Polí­tica

Foto: Divulgação Senador Ataídes e o juiz Sérgio Moro Senador Ataídes e o juiz Sérgio Moro

“O Brasil não aceita mais o jogo baixo da impunidade e das manobras políticas para salvar os poderosos. Não vamos aceitar um pacote de medidas contra a corrupção completamente desfigurado, nem uma lei de crime de abuso de autoridade votada às pressas, só para atropelar a Lava Jato.” O desabafo é do presidente do PSDB//TO, senador Ataídes Oliveira, que na noite de quarta-feira (30) teve atuação decisiva no Plenário do Senado para impedir que o projeto anticorrupção fosse votado em regime de urgência.

Na sessão temática realizada nesta última quinta-feira, 1° de dezembro, sobre o projeto de lei de crime de abuso de autoridade, Ataídes Oliveira endossou a posição do juiz Sérgio Moro, que também participou do debate. “Ninguém é conivente com abuso de autoridade. Mas daí a criminalizar a torto e a direito juízes, procuradores e promotores, é outra conversa. Não dá para tolher a Justiça, ainda mais em tempos de Lava Jato”, afirmou. 

Sérgio Moro

O parlamentar tocantinense fez questão de cumprimentar pessoalmente Sérgio Moro, ressaltando que “é de gente assim que o Brasil precisa para enterrar de vez a cultura da corrupção e da impunidade”. “Estamos juntos nessa luta. É preciso entender de uma vez por todas que ninguém está acima da lei”, completou.

Ataídes Oliveira considerou, ainda, que atropelar a vontade do povo é, no mínimo, suicídio político. Na véspera, ele chamou atenção ao alertar o presidente do Senado, Renan Calheiros, de que, se o projeto anticorrupção fosse votado da maneira como veio da Câmara, nenhum senador poderia mais sair às ruas, “porque vai ser todo mundo apedrejado”.

A expectativa do presidente do PSDB/TO é que o debate sobre o combate à corrupção seja retomado a partir do PLS147/2016, apresentado por ele com as mesmas dez medidas contra a corrupção propostas originalmente pelo Ministério Público e depois desfiguradas na Câmara. O projeto de Ataídes Oliveira está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.