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O deputado federal Irajá Abreu (PSD-TO) foi o único parlamentar tocantinense a votar a favor da admissibilidade da denúncia contra Michel Temer para que o Supremo Tribunal Federal (STF) pudesse processa-lo por formação de quadrilha e obstrução a justiça, juntamente com os seus ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Irajá Abreu manteve a mesma postura da primeira votação, em que votou pela autorização da investigação do presidente. “Em respeito a vontade de 95% dos brasileiros e por coerência, sou favorável as investigações do presidente Michel Temer, o meu voto é sim às investigações e não ao relatório”, declarou. 

Por maioria, foi rejeitado o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o presidente da República, Michel Temer. Foram 251 votos contrários à autorização para investigação, 233 votos favoráveis e duas abstenções.

Dos oito tocantinenses, votaram contra a admissibilidade da denúncia os deputados Dulce Miranda (PMDB), Lázaro Botelho (PP), Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM), Carlos Gaguim (Podemos), César Halum (PRB) e Vicentinho Júnior (PR). 

A parlamentar Josi Nunes (PMDB) decidiu não votar e não compareceu à sessão de votação. De todos, César Halum foi o único a mudar o voto em relação à primeira denúncia, quando apoiou a investigação do presidente.

Denúncia

No dia 14 de setembro, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Em junho, Janot havia denunciado o presidente pelo crime de corrupção passiva.

Desta vez, Temer é acusado de ser o líder de uma organização criminosa desde maio de 2016 até 2017, segundo a denúncia.

De acordo com a denúncia, o presidente e outros membros do PMDB praticaram ações ilícitas em troca de propina, por meio da utilização de diversos órgãos públicos. Além de Temer, são acusados de participar da organização criminosa os integrantes do chamado "PMDB da Câmara": Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

A acusação aponta que os denunciados receberam pelo menos R$ 587 milhões de propina. No esquema, Temer seria o responsável por negociar cargos de órgãos públicos, como a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e Furnas, que seriam ocupados pelos acusados em troca de apoio à base do então governo. Na denúncia, Janot cita que a organização contaria com a participação de integrantes do PP, do PT e do PMDB no Senado.

Em relação à denúncia de obstrução da Justiça, Janot diz que o presidente teria incentivado os executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, a pagar vantagens a uma irmã do doleiro Lúcio Funaro para evitar que ele firmasse acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal.

Os empresários e o doleiro são denunciados pela tentativa de impedir as investigações sobre a organização criminosa. Funaro acabou firmando acordo com os investigadores, que se basearam nas informações de sua delação para elaborar a denúncia contra Temer e os demais.

Todos os denunciados negam as acusações.  (Da redação com informações EBC)