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A empresa Valor Logística Integrada (VLI) - responsável pelo controle da Ferrovia Norte-Sul -, informou na tarde desta segunda-feira, 9, que tomará providências judiciais para obter no menor espaço de tempo a reintegração do trecho da ferrovia interditado desde a madrugada de hoje por famílias camponesas e remanescentes de quilombo. "A obstrução de ferrovia federal é crime", frisa. 

A empresa informa que representará perante o Ministério Público Federal para que sejam apurados os autores do bloqueio e "seus financiadores". A empresa afirma que buscará a reparação de todos os seus prejuízos perante os responsáveis. 

Famílias camponesas, unidas na articulação de luta pela terra e defesa dos territórios no Tocantins, representando comunidades de Araguaína, Babaçulândia, Bandeirantes, Barra do Ouro, Campos Lindos, Darcinópolis, Goiatins, Palmeirante e São Bento, estão em protesto contra a omissão dos órgãos de âmbito federal (Incra, Programa Terra Legal, Ibama) e estadual (Instituto de Terras do Tocantins e Naturatins).

Segundo a VLI, a ferrovia foi invadida no km 421, próximo ao município de Palmeirante/TO. "Os invasores, de forma irregular e ilegal, ocuparam a linha férrea e colocaram obstáculos sobre a via, impedindo a circulação de trens", frisou a empresa. 

A empresa justifica que a invasão não tem qualquer relação com a Ferrovia Norte Sul, pois os manifestantes estão exigindo ações de órgãos estaduais e federais para investimentos nas comunidades campestres. "A situação é inaceitável e prejudica a atividade da empresa e dos usuários do transporte de cargas no corredor Centro-Norte, que engloba os estados do Tocantins e Maranhão", pontua. 

Entenda 

Famílias camponesas e remanescentes de quilombo, unidos na articulação de luta pela terra e defesa dos territórios no Tocantins, representando comunidades de Araguaína, Babaçulândia, Bandeirantes, Barra do Ouro, Campos Lindos, Darcinópolis, Goiatins, Palmeirante e São Bento, interditam desde a madrugada desta segunda-feira, 9, trecho da Ferrovia Norte-Sul como forma de protesto contra a omissão dos órgãos de âmbito federal (Incra, Programa Terra Legal, Ibama) e estadual (Instituto de Terras do Tocantins e Naturatins).

Em nota de esclarecimento encaminhada à imprensa, os manifestantes informam o desinteresse dos órgãos públicos. Entre 2015 e 2017, foram mais de 20 reuniões junto a Incra, Programa Terra Legal e Itertins - Instituto de Terras do Tocantins - para tentar solucionar problemas envolvendo diversas comunidades das regiões Central e Norte do Estado. No entanto, em meio às inúmeras promessas, pouco foi feito até aqui", informam na nota. 

Reflexo desse desinteresse, segundo a nota, pode ser constatado no exponencial crescimento dos conflitos por terra registrado no Tocantins atualmente. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2016 houve um aumento de 206% no do número de conflitos agrários se comparado a 2015. No ano passado, foram três assassinatos no campo e 105 ocorrências de conflitos, além de duas tentativas de homicídio envolvendo agricultores familiares, sete ameaças de morte e 11 agressões físicas.