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O secretário da Associação União dos Apinajés do Tocantins, Antônio Veríssimo Apinajé, confirmou em entrevista ao Conexão Tocantins na manhã desta quarta-feira, 23, que a etnia também não participará dos Jogos Mundiais Indígenas (JMI) que terão início no próximo dia 23 de outubro em Palmas/TO. “Decidimos que não tem nem sentido participarmos de um evento desses na situação que as terras indígenas estão hoje: nem sequer monitoradas, nem sequer fiscalizadas, sendo invadidas! Como é que o governo vai gastar milhões em um evento desses?! Em um evento midiático, porque para a mídia vai ser bom, vai ser uma coisa extraordinária, agora eu quero saber é se eles vão visitar as aldeias, visitar para saber o que está acontecendo lá de fato, verificar a verdade”, afirmou.

A etnia Apinajé, segundo informou o Comitê Intertribal, foi convidada e aceitou participar dos Jogos após os Krahôs comunicarem a não participação. Porém, segundo Antônio, após a desistência dos Krahôs, o articulador dos Jogos, Carlos Terena, conversou com apenas um cacique Apinajé. “O Carlos Terena visitou as aldeias correndo e nem sequer reuniu todos os caciques, reuniu só um. Ele não ouviu todo mundo, não é dessa forma! Como é um assunto polêmico, tem que passar por todo mundo. Não é um evento para resolver problemas de índio, é para usar a imagem", disse.

De acordo com Antônio, a decisão em não participar dos Jogos veio após assembleia com todos os caciques, professores e outras lideranças na etnia no período de 17 a 21 de setembro. A carta foi assinada por cerca de 70 lideranças. "A carta está aqui! Se algum organizador quiser vir pegar a carta que venha, agora, nós não vamos entregar para eles porque a carta é pública e está assinada pelos caciques. Na organização do evento não foram atrás de nós porque que nós vamos atrás deles para entregar carta pública?!", frisou. 

Em carta, a etnia declara, assim como fez a etnia Krahô, que não permitem o uso indevido da imagem da etnia. "Declaramos que também não aceitamos o uso indevido de nossa imagem e questionamos o apoio e a atenção que outras etnias estão oferecendo a um evento patrocinado pelos governos federal, estadual e municipal, com apoio da ministra Katia Abreu uma inimiga declarada dos povos indígenas", em carta. 

Etnias tocantinenses 

Pelo que parece, o evento que acontecerá em Palmas/TO, terá mais indígenas de outros estados e internacionais do que do próprio Tocantins. Na página dos Jogos é informado as etnias confirmadas e dentre as descritas, do Tocantins, apenas os Karajás, Javaé e Xerente estão inclusos. 

As etnias no Tocantins são: Apinajé, Krahô, Krahô Canela, Karajá, Xambioá, Javaé e Xerente, distribuídas em várias regiões do Estado em 82 aldeias, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai). 

Entenda Mais 

Os indígenas da etnia Krahô do Tocantins foram os primeiros a comunicar a não participação nos JMI. A informação foi confirmada por meio do ofício de n° 03/2015 encaminhado ao articulador dos JMI, Carlos Terena, informando a decisão da União dos Caciques Krahô. Os caciques justificaram que a organização do evento não respeita o povo indígena e ainda, que os organizadores do evento usam o nome e a imagem do povo indígena para se promover.

Segundo informações repassadas ao Conexão Tocantins pelo professor, representante da etnia e um dos organizadores dos Jogos Tradicionais Krahô, Renato Yahe Krahô, os organizadores dos Jogos Mundiais Indígenas não ouviram as comunidades que irão participar e ainda informou que nem todos os indígenas do Estado do Tocantins foram convidados. 

Após a decisão dos Krahôs, o articulador dos Jogos, Carlos Terena, convidou os Apinajés e, segundo havia informado o Comitê Intertribal, a etnia havia aceitado participar. 

Comitê Intertribal 

O Comitê Intertribal informou ao Conexão Tocantins não ter recebido a carta e confirmou que apenas os Karajas, os Javaés e os Xerentes irão participar. (Matéria atualizada às 13h18min de 24/09/15)