Polí­cia

Foto: Divulgação Local onde a vítima foi agredida Local onde a vítima foi agredida

Foi sepultada na manhã desta quarta-feira, 12, por volta das 8 horas, no cemitério público de Araguaína/TO, no setor Monte Sinai, a travesti Vitória Castro, de 36 anos. Ela teve a morte declarada na segunda-feira, 10, quatro dias após ter sido vítima de agressão, quando foi encontrada desacordada, após sofrer pancadas na cabeça, que provocaram múltiplas fraturas em seu crânio. Desde então, Vitória estava internada no Hospital Regional de Araguaína, com edema e hemorragia cerebral, vindo a óbito na segunda-feira.

Conforme informações do site AF Notícias, de Araguaína, familiares, amigos e representantes da Associação das Travestis e Transexuais do Estado do Tocantins (Atrato) fizeram um cortejo do Instituto Médico Legal até o cemitério, onde ela foi enterrada. Ainda conforme a reportagem, a identidade do agressor ainda não foi identificada.

Por meio de sua página na rede social Facebook, o vice-presidente da Atrato, Fernando Vieira, informou nesta quarta-feira, 12, que a entidade acompanhou o caso desde o momento em que Vitória deu entrada no hospital, na madrugada de quinta-feira. Segundo ele, um dos fatores  complicadores do caso foi o fato de Vitória não possuir os documentos pessoais. “Demorou muito para a gente poder acionar a Defensoria Pública, que nos ajudou em todos os momentos. A falta da documentação provocou demora na liberação do corpo do hospital para o IML”, relatou.

De acordo com informações da Defensoria Pública do Estado do Tocantins, a vítima vivia em extrema situação de pobreza e dependência química, não tendo sido encontrados, portando, documentos pessoais no momento do crime. Informou também que, devido à falta de condições financeiras dos familiares, também foi necessário acionar o poder público para viabilizar um auxílio funeral.

De acordo com o Instituto Médico Legal de Araguaína, o corpo de Vitória deu entrada às 9h55 dessa terça-feira, 11; ficando liberado para ser enterrado a partir das 12h30 de ontem. Porém, de acordo com Fernando Vieira, houve “um erro gravíssimo” na condução dos procedimentos por parte do Hospital Regional de Araguaína, que teria demorado em fazer contato com os familiares para que os procedimentos de velório pudessem ser adotados.

“Ontem, o juiz expediu o alvará para ela poder receber o caixão social da Prefeitura e o terreno para poder ser sepultada. O hospital recebeu às 14h essa autorização e a assistência social do hospital só informou à família mais ou menos 17h40, onde o corpo já se encontrava a quase 24h em óbito e já estava em estado de decomposição. Isso culminou com que a família não tivesse tempo para fazer o velório”, afirmou.

A entidade afirmou que buscará junto à Defensoria Pública, uma explicação do Hospital Regional de Araguaína acerca dos motivos da demora em avisar à família da decisão. “Existe um serviço de assistência social nos hospitais justamente para que esses casos não ocorram. E no caso da Vitória, nós vemos aí uma grande negligência”, disse.

O vice-presidente da Atrato também fez um alerta. “Com todo esse caso, nos faz pensar na vulnerabilidade que as pessoas trans e travesti estão passando no Brasil, principalmente as que estão em contexto de prostituição”.

O defensor público Sandro Ferreira, coordenador do Núcleo de Apoio das Minorias e Ações Coletivas (Nuamac) também apresentou reflexão sobre a ocorrência que vitimou a travesti. "Os fatos que aconteceram com a Vitória retratam bem a tragédia que essas pessoas vivenciam, em que o pobre é excluído dos serviços públicos. Sofre um preconceito ainda maior quando é uma pessoa que assume sua identidade de gênero diversa do “tradicional”. Ela foi espancada quase até a morte, vindo a falecer no hospital. Quando ela faleceu, novamente o Estado não foi capaz de dar um atendimento digno a ela”, protestou Ferreira.   

Sesau

A Secretaria de Estado da Saúde informou por meio de nota que logo após o Serviço Social do Hospital Regional de Araguaína (HRA) ter ciência do óbito na noite de segunda-feira, 10, entrou em contato com familiares da paciente às 20h55 quando solicitaram que se dirigissem ao hospital. Contudo, familiares só estiveram na unidade às 9h10 da manhã de terça-feira, 11, quando, seguindo os protocolos, o corpo foi liberado para o Instituto Médico Legal (IML). (Matéria atualizada ás 08h33min)