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Foto: Clayton Cristus Da (E/D) Halum, Paulo Roberto e Agnolin; deputados se despediram do DEM nesta terça Da (E/D) Halum, Paulo Roberto e Agnolin; deputados se despediram do DEM nesta terça

As discordâncias entre dirigentes partidários do Partido Democratas (DEM) e a bancada parlamentar ressoaram nos debates da Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira, dia 29. A razão que levou alguns deputados a saírem da sigla foi o tema dos pronunciamentos emocionados, especialmente no caso de três dos quatro representantes do DEM na Casa de Leis.

O deputado César Halum lamentou sua saída da sigla no qual, há 21 anos, vem exercendo todos os mandatos de sua carreira política. “Gostaria de que alguém pudesse permanecer no partido por nele se sentir bem e não por temor de cassação de mandato”, comentou. Ele anunciou ainda que, na próxima sexta-feira, dia 2, vai se filiar ao Partido Popular Socialista (PPS), na Câmara Municipal de Araguaína.

Em seu último discurso antes de aderir ao Partido da República (PR), o parlamentar Paulo Roberto expressou seu descontentamento ao afirmar que os deputados estão pagando um preço alto por suas atitudes, coragem e responsabilidade. “A história vai dizer que estávamos certos”, concluiu Paulo Roberto.

O deputado Angelo Agnolin também criticou a cúpula estadual do Democratas por fazer oposição ao governo interino. Segundo ele, “o Tocantins precisa que seus líderes se unam para enfrentar este momento difícil e, não, que utilizem os partidos como instrumentos de coação”. O parlamentar anunciou que retornará ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) para não se “ajoelhar diante da indignidade”.

Durante e após os discursos, os deputados receberam manifestações de apoio dos colegas parlamentares, como do presidente interino do Parlamento, deputado Júnior Coimbra (PMDB), que parabenizou os pela coragem. “Deve haver algum erro, quando o partido perde 100% (50%) de sua bancada federal e 75%, da estadual”, comentou Coimbra.

Um caso à parte

Em uma situação diferente dos Democratas, que decidiram se retirar da sigla por discordar das posições da liderança, o parlamentar Manoel Queiroz comentou da tribuna sua expulsão do Partido dos Trabalhadores, ocorrida no último domingo. Queiroz afirmou ser vítima de perseguição de um grupo dentro da própria sigla e avisou que ainda não se decidiu em que partido vai ingressar.

Nota

Depois de anunciarem que estavam se desfiliando do Democratas, os deputados César Halum, Ângelo Agnolin e Paulo Roberto publicaram nota informando os motivos da atitude. Confira a seguir.

 

Nota

Os deputados estaduais César Halum, Ângelo Agnolin e Paulo Roberto, em respeito ao povo que representam e às lideranças que os apóiam nas dezenas de municípios tocantinenses, vêm a público informar que:

• a decisão de desfiliar do DEM é tomada com profundo sentimento de dor, mas está pautada na honra e no respeito ao povo tocantinenses,

• por inúmeras vezes os parlamentares receberam respostas negativas quando solicitaram reunião com o Diretório Regional do partido Democratas para discutir sobre a situação política do Estado e/ou qualquer outro assunto de interesse comum,

• pela autoridade imposta dentro do partido, resultando no grave cerceamento e em discriminação,

• pelo favorecimento de algumas pessoas dentro do partido, impedindo o trabalho representativo dos parlamentares, os excluindo do horário gratuito reservado ao partido em rede de rádio e televisão,

• ausência de convenções e encontros nos municípios,

• falta de orientação para a atuação da bancada na Assembléia Legislativa,

• isolamento dos prefeitos e vereadores correligionários,

• e , por fim, impedimento do partido crescer por meio de composição da chapa majoritária que concorrerá à eleição indireta, marcada por determinação do Tribunal Superior Eleitoral,

• somos deputados eleitos pela legitimidade do voto popular, real e sólida prática da verdadeira democracia, e por vários anos nos dedicamos à vida pública, queremos continuar servindo ao povo que nos confiou o mandato e assim deixamos o Democratas conscientes e livres para trabalhar.

Os motivos culminam com o entendimento de colocar a população tocantinense em primeiro lugar, visto que esse mesmo povo não precisa sofrer com a falta de apoio ao seu governante e com as conseqüências de atos políticos de interesse próprio.

Dep. César Halum

Dep. Ângelo Agnolin

Dep. Paulo Roberto

Palmas, 29 de setembro de 2009."

 

Da redação com informações Dicom/AL

Atualizada às 12h26 do dia 30/09/2009