Opinião

A partir desta semana escreverei sobre o grito dos inocentes. Serão quatro episódios onde mostraremos que o mesmo homem considerado culto e detentor de alta tecnologia faz um tremendo crime contra todos os animais, inocentes vítimas, que vivem no planeta Terra e contra o próprio homem. Neste primeiro episódio quero falar sobre alguns inocentes da água.

A primavera é um período de festas em muitos países, pois simboliza o fim do inverno, mas no Canadá, por exemplo, há outra celebração. Nesta época, as focas grávidas abandonam as águas frias para dar à luz nas praias, onde encontram a morte. É uma tragédia incentivada pelo governo, onde as mães e suas crias são mortas de maneira cruel por caçadores. São mais de 300 mil focas assassinadas durante cada primavera no Canadá, de uma forma cruel, com pauladas no crânio, com tacos de baseball, para não estragar as peles. A seguir as peles são arrancadas dos animais, muitas vezes ainda vivos, que ficam se debatendo até a morte.

O canadense Paul Watson, um dos fundadores do Greenpeace em 1970 e depois do Sea Shepherd (Guardiões do Mar), em 1977, disse que esta é uma das mais cruéis matanças do mundo selvagem.  No Japão, a primavera é marcada com a caça aos golfinhos, onde milhares destes dóceis animais são encurralados em baías e mortos com arpões e machadadas. Muitos são esquartejados ainda vivos e as águas ficam vermelhas pelo sangue dos inocentes. A Sea Shepherd filmou esta tragédia e seus membros foram classificados como terroristas pelo governo japonês, por mostrarem ao mundo esta crueldade. Ao mesmo tempo, nos parques aquáticos, os golfinhos são mostrados como animais inteligentes, amigáveis, curiosos e brincalhões.

Seguindo nossa viagem sobre o grito dos inocentes, chegamos à Dinamarca, no Atlântico Norte, onde acontece anualmente uma cerimônia macabra. É um ritual de iniciação dos jovens que comemoram a entrada na vida adulta, matando de forma selvagem, milhares de golfinhos. O povo se reúne nas praias, para onde os golfinhos são atraídos; em seguida os jovens entram nas águas e matam com os indefesos animais com golpes de arpões e facas. O mar torna-se vermelho, o cheiro de sangue fresco percorre a multidão, que aplaude o espetáculo dantesco. É um baile de debutantes demoníaco, onde no final do dia, milhares de corpos desfigurados ficam apodrecendo nas águas. Eles matam só pelo prazer de matar e pela tradição.

Finalmente chegamos ao norte do Brasil, onde os botos ou golfinhos de água doce, também são mortos de forma desumana, para comercialização de seus olhos e dentes. Os barcos pesqueiros atraem e matam estes seres dóceis e tão citados em nosso folclore. Eles arpoam os bichos e arrancam os olhos e os dentes dos animais vivos; em seguida, são soltos para morrerem nas águas, imaginem de que forma. Os dentes são comercializados nas feiras e mercados de Porto Velho, Manaus, Belém do Pará e muitos outros, para confecção de colares. Os olhos são vendidos como amuletos para trazer dinheiro e mulheres para quem os carrega nos bolsos.

Isto é proibido no Brasil, mas a prática é tão comum que já foi até filmada e mostrada para todo o mundo. Existe até um processo do instituto Sea Shepherd Brasil contra o IBAMA pela omissão sobre este massacre que todos sabem existir e que muitas autoridades fingem não ver.

*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo. Saiba mais em www.facebook.com/celio.pezza

Por: Célio Pezza

Tags: Articulistas, Célio Pezza, Greenpeace