Polí­tica

Foto: Divulgação Ainda no mês de dezembro, reunião da terceira via na Assembleia Legislativa do Tocantins contou com lideranças de vários partidos Ainda no mês de dezembro, reunião da terceira via na Assembleia Legislativa do Tocantins contou com lideranças de vários partidos

A divisão interna no PP já ecoa entre os outros partidos que também integram a terceira via. O PSL, comandado por Cristian Zini Amorim e que tem como pré-candidato ao Governo do Estado o suplente de senador, Marco Antônio Costa, disse ao Conexão Tocantins na tarde desta quarta-feira, 5, que a terceira via pode ser formada sem o PP.

O motivo é a intenção do presidente regional do PP, Lázaro Botelho e do pré-candidato da legenda Roberto Magno Martins Pires de coligar com o PMDB da senadora Kátia Abreu, além da tentativa dos dois de isolar o prefeito Carlos Amastha (PP) que é quem realmente tem liderança, prestígio e poder de transferência de votos dentro da sigla. “Desde o início definimos que o comandante para viabilizar a terceira via seria  o prefeito Amastha por dois motivos: primeiro porque ele conseguiu vencer a eleição de uma maneira brilhante e histórica e segundo porque ele não tem interesse pessoal no processo já que não será candidato. A visão dele é de grupo”, afirmou Cristian Zini.

O presidente do PSL frisou que caso o comando atual do PP não permita que Amastha seja o condutor e além disso faça coligação com outras forças políticas que não pensam igual ao grupo, a terceira via poderá ser formada apenas pelo PSL, PCdoB e PT. “Se o PP não estiver estaremos junto com o prefeito, montaremos a candidatura do grupo com chances reais de disputar uma majoritária. O prefeito tem capacidade de gestão e articulação”, opinou, acrescentando que a gestão de Amastha está refletindo no interior do Estado e que ele é peça fundamental na corrida pelo Palácio Araguaia.

O representante do PSL foi ainda mais contundente: “Se o prefeito entender que não continua no grupo do seu partido, o PSL montará base junto com ele e os outros partidos e iremos para o embate político com o Amastha como o comandante”, frisou. Ele não quis comentar as divergências internas do PP, mas opinou que: “se o PP insistir no atual posicionamento vai perder a maior liderança no Estado que é o prefeito”, disse.

Saída de Borges             

O presidente lamentou ainda a retirada do nome do ex-ministro Luiz Carlos Borges da Silveira como pré-candidato da legenda. “Infelizmente ele teve que sair para cuidar da saúde mas o PSL continua preparando o partido para ter condições de participar da terceira via na majoritária. Já estamos rodando algumas cidades e municípios”, disse.

Nicolau e Amastha

Também do grupo da terceira via, o pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Nicolau Esteves, também disse ao Conexão Tocantins que faz parte do grupo do prefeito Amastha. “Sou muito ligado ao prefeito e faço parte do staff dele. Minha tendência é marchar junto com o Amastha porque sou parte de um projeto dele”, frisou. O pré-candidato disse que torce para que a cúpula do PP e o prefeito se alinhem e que nenhuma decisão seja tomada sem consultar o grupo. “O PP tem pessoas de bom senso e espero que se entendam. O projeto que estamos fazendo tem que estar acima dos problemas pessoais”, frisou.

Nicolau comentou também que concorda com Amastha sobre a rejeição a uma coligação com o PMDB. “Se o Amastha vetar esse acordo com o PMDB estou do lado dele”, frisou.

PP rachado

Há algumas semanas já era evidente o racha no PP entre o grupo do prefeito Carlos Amastha e o atual comando da sigla que tem forte influência do secretário geral Robson Ferreira, que, entretanto, nunca enfrentou as urnas.

Nesta última terça-feira, Amastha foi convidado para uma reunião com o presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira, juntamente com Lázaro Botelho e Roberto Pires, em Brasília. Entretanto, segundo fontes de Brasília, o prefeito teria abandonado mesa de reunião quando foi colocada a perspectiva de uma possível aliança com o PMDB da senadora Kátia Abreu. A informação oficial, entretanto, por parte do prefeito, é que seu voo de ida a Brasília teria se atrasado. O comando regional PP também seguiu nesta linha de justificativa.

Sem a presença do gestor Botelho e Pires conseguiram aval da nacional para conduzir as alianças no pleito. Por outro lado Amastha diz que não vai discordar a posição que a cúpula da legenda tomar mas já avisou que se o PP coligar com o PMDB, sigla que abriga sua maior adversária política senadora Katia Abreu, não participará do processo político.

Antes da reunião com a nacional no dia do evento do PT as divergências ficaram ainda mais claras. Amastha afirmou que o PMDB tinha que se livrar da senadora para depois pensar em aliança com a terceira via. Em seguida no mesmo evento o presidente regional do PP disse que as portas estão abertas para o PMDB. (Atualizada às 15h40)