Polí­tica

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O coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff no Estado, prefeito de Colinas do Tocantins, José Santana Neto, informou em entrevista ao Conexão Tocantins que a previsão é fazer uma passeata grande em Palmas e outras cidades do Estado há dois dias do fim da campanha. Segundo o coordenador a orientação nacional que está sendo feita em todos os municípios é a visitação domiciliar e realização de eventos pequenos acompanhando os setores das cidades.

Na capital, Santana disse que conta com o apoio do prefeito Carlos Amastha (PP) no seu campo, mas não para evento conjunto, “inclusive ele está tentando organizar um evento que nós estamos aplaudindo”, disse.

O coordenador falou sobre o fato do prefeito não estar atuando em conjunto com a coordenação depois do desencontro que aconteceu no início da campanha, quando a coordenação trouxe o ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, para participar de um comício no setor Taquari, na região sul de Palmas, com as presenças do então candidato a governador, Marcelo Miranda (PMDB) e da candidata à reeleição ao Senado, Kátia Abreu (PMDB), ambos adversários do prefeito, que, durante a campanha, apoiou a reeleição do governador Sandoval Cardoso (SD) e para o Senado, Eduardo Gomes (SD), ambos derrotados ao final do pleito no primeiro turno. “Ele disse que não quer tratar mais com este grupo da coordenação, para mim não tem problema. O que nós queremos na coordenação é o voto, é o apoio, nós o queremos na campanha”, disse Santana.

Santana disse que a distensão no caso da vinda do ministro foi pontual. “O Amastha já manifestou que quer fazer um evento aqui em Palmas. Mesmo que não fizer a gente sabe que ele está fazendo o trabalho dele, embora de bastidor. O que importa para a coordenação de campanha é que as pessoas estejam envolvidas e estejam ajudando, não precisa ostentar, nós queremos é ganhar as eleições”, pontuou.

Ainda segundo o coordenador, a orientação nacional tem sido verticalizada no Tocantins e não há uma força política deixando de seguir. “Vejo que isto foi o que levou ao resultado da presidente Dilma no primeiro turno, nós conseguimos acima de 50% de votos aqui no Estado”, afirmou José Santana.

Indagado se o percentual de votação no primeiro turno não teria sido pequeno em função da quantidade de obras e benefícios sociais que o Governo Federal tem propiciado ao Estado, José Santana disse que a votação não foi pequena. “A votação dela foi maior que a dos demais (candidatos). A gente enfrentou um processo eleitoral bastante ideologizado. Onde a gente verifica que o segmento que tem a maior participação do PIB do Estado tem disposição de fazer uma disputa bastante dura para garantir a eleição do seu candidato, o Aécio”. Segundo o coordenador, o segmento de maior participação no PIB ao qual ele se refere são os comerciantes e proprietários rurais.

Sobre o fato da senadora Kátia Abreu mesmo sendo a principal liderança do meio rural do Estado, não conseguir manter uma maior influência sobre o segmento na transferência de votos, Santana disse que a disputa é ideológica. “Eles respeitam, votam na Kátia Abreu, mas não tem disposição (para seguir o voto da senadora). O prazo para discutir a importância do governo Lula e governo Dilma para o agronegócio foi muito pequeno. A disputa ideológica não se desfaz apenas com benefícios tem que ter um tratamento mais profundo acerca das diferenças”, salientou o coordenador.

Prefeitos

José Santana afirmou que no Tocantins a presidente Dilma está muito bem posicionada e quem ainda está dando uma sobrevida para seu adversário no Estado são os prefeitos. Recentemente, no começo do segundo turno, 104 prefeitos assinaram manifesto de apoio ao tucano. “Prefeitos são muito importantes e são eles que estão dando sobrevida à candidatura de Aécio, não fosse, não teria como sobreviver”, observou.

O coordenador disse que viu com preocupação a movimentação dos prefeitos. “Porque a candidatura do Aécio não constrói um elemento de comparação ou de perspectivas futuras, fala da ambulância, mas não fala no que muda e se atem a fazer críticas ao atual Governo. Isto não convence a ninguém e se não tiver dirigentes para fazer a defesa dele nas bases o voto não vai! aqui no Tocantins ele não tem realização, não tem razão de o povo votar. Então, quem está dando sobrevida a ele são os dirigentes municipais, o que vejo com tristeza”.

Segundo José Santana, os dirigentes municipais não tem razão para ficar contra a candidatura da presidente Dilma. “Eu fui prefeito nos dois governos do presidente Lula e do presidente Fernando Henrique e passava metade do trabalho como prefeito atendendo população que pedia alimentos. A maior parte dos municípios do Tocantins não tem condição de comprar uma máquina de grande porte e hoje todos tem boas máquinas de grande porte doadas pelo Governo Federal. Na história do País isto não havia acontecido nenhuma vez”, salientou.

Refundação da Federação

O petista também criticou a mensagem do candidato tucano aos tocantinenses no início do segundo turno, quando o mesmo afirmou que é preciso “refundar a federação”. Segundo José Santana, a federação está fundada em suportes muito sólidos. “A federação está muito bem dividida entre os três poderes, estados e municípios. O que nós precisamos é de uma nova repactuação. Repactuação é muito diferente. Onde você já constrói e todo mundo constrói. A democracia nos últimos anos nos permitiu isto, inclusive na criação de programas onde a união cria programas e responsabiliza estados e municípios para conduzi-los porque eles precisam ter dimensão nacional”, afirmou.

O petista tocantinense afirmou que o tucano precisa explicar melhor sua afirmação. “Ou ele está querendo repensar as unidades da federação!? Ele não pensou em nada do que estava dizendo, é falta do que dizer, casuístico, extremamente preocupante! Nós precisamos é combater alguns elementos que nos perseguem nos últimos anos como é o caso da pobreza, da exclusão, o caso da violência, da corrupção. Dentro desta estrutura do País nós temos de fortalecer aqueles que estão dando certo, por exemplo o Ministério Público, a Polícia Federal", concluiu o coordenador.