Opinião

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Em tempos de Natal, volta à sensibilidade, certa saudade que todos sentimos de uma integração espiritual com o próximo – mesmo que esse próximo esteja na África -, com a natureza, com o sentido da vida, e enfim com Deus, para os que nele acreditam.

Numa analogia habitual, podemos considerar essa saudade como um sintoma. E do que seria?

O mundo contemporâneo é extraordinário: distâncias já não existem, o conhecimento expandiu-se infinitamente, as tecnologias garantem mais conforto e vida mais longa, entre tantas coisas.

Mas também, estamos mais perdidos. Estamos inseguros quanto ao futuro do planeta. Conhecemos pouco nossas raízes, nossa ancestralidade. O futuro parece muito incerto. Temos tanta informação que já não sabemos no que ou em quem acreditar. Em poucas palavras, estamos fragmentados, quase estilhaçados.

Essa nostalgia natalina é sintoma de que desejamos uma efetiva integração, um sentido unificador de nossas experiências nesse mundo. A busca por esse sentido unificador de nossa vida no mundo é o que podemos chamar de espiritualidade.

E a importância de uma espiritualidade integral é que, sendo autêntica, ela não nos afastará do mundo e de suas contradições, mas nos dará fôlego humano qualificado para mergulhar nesse mundo, a fim de transformá-lo.

Há os que encontram essa espiritualidade através de uma prática religiosa. É legítimo. Há os que a encontram atuando numa causa humana. E outros a encontram cultivando os valores do bem viver dentro de uma família, de uma vizinhança. Se a busca é sincera, o encontro com a espiritualidade é sempre legítimo.

Os caminhos para uma espiritualidade integradora são complexos e diversos. O encontro com ela é sempre simples. Quanto mais integrados nessa vida, mais simples nos inclinamos a ser. Não é por acaso que aquele que, para os cristãos, simboliza a mais concreta realização de uma espiritualidade autêntica, Jesus de Nazaré, veio nascer num cocho, rodeado pelo céu, por alguns animais e pelos pais, que mal estavam entendendo tudo aquilo que acontecia.

* Prof. Flávio Luís Rodrigues Sousa, doutor em Filosofia e Teologia, Diretor do Colégio Marista Palmas, membro do Conselho Estadual de Educação do Estado do Tocantins. E-mail: diretor.palmas@marista.edu.br

Por: Flávio Luís Rodrigues Sousa

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