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O articulador dos Jogos Mundiais Indígenas, Marcos Terena concedeu entrevista ao Conexão Tocantins neste sábado, 31, na qual fez um balanço do evento que se encerra hoje. Foram mais de dois mil indígenas na capital e 22 delegações internacionais para o evento que celebrou as tradições e cultura indígena. Os nove dias de competições foram marcados por críticas a organização da competição e protestos contra a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) 215.

O primeiro ponto abordado pelo articulador foram os problemas relacionados a estrutura já que chegou a faltar até água para alguns indígenas beberem. “Os grandes eventos sempre tem esses problemas mas os recursos para infraestrutura não foram feitos por nós. Ficamos dependendo do sistema governamental”, afirmou.

A questão da gestão dos recursos para os próximos jogos deve ser um ponto que deve ser alterado. “Não queremos repetir essa falta de compreensão dos setores de que o protagonismo indígena existe”, frisou.

Mesmo com os problemas da organização do evento, Terena afirmou que a cultura indígena ganhou destaque durante o evento. “Palmas está conhecida no mundo todo como uma espécie de capital indígena do mundo. Apesar de tudo, superou através do trabalho e aliança com os indígenas”, afirmou.

Para Terena, o erro começou ao contratar uma empresa que não conhece as tradições indígenas. “Contratar empresa pra fazer ocas já foi o primeiro erro porque as empresas geralmente não tem contato, não sabem trabalhar com os indígenas. Eles cometem o primeiro erro ao substituir conhecimentos indígenas pelos que eles aprenderam nas escolas”, frisou.

Manifestação

Terena avaliou ainda as manifestações que aconteceram durante os Jogos contra a PEC 215. “A gente achou positivo tanto que suspendemos o evento em solidariedade a isso. O detalhe ruim é que esses manifestantes não combinaram com a gente e não respeitaram a regra de conduta. Faz parte de estratégia de quem queria sabotar o evento tanto é que conseguiram entrar na arena e passaram por portões de segurança. Por isso suspendemos o evento, somos contra a PEC, porém, os estrangeiros que vieram se apresentar foram prejudicados, afinal, manifestações não é o estilo indígena”, disse.

A manifestação chegou a interromper a programação de uma das noites de evento.

Um dos questionamentos com relação ao evento é com relação aos recursos que foram liberados para montar a estrutura. O próprio comitê questionou o uso do dinheiro e suspeitas de irregularidades na licitação. Segundo Terena, os órgãos fiscalizadores é que devem averiguar como os recursos foram utilizados.  “Quando apagar o fogo sagrado todas as coisas que passaram deixarão de existir. Se houver fiscalização tem que ser da parte da gestão pública mas não vamos nos meter nisso, esses recursos não foram gerenciados por nós”, frisou.