento externo. O Brasil não quer retroceder, retornar ao passado e renunciar aos seus melhores anos.

(*) Delúbio Soares é professor

www.twitter.com/delubiosoares