Opinião

Foto: Divulgação Francisco Campos de Souza é servidor público estadual Francisco Campos de Souza é servidor público estadual

“ E não nos deixeis cair em tentação...” Pois é, esta frase que é parte de uma oração ensinada por Jesus, resume um fato intrigante na história política do Tocantins. Pasme, o bispo de Porto Nacional, Dom Romuald Kujawski era servidor comissionado do Governo do Estado, sendo exonerado pelo ato no Diário Oficial nº 3304, de 19 de janeiro deste ano.

O Bispo, além de comissionado era “fantasma”, pois não há relatos de seus serviços no Palácio do Governo, mais precisamente no Gabinete do Governador onde era lotado e recebia um valor mensal de R$ 1.800,00 pelo cargo de Assessor Superior – DAS – 3.

O curioso de tudo isso é perceber que Estado e Igreja andam juntos, o que não é mais aceitável em nossos dias, muito menos receber dinheiro do governo sem trabalhar.

A constituição Federal é clara em definir o Estado Laico, também conhecido como Estado Secular que é aquele que não possui uma religião oficial, mantendo-se neutro e imparcial no que se refere aos temas religiosos. Geralmente, o Estado laico favorece, através de leis e ações, a boa convivência entre os credos e religiões, combatendo o preconceito e a discriminação religiosa.

Os valores primaciais do laicismo são a liberdade de consciência, a igualdade entre cidadãos em matéria religiosa e a origem humana e democraticamente estabelecida das leis do Estado, o que não vem a ser neste caso.

Na história da Igreja, temos inúmeros casos de clérigos que misturavam sua atuação religiosa com a administração pública e os resultados foram trágicos.

Por fim, lembrei de uma canção de Jorge Ben(jor), na qual ele diz:

Se o malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só de malandragem...

(Francisco Campos de Souza) é Pioneiro, servidor público estadual, Formado em Direito e com especialização em Ciência Política. (fcamposdesouza@gmail.com)