Educação

Foto: Cléia Gomes

Os assuntos envolvendo a Educação Indígena no Estado foram discutidas na última sexta-feira, 09, entre representantes indígenas e a Secretaria Estadual da Educação (Seduc). Questões relacionada a obras nas escolas, transporte escolar e formação dos professores foram respondidas pelo secretário estadual da Educação, Danilo de Melo Souza, tranquilizando os indígenas quanto à continuidade das ações nas comunidades. “Nosso foco é otimizar o ensino em todas as escolas, atendendo a cada aluno e professor. Estamos pensado em uma maneira de distribuir melhor os recursos e fazer com que haja qualidade no ensino que é oferecido nessas escolas”, elucidou Danilo.

Em relação à dificuldade de algumas aldeias com o transporte dos estudantes em determinadas épocas do ano, o secretário sinalizou para a possibilidade de realizar as aulas em uma escola itinerante, como um Barco Escola ou Ônibus Escola. Caso a proposta seja implantada, esses veículos serão adaptados para as condições das estradas ou rios e vão levar a escola até os alunos, não permitindo que eles sejam prejudicados no aprendizado.

Na reunião, foram anunciadas três grandes novidades para a Educação Indígena: a proposta de escola nucleada em sistema de alternância e a entrega de laptops e uniformes para os estudante das aldeias. Segundo o secretário Danilo de Melo, em 2012 todas as escolas receberão recurso para o confecção dos uniformes e para pequenos reparos nos prédios. Os netboks, que devem começar a ser entregues nos primeiros meses do ano, fazem parte do Programa Um Computador Por Aluno (Prouca), projeto que vai distribuir para os estudante do campo de todo o Tocantins mais de 70 mil computadores portáteis.

Escolas nucleadas

O modelo de educação nucleada prevê a permanência dos alunos durante dois dias na escola, intercalando com um dia de atividades em casa e outros dois na escola. A metodologia tem como objetivo reduzir o desgaste dos alunos no translado até a unidade de ensino, diminuindo também os custos com transporte, valores que podem ser investidos em outras benfeitorias para as escolas. A implantação das escolas núcleo se dará somente após a apreciação da comunidade local e por adesão. “Temos que atender bem esses alunos que precisam de qualidade de ensino e qualidade de vida, mas não é possível que uma criança acorde de madrugada, fique tanto tempo dentro dos ônibus ou esperando o transporte e chegue à escola cansado, com fome, com sono. Esse é um quadro que compromete a qualidade do aprendizado. Queremos que as comunidades reflitam e vejam o que é melhor para elas. Não podemos chegar para o cacique e dizer aqui não vai ter mais escola. O que estamos propondo é que deixe de ser gasto tanto dinheiro em transporte e que isso seja investido em alimentação adequada e formação dos professores, por exemplo”, explica Danilo.

Na reunião, a subsecretária de Educação Básica da Seduc, Marciane Machado, apresentou a proposta do calendário escolar de 2012 para as unidades de ensino da rede estadual. Nas escolas indígenas, algumas alterações ainda podem ser feitas adequando o calendário à realidade de cada comunidade, como os dias de festa e de rituais. Mesmo podendo realizar ajustes que respeitem as especificidades e tradições de cada aldeia, todas as escolas devem cumprir os 200 dias letivos.

Marciane também prestou esclarecimentos sobre demandas dos indigenas. “Toda a equipe da Educação Indígena está acompanhando as problemáticas trazidas pelas escolas e estamos aqui para apresentar essas respostas”, disse. Segundo ela, as atividades do magsitério indígena terão continuidade em 2012, assim como a formação continuada dos profissionais que já atuam nas unidades indígenas. A subsecretária apresentou, ainda, um relatório do andamento das obras nas escolas e anunciou que a partir do próximo ano serão adotados livros específicos para a Educação Indígena. “A diretoria de Educação Indígena já está trabalhando nessa produção para que em 2012 possamos adotar nas escolas indígenas esse material, que está sendo pensado específicamente para essas comunidades”, anuncia.

Participaram da reunião os representantes da escolas indígenas das etnias Xerente, Karajá, Krahô, Javaé, Apinajé e Krahô-Kanela; o presidente do Conselho Estadual de Educação Indígena, Manoel Malahani Karajá; representantes das Universidades Federais do Tocantins e de Goiás; a superintendente de Gestão de Pessoas da Seduc, Cecília Marques, o diretor de Educação Indígena e Diversidade da Seduc, Maximiano Bezerra; além do Grupo de Tabalho de Educação Indígena.