Polí­tica

Foto: Alexandre Amarante

Dados alarmantes sobre a disseminação do uso de drogas no Brasil foi o assunto abordado pelo deputado federal Angelo Agnolin (PDT) em discurso na tarde desta terça-feira, 1º de novembro, na Câmara dos Deputados. Em posse de recente estudo realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), Agnolin disse que é preciso que todas as esferas da sociedade sejam mobilizadas para combater o uso de entorpecentes, cada vez mais presente no ambiente escolar, alertou.

Conforme disse, um mutirão nacional para combater a expansão do consumo de drogas no País é urgente. “É um caso de saúde pública. Um mal que numa velocidade espantosa se transformou em uma epidemia” explanou Agnolin a assegurar que ninguém pode se furtar à discussão, sobretudo, pela gravidade e urgência que o tema se reveste: “Não podemos aceitar a condição de reféns da droga”, disse.

Agnolin alertou que a militarização no combate às drogas está perdendo a batalha em todo o País. “Em muitas situações não são diferenciados: o cidadão, do usuário e do traficante. Quase sempre, o consumidor é visto como cúmplice e não como vítima” admitiu.

Na oportunidade, o parlamentar apresentou dados de estudo da SENAD. A pesquisa revela, conforme o deputado, que 86% dos universitários já fizeram uso de álcool, 47% de produtos de tabaco e 49% de alguma substância ilícita; já 18,7% dos universitários usaram três ou quatro drogas nos últimos 12 meses e 43% relataram já ter feito uso múltiplo e simultâneo de drogas na vida. No Brasil, o último levantamento mostra que 22,8% da população geral fez uso de droga psicoativa.

Agnolin assegurou que apesar de todos os esforços do Governo, é preciso maior empenho e ação. “Não temos onde colocar os dependentes, hoje em número cada vez maior. Faltam profissionais capacitados e os nossos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) atuam em regime precário”. Ele disse reconhecer que o Governo está ciente que o papel do poder público é determinante. “Em uma ponta, o Governo está implantando um sistema mais amplo e permanente de controle das nossas fronteiras, para evitar a entrada de drogas e de armas. Na outra ponta, uma série de ações de prevenção e tratamento ao uso de drogas. Dentre elas, em breve, o CAPS 24 Horas” completou.

“Esse desafio só será vencido se tiver como ator principal, a consciência nacional. E na ação, todos os brasileiros que acreditam que esse não é um problema do governo, do vizinho ou de um desconhecido. Mas sim, de todos nós” finalizou.