Esporte

Foto: Divulgação

A capital do Tocantins, Palmas, está testemunhando uma confraternização entre povos indígenas presentes nos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), que reforçam os laços de parentesco e amizade, ao mesmo tempo em que firmam sentimentos de união entre raças geograficamente distantes e distintas, e compartilham sabedoria e costumes. Além disso, todos, povos indígenas e não indígenas, têm seus direitos humanos amparados nos JMPI.

São visíveis as demonstrações de felicidade e respeito entre atletas e familiares nativos e de várias partes do mundo, em uma miscelânea de povos, culturas e línguas. A reciprocidade e o carinho do público com os indígenas tem se manifestado em todos os momentos dos jogos, numa interação de conhecimentos e diversidade de pinturas, adereços e comportamento.

Esta satisfação e interesse foram observados pela paulista de Votuporanga, Euza Maria de Camargo Franco, em visita à feira de artesanato montada na grande arena. “É oportunidade belíssima de conhecimento e está clara a importância dada aos irmãos indígenas e sua riqueza de expressões”, disse.

Indagando sobre a atuação dos voluntários “amarelinhos” (referência aos coletes amarelos que são usados por profissionais da Agenda de Convergência de Proteção dos Direitos Humanos nos JMPI), que rondam os diversos locais onde acontecem as competições, levando informações e apoiando quando necessário, a visitante elogiou o trabalho. “São porta vozes daqueles que não têm voz”, referindo-se a idosos, crianças, jovens, indígenas e outros públicos vulneráveis, que tenham seus direitos colocados em cheque.

Opinião compartilhada por Josabete Dantas e Ana Raimunda, autônomas moradoras da Capital que, extasiadas com a riqueza da ornamentação e com o colorido dos enfeites que adornam os indígenas, pretendem trazer mais familiares para assistirem as diversas competições.

O servidor público Marcos Miranda levou a esposa e o filho para visitar o espaço dos jogos e não se decepcionou.  “Sem dúvida este encontro é o principal evento indígena do mundo, momento histórico de união de todas as culturas indígenas do nosso planeta”, disse. “Fiquei impressionado com a educação, inteligência, alegria e afeto com que os índios estão nos recebendo, um exemplo de humanidade, dignidade, organização e de respeito a outras culturas.”

No passeio entre os diversos pontos da arena dos jogos mundiais, sempre com olhar de observador, Miranda declarou sua satisfação em ver “índios atualizados, conectados, com convicções e ideais políticos, empreendedores, solidários e militantes pela causa ambiental”. Acompanhado no roteiro pelo filho de 8 anos acrescentou ser este momento importante para conscientização das futuras gerações na valorização dos povos tradicionais.

Satisfação

Professor da língua Tupi e pajé da tribo em Baía da Traição, na Paraíba, Isaías Potiguara, do povo Potiguar, expõe na 2ª Feira Nacional de Agricultura Tradicional Indígena (Fenati), um dos módulos organizados no espaço dos Jogos. Dois dias após a abertura do evento está satisfeito porque recuperou seus produtos de venda (sementes, ervas, colares, mel e outras peças de artesanato), atrasados na entrega pela empresa aérea que o trouxe e a seus conterrâneos ao Tocantins. Feliz e tranquilo “esperando tirar o prejuízo” demonstrava sua satisfação em estar participando do encontro, “ocasião em que se nota o compromisso e a solidariedade entre os irmãos”, frisou.

Isaías é um dos indígenas felizes por estar ao lado de povos remotos vindos da Etiópia, Rússia, Mongólia, Estados Unidos, Guatemala, Equador e mais tantas etnias que valorizam este momento de entrosamento único.  A assistente social do Governo do Tocantins, atuando na área de Direitos Humanos Secretaria de Defesa e Proteção Social (Sedeps), Salete de Castro, e a universitária voluntária na Agenda de Convergência, Raissa Barcelos, acompanharam a situação que incomodou o índio potiguar com o atraso da bagagem e produtos para comercialização. No estande, após a normalização, explicaram que a aglomeração de culturas, linguagens e diversidade de raças são razões válidas para que se conscientizem os visitantes sobre seus direitos e vulnerabilidade. A Agenda de Convergência exerce este papel nos Jogos Mundiais, complementou Salete.

Intervenções

Entre tantas belezas físicas, artesanais e esportivas um evento grandioso como os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas pode ocasionar situações contrárias ao conteúdo do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e ao Plano Nacional de Direitos Humanos III (PNDH). O olhar do público visitante, principalmente o masculino, é muitas vezes atraído pela beleza plástica de jovens semivestidas, de acordo com a liberalidade adotada nas aldeias, e podem provocar cenas de constrangimento, sendo necessária a intervenção dos voluntários.

Outra cena de irregularidade encontrada e orientada pelos voluntários da Agenda de Convergência é o trabalho infantil, onde crianças de pouca idade como o índio Karajá-Xambioá, de apenas 8 anos, que em sua inocência lúdica, pinta visitantes e cobra um valor, sendo necessário um diálogo com os pais para resolver a questão.  A secretária de Defesa e Proteção Social, Gleidy Braga tem se posicionando de maneira firme a favor de atitudes de prevenção contra a violência e a violação dos direitos humanos, em especial aquelas em situação de vulnerabilidade.