Polí­tica

Foto: Divulgação Gleyde Braga Ribeiro posicionou-se contrária à decisão do Congresso Estadual do PT Gleyde Braga Ribeiro posicionou-se contrária à decisão do Congresso Estadual do PT

O Congresso Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins, realizado no último sábado 6, e domingo, 7, além de eleger o deputado estadual José Roberto Forzani para comandar a legenda no Estado, deliberou, entre outras coisas, que os filiados ao partido que compõem o Governo Marcelo Miranda (PMDB) terão um prazo de 30 dias para entregar os cargos. A decisão marca o rompimento do PT com o governo do PMDB no Tocantins.

Hoje, no Executivo, o PT comanda a Secretaria de Estado de Cidadania e Justiça e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins). Na Educação, a sigla está à frente das Escolas Família Agrícola (EFAs), cujas unidades estão localizadas nas regiões Sul do Estado e Bico do Papagaio; e no Procon, tem filiados ocupando chefias de unidades e gerencias.

Em entrevista ao site Conexão Tocantins, a secretária de Cidadania e Justiça, Gleyde Braga Ribeiro, posicionou-se contrária à decisão do Congresso Estadual e informou que a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que disputou e perdeu o comando do PT no final de semana, ingressará com um recurso junto à direção nacional petista, com o propósito de reverter a decisão e permitir que o partido continue integrando o Governo do Estado.

“O PT hoje tem uma grande responsabilidade no Tocantins com as políticas públicas em andamento e a saída do partido provocaria um impacto significativo na condução deste trabalho. Exemplo disso é o Ruraltins e a política de assistência ao trabalhador rural. Da mesma forma, os sistemas penitenciário  e socioeducativo, as políticas de direitos humanos, sobre drogas, concurso em andamento. Hoje, temos mais de R$ 40 milhões para serem investidos em infraestrutura do sistema penitenciário. Considero uma irresponsabilidade sair do governo neste momento”, afirmou Gleyde.

Ela criticou a postura do deputado José Roberto no parlamento estadual, especificamente quanto às críticas do petista ao governo Marcelo Miranda, considerando que estas deveriam ser substituídas por ação em prol do Estado.

Questionada se tem planos de deixar o PT, caso a nacional mantenha a decisão do Congresso Estadual, Gleyde disse que está focada em reverter a situação e que qualquer outra decisão será tomada de forma coletiva. “Eu nasci no PT. Meus pais ajudaram a fundar o partido. Me filiei aos 16 anos de idade. Com todos os acertos e erros, eu continuo acreditando no PT. Eu vou lutar, recorrer desta decisão e, se não for possível, vou conversar com os meus companheiros, porque eu não estou sozinha”, disse.

Por meio da assessoria de imprensa, José Roberto argumentou que o rompimento com o Governo do Estado se dá por se tratar “de um governo inerte, que não diz a que veio e desrespeitoso com a classe trabalhadora”.

Gleyde Braga rebate afirmando que trata-se de um projeto de governo com resultados positivos em diversos campos, citando como exemplo que, enquanto outros estados estão parcelando salários de servidores, o Governo do Tocantins paga em dia, manteve os concursos da Polícia Civil e Cidadania e Justiça e tem pago os fornecedores. “Eu gostaria que o deputado entendesse que as políticas públicas são mais importantes que as disputadas partidárias”, disse.

Gleyde ainda fez questão de destacar que nomeação e exoneração são de competência do governador. “Se ele achar por bem avaliar esse momento, tem toda a liberdade para tomar qualquer decisão. Eu tenho demonstrado ao governador que meu compromisso é com as políticas públicas que precisam ser executadas em prol do Estado”, concluiu. 

Congresso do PT

Durante o Congresso do Partido dos Trabalhadores, Zé Roberto foi eleito presidente do diretório estadual do partido com 58,07% dos votos, vencendo a disputa contra Domingos Santos, da CNB, que recebeu 41,93% dos votos válidos. Ao todo, foram 282 votos, contando com nulos e brancos. Na ocasião, também foram eleitos os delegados para o congresso nacional, e a tese guia que trata sobre as diretrizes do partido,  na qual está estabelecida oposição ao Governo Marcelo Miranda e o pedido de exoneração de todos os cargos de confiança no prazo de 30 dias para os governos do Estado e Federal.

Ainda por meio da assessoria, Zé Roberto falou sobre os desafios do novo mandato. “Agora temos a responsabilidade de preparar o partido para o enfrentamento, para a disputa eleitoral de 2018 e para a retomada da organização partidária, financeira e da formação política”.