Economia

Foto: www.skyscrapercity.com

O Tocantins, assim como o Brasil, é um Estado com grande potencial turístico-econômico. As belezas naturais do Estado são um atrativo a parte para atrair turistas e fazer mover sua economia, que ainda carece de incrementos nos setores comerciais e industriais e os feriados nacionais, seriam uma boa oportunidade para atrair turistas e investidores.

Contudo, na capital e maior cidade do Tocantins, o que se percebe nas ruas no período de feriado, é o oposto. As ruas ficam vazias e o comércio fechado por falta de movimento e circulação de dinheiro.

Em entrevista ao Conexão Tocantins na manhã desta quarta-feira, 20, a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Palmas, Cleide Brandão, se mostrou preocupada com o excessivo número de feriados prolongados e pontos facultativos que tiram os moradores de Palmas da cidade e, ao mesmo tempo, não atraem turistas para a região. “Todo mundo viajou. Com o ponto facultativo, foi mais um dia que as pessoas poderiam estar gastando na cidade”, disse.

De acordo com a presidente da CDL, em média, entre feriados e pontos facultativos, Palmas perde muito em arrecadações e movimentação comercial. “Todo mês, pelo menos um dia de feriado. Isso traz uma preocupação muito grande”, diz.

Pontos facultativos desnecessários

Com a implementação de pontos facultativos junto aos feriados, normalmente decretados quando os dias em questão ficam entre o feriado e o final de semana, as pessoas podem “emendar” e viajar.

No entanto, esta semana, o governo do Estado tomou uma medida inusitada e decretou um ponto facultativo em um dia que antecedia o feriado e não interferiria na programação de viagens da população. Isso, de acordo com a presidente da CDL, contribui para o esvaziamento da cidade e o esfriamento da economia. “Não existe esta necessidade (de ponto facultativo). Em nenhum lugar do Brasil é feriado hoje”, disse.

Cleide ainda destacou que quando houver a necessidade, ou a intenção de se decretar ponto facultativo, que isso seja feito com antecedência, para que o comércio e as empresas possam se organizar para não sofrer prejuízos. “Isso é algo que não deveria acontecer. Mas já que acontece, deveria ser avisado com antecedência. As empresas podem fazer, por exemplo uma escala de funcionários, uma vez que não há movimento”, frisou.

Campanhas canceladas

Cleide informou que, por conta do esvaziamento de Palmas em feriados prolongados, campanhas de aquecimento da economia local acabam por ficarem inviabilizadas devido à falta de circulação de clientes no comércio.

A presidente destacou, inclusive, que a campanha de páscoa organizada pela CDL, e que já estava em circulação nos meios de comunicação se tornou ineficaz com o feriado. “Era um dia a mais para arrecadarmos e acaba que a ação fica pela metade”, informou.

Negócios parados

A presidente da CDL ainda destacou que, com o fechamento de todos os órgãos públicos nos feriados e pontos facultativos, muitos empresários e investidores que estavam no Estado para realizar seus negócios deixaram o Tocantins por inoperância. “Negócios estavam em andamento e as pessoas tiveram que ir embora por que todos os órgãos públicos estavam fechados”, completou.

Incentivo ao turismo

Mesmo com o potencial eco-turístico do Tocantins - e de Palmas, em especial – uma das modalidades de turismo que tem gerado grande movimentação de dinheiro nas cidades-polo, é o turismo empresarial. Com convenções, workshops, encontros empresariais e feiras de negócios, a economia do município que recebe este tipo de turista tende a crescer e se desenvolver.

No caso da capital do Tocantins, a cidade se torna um potencial receptor de turismo empresarial por estar situada no centro do país, podendo fazer uma ponte entre as regiões Norte e Nordeste do Brasil.

De acordo com Cleide, a cidade poderia receber as convenções empresariais da região, invertendo a situação economicamente desfavorável nos períodos de feriados. “Se nós tivéssemos um Centro de Convenções, quanto não traríamos de divisas para cá?”, questionou.

Vale ressaltar que o Centro de Convenções Parque do Povo, em Palmas, teve suas obras iniciadas a cerca de 8 anos e até o momento ainda não foram concluídas, deixando o espaço incapaz de receber este tipo de evento.

A proposta é unir

Para amenizar os problemas de resfriamento da economia de Palmas com o grande número de feriados, a presidente da CDL frisou que pretende iniciar uma conversa junto ao secretário estadual de Indústria e Comércio, Ernani Siqueira.

Segundo Cleide Brandão, a entidade pretende, neste momento, juntar dados econômicos para poder apresentar uma proposta de parceria entre governo e empresariado. “Para saber como podemos participar deste governo, com nossas ideias”, completou.

A presidente destacou, ainda que a administração pública também perde muito com o excesso de feriados no Tocantins. “O governo perde em impostos. Se não há vendas, não há arrecadação”, disse.