Polí­tica

Foto: AE

O líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), disse que vai convocar o governador do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), para depor na CPI do Cachoeira. Quase metade do dinheiro do comitê do PSDB, segundo o jornal "Folha de São Paulo", veio de empresários que atuavam em parceria com o contraventor. Do dinheiro usado na campanha de Siqueira em 2010, 98% vieram do comitê.

"Se o governador Siqueira Campos está sendo denunciado pela mídia, por que não convocá-lo?", disse Bueno, que pretende protocolar o requerimento de convocação ainda hoje. "É imprescindível que ele venha esclarecer as suas relações com Cachoeira, pois, afinal, o objetivo da comissão é investigar as relações de Cachoeira com o poder público e com empresários", disse Bueno

Segundo o jornal "Folha de São Paulo", de R$ 10,5 milhões de receita declarada à Justiça Eleitoral, R$ 4,3 milhões (41%) foram doados por citados na investigação da Polícia Federal na Operação Monte Carlo. O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), flagrado negociando com o bicheiro, já foi convocado para depor.

Empresários

Nos grampos da Polícia Federal, Cachoeira diz a um auxiliar ter um encontro marcado com o governador. Siqueira Campos diz que só houve um encontro "fortuito", sem dar detalhes.

Rossine Aires Guimarães, dono de uma construtora, foi o maior doador da campanha de Siqueira, com R$ 3 milhões. Sua convocação pela CPI do Cachoeira já foi aprovada. Segundo a PF, ele e Cláudio Abreu são os principais parceiros de Cachoeira.

Mais requerimentos

O deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ), também protocolou no final de maio, requerimentos que pedem a convocação do governador Siqueira Campos e do secretário de Relações Institucionais, Eduardo Siqueira Campos.

Picciani justifica em seu pedido que o relatório da Polícia Federal teria revelado que o contraventor se aproximou do governo do Tocantins com a intenção de fechar contratos entre o Estado e a Delta Construções. Além disso, o requerimento conta que o governador foi citado em um diálogo entre Cachoeira e Geyb Ferreira, no qual teria sido marcado um encontro com Siqueira Campos para falar sobre Deuselino Valadares, que na época era chefe da Superintendência da Polícia Federal em Goiânia. Deuselino também foi preso na Operação Monte Carlo.

Picciani ainda lembra que o próprio governador Siqueira Campos admitiu ter tido um “contato rápido” com Cachoeira, em 2010, ao visitar o suplente de senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO).

No caso do requerimento que pede a convocação do secretário Eduardo, Picciani justifica que as investigações apontaram que o contraventor mantinha contatos telefônicos com Eduardo Siqueira, pois, em uma das conversas, “Carlinhos diz que estava com Eduardo Siqueira Campos e outras duas pessoas importantes do judiciário em um restaurante”.

Prefeito de Palmas

A CPI do Cachoeira marcou para terça-feira o depoimento de Raul Filho (PT), prefeito de Palmas, que aparece em vídeo gravado pelo empresário Carlinhos Cachoeira pedindo ajuda para sua campanha.

O vídeo foi apreendido durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou a atuação de Cachoeira, acusado de explorar o jogo ilegal e corromper agentes públicos para conseguir contratos para a empreiteira Delta no Centro-Oeste.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), não definiu ainda, porém, quando serão ouvidos o presidente licenciado da Delta Fernando Cavendish e o ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot. (Atualizada às 12h24)